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domingo, 4 de agosto de 2019

Athelgard e os Reinos Invisíveis


Pessoas Queridas,

Em primeiro lugar, quero agradecer, muito, a todos os leitores deste blog e da nossa série pelo apoio à campanha de financiamento de Duendes: contos sombrios de reinos invisíveis. Arrecadamos bem mais que a meta inicial e, com isso, não apenas garantimos que o livro chegasse a mais leitores (nada menos que 175!) mas também que ele fosse incrementado com brindes, descontos e dois textos extras, entre os quais um conto inédito do Eduardo Massami Kasse. Tenho certeza de que vocês vão gostar!




Aproveitando o ensejo, decidi falar um pouco sobre os Reinos Invisíveis de Athelgard, que não apareceram muito na trilogia do Castelo nem nos primeiros contos publicados. Claro, o universo é habitado por elfos e seus descendentes, e deve ter ficado claro que existem seres, digamos, fantásticos, como dragões e unicórnios. Também temos os espíritos animais que aparecem com mais força em Anna e a Trilha Secreta. Mas fadas, duendes... Será que o Povo Pequeno existe em Athelgard?

A resposta começou a ser descortinada no conto De Poder e de Sombras, publicado na coletânea Magos: histórias de feiticeiros e mestres do oculto. Kieran, então um jovem mago, tem de agir (meio a contragosto) em parceria com seus colegas para enfrentar elementais do fogo, que são conjurados através de um ritual mágico e nem sempre se comportam como previsto. No ano seguinte, foi a vez de Orlando, futuro aluno do Castelo das Águias, e seu falcão Vesgo adentrarem os domínos de Turnedil, nas Colinas Negras – onde, para seu espanto, ficam sabendo da existência de um Reino Invisível composto por vários territórios, cada qual com suas próprias regras e certamente nem todos amigáveis.

Vemos, dessa forma, que existem criaturas como trolls, ogros e anões (SIM! Há anões em Athelgard!), além de outros seres que podemos considerar como pertencentes a raças feéricas. Algumas delas serão mostradas em histórias por vir, bem como seus reinos, e eu me arrisco a dar um pequeno spoiler lembrando que, no final de A Fonte Âmbar, fomos apresentados a alguém que não apenas traz a Magia nas veias mas foi concebido em condições especiais, num lugar mágico. Isso faz com que essa pessoa tenha facilidade em transitar entre as dimensões e visitar os Reinos Invisíveis, além de outros lugares até agora inacessíveis. Esperemos que cause mais Bem do que Mal...!

Até a próxima, grande abraço a todos!

....

A imagem é de um dos postais que serão enviados aos apoiadores de Duendes, com arte de Arthur Rackham. Falo um pouco sobre ele no blog Estante Mágica; ficarei feliz com sua visita!

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Mais uma vez na Feira Medieval!


Pessoas Queridas,

Mais uma vez estarei na Feira Medieval na Quinta da Boa Vista (a quinta edição da Feira!). Será no domingo, dia 8 de julho, das 10 às 18 h. Levarei os livros de Athelgard e as coletâneas "Magos", "Medieval" e "Excalibur", e vou autografar a coletânea "Histórias Fantásticas do Guardião", de que participei a convite dos editores. Também está prevista uma minipalestra sobre as raízes medievais da Literatura Fantástica e o sorteio de um exemplar de "Medieval".

Apareçam, vai ser mágico!

quinta-feira, 1 de março de 2018

Tammoren de Scyllix

Pessoas Queridas,

Mais um mês se inicia -- e com ele apresento outro personagem do universo Athelgard!


Honrado, corajoso, um excelente arqueiro – e, na opinião da Anna, dono dos olhos mais lindos do mundo.  

 Esse é Tammoren, herdeiro da Casa Âmbar. Ou melhor, do ramo que vive em Scyllix e há séculos rivaliza com os descendentes dos nobres locais, os elfos da Casa Safira. Além de ter presenciado essa rixa ao longo de toda a vida, Tammoren arca com o ônus de alguns desagradáveis problemas de família, os quais sempre o mantiveram longe de primos que ele adoraria conhecer melhor.

Quando a oportunidade aparece, eles estão à beira de uma guerra -- e, apesar dos esforços de Tam e de sua mãe, a reconciliação não parece muito provável . Mesmo assim, o jovem arqueiro tem a chance de provar seu valor e seu desejo de chegar à harmonia, tanto nas Terras Férteis, ameaçadas por um exército inimigo, quanto no seio da família.


Essa história se encontra em “A Fonte Âmbar”,  livro que fecha a Primeira Trilogia de Athelgard. Vocês conhecem?

*****

Ilustração de Tammoren por Valdir Muniz.

Para saber mais sobre as Casas da antiga nobreza élfica, clique aqui.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Vitória no Prêmio Argos 2017

Pessoas Queridas,

Ontem, dia 16, ocorreu a cerimônia de entrega do Prêmio Argos de Ficção Fantástica, promovida pelo Clube de Leitores de Ficção Científica. Foi a eleição com o maior número de votantes e eu fiquei entre os cinco finalistas das três categorias: romance, com A Fonte Âmbar, coletânea, com Medieval (que teve Eduardo Kasse como coorganizador) e conto, com o conto de Medieval, O Grande Livro do Fogo.

Eu até achava que poderia ganhar algum dos dois últimos, pois algumas pessoas me disseram que tinham votado em mim, e acompanhei a prévia. Só não esperava ganhar os Argos de coletânea E de conto, e ainda ficar em terceiro lugar na categoria romance. Foi uma emoção enorme, e eu só tenho a agradecer a todos que me apoiaram, leram, votaram e participaram de alguma forma para que isso fosse possível. Em especial ao Erick Santos, editor da Draco, ao meu parceiro Eduardo Kasse e a todos os demais autores de Medieval.

Com o vencedor da categoria romance, Alexey Dodsworth

O vídeo da cerimônia foi gentilmente disponibilizado pelo Eduardo Torres, do CLFC, e pode ser conferido aqui.

Para conhecer A Fonte Âmbar, ler a sinopse e algumas resenhas e conhecer o universo Athelgard, clique aqui

Para conhecer a coletânea Medieval, sua premissa, seus autores, clique aqui

Ilustração de Vilson Gonçalves para O Grande Livro do Fogo

Para saber um pouco mais sobre o conto vitorioso, seu processo de criação, influências e tudo mais, clique aqui.

No mais... Parabenizo a todos os indicados e deixo meu agradecimento a todos aqueles -- autores, editores, leitores, ilustradores, blogueiros, divulgadores -- que contribuem para o fortalecimento da Literatura Fantástica nacional.

domingo, 29 de outubro de 2017

Seril, a Irmã Rabugenta do Kieran

Pessoas queridas,

Hoje o blog do Castelo traz uma personagem muito especial: a Seril, irmã mais velha do Kieran, que apareceu pela primeira vez no conto A Encruzilhada e, depois, foi citada em O Castelo das Águias como alguém com quem seu irmão não estava querendo conversa.


Em A Fonte Âmbar, ambientada em parte na cidade natal de Kieran e Seril, a irmã do mago finalmente aparece em carne e osso. Não é, à primeira vista, alguém muito agradável, mas Anna de Bryke não se deixa intimidar pela cara feia da cunhada, e Seril acaba por revelar um lado (ligeiramente) mais terno, ao mesmo tempo que se torna uma personagem muito importante no decorrer da trama familiar, que corre em paralelo à política. Ela, inclusive, narra um capítulo curto em primeira pessoa... que começa, justamente, falando de suas desconfianças a respeito de Anna.

Eu não queria ver nenhum dos dois. Kieran, por tudo que fez, e Anna porque, uma vez que casou com ele, devia ser farinha do mesmo saco. Nem entendi por que ela se deu ao trabalho de escrever tantas cartas. Era uma perda de tempo, já que eu só li a primeira, aquela em que me convidavam para o casamento. Não respondi, é claro, e achei que ela não ia escrever de novo, mas na Lua seguinte lá estava outra carta de Anna. Li o início, e aí meti o papel de novo no envelope e guardei. Guardei todas as cartas, umas cinco ou seis, que chegaram depois, e a cada vez me perguntava se aquela não seria a última.

O feedback dos meus 3 1/4 de leitores (sim, pois A Fonte Âmbar é um livro muito recente) mostra que Seril, ao lado de Tam (em breve!), se tornou um dos personagens mais queridos da série. Aqui, ela foi retratada com toda a sua rabugice angulosa pela querida Gabrielle Erudessa, e espera por vocês no último livro da Trilogia Athelgard. Bora ler?

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Personagens de "A Fonte Âmbar" (Parte 2 - I a Z)


Pessoas Queridas,

Segue a segunda parte do glossário de personagens, lembrando que são apenas os que aparecem pela primeira vez no Livro 3!

Kieran ap Teig – filho de Teig e Alix, morreu ainda bebê

Kieran Matiévich – filho pequeno de Matias e Katenka, que vive em Leighdale

Kurok – mercenário, elfo da Tribo dos Ursos Negros

Lasarr – nome pelo qual é conhecido o Conjurador de Mortos

Maeve – empregada da fazenda do general Gwil, sobrinha de Ceridwen. Admira muito Seril e vive um caso amoroso com Doron

Mark – Comandante de uma Companhia do exército de Scyllix, ajuda na defesa da cidade

Medrawt – Preste de meia-idade, mandado para Glen Thar a fim de auxiliar o velho Preste Daffyd. É favorável ao sacrifício de animais

Naldar – elfo brilhante, Primeiro Conselheiro de Scyllix

Nauk – mercenário, elfo da tribo dos Ursos Negros

Olwen – falecida mãe de Seril e Kieran. Toda a família do mago aparece no conto A Encruzilhada

Ordo – pai de Orm

Ralston – Conselheiro Militar de Scyllix, um veterano

Razion – garoto meio-humano, filho de Brigid e de um elfo já falecido. Protegido de Harlan

Ronan – ferreiro de Glen Thar, recém-chegado à aldeia

Ruivo – apelido de um aprendiz do Segundo Círculo do Castelo das Águias. Faz sua primeira aparição neste conto

Seamus – Comandante de uma Companhia do exército de Scyllix

Tammoren – elfo brilhante, arqueiro do exército, filho de Athala e Fahel

Tatyana – esposa do Conselheiro Thorold de Vrindavahn, mãe de Freydis. Os três aparecem aqui

Teig – Comandante de uma Companhia do exército de Scyllix, marido de Alix, amigo de infância de Kieran e Doron

Telion – elfo brilhante, chefe da Casa Safira, sobrinho de Hillias , Conselheiro Militar de Scyllix

Tibor Vannovich – camponês de Etskaia recrutado para a guerra, primo de Arpad, parente de Radu e Mircea Vannovich

Valan – jovem meio-humano, teve a família morta por mercenários e viveu com uma tribo de elfos por alguns anos. Mais tarde, se tornou acólito de Lasarr. Tem o apelido de Andorinha

Vivani – xamã da tribo élfica do Bosque dos Sons, foi mestra de Valan por algum tempo

Wendell – fazendeiro dos arredores de Pengell, empregou Valan por algumas luas antes que o jovem se ligasse a Lasarr

Yago – pai de Tibor Vannovich

Yseult – esposa do Conselheiro Cormac

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Personagens de "A Fonte Âmbar" (Parte 1 - A a H)


Oi, Pessoas!

Tal como fiz com "O Castelo das Águias" e"A Ilha dos Ossos", aqui vai um glossário de personagens para orientar os leitores. Só estão listados os que aparecem pela primeira vez neste livro; os demais (mestres e aprendizes da Escola de Artes Mágicas, por exemplo) podem ser encontrados nos posts referentes aos livros 1 e 2, que estão no marcador "Personagens". Também fiz alguns links entre uns e outros para vocês conhecerem ou recordarem o pessoal dos primeiros livros. Vamos lá?

Aidan – bebê, filho de Aryan e Flora

Aileen – adolescente, filha de Teig e Alix

Alix – esposa de Teig, foi pivô de uma disputa envolvendo Declan e Kieran. A história pode ser lida aqui.

Andorinha – apelido de Valan

Arpad Vannovich – nobre do Oeste, senhor da aldeia de Etskaia

Athala – elfa brilhante, esposa de Fahel

Blethyn – oleiro de Glen Thar, contrai a peste misteriosa

Brigid – criada humana de Harlan, mãe de Razion

Ceridwen – criada do General Gwil, já falecida, cuidou de Doron quando este perdeu a mãe

Colm – aprendiz no Castelo das Águias

Colm (2) – velho pastor de ovelhas, empregado de Seril

Conan – moleiro de Glen Thar

Cormac – mercador de vinho, Conselheiro Civil de Scyllix

Cyprien de Pwilrie – saltimbanco, velho amigo de Tomas, foi quem levou Valan da floresta onde cresceu para uma cidade dos humanos no País do Norte. Cyprien aparece em uma aventura na sua cidade natal, ao lado da namorada Mariotte e do filho Alain, na novela O Jogo do Equilíbrio.

Daffyd – Preste muito idoso do templo de Glen Thar, amado por todos. Foi quem ensinou Kieran a ler

Declan, o Mão de Ferro – Comandante de uma Companhia do exército de Scyllix, desafeto de Kieran desde a juventude

Dylan – fazendeiro de Glen Thar, contrai a peste misteriosa

Éamonn – Conselheiro de Vrindavahn, substituto de Waclav Vannovich

Elena – esposa de Arpad Vannovich, que o espera em Etskaia

Elora – elfa brilhante, viúva do General Palias, falecido líder da Casa Âmbar em Scyllix

Fahel – elfo brilhante, sobrinho de Palias, Conselheiro Civil de Scyllix

Greimolt – senhor de Pengell, conhecido como O Tirano por sua impiedade e prepotência

Gwil – velho General, aleijado, pai de Doron

Gwinnis – criada humana de Palias, de quem teve a filha Olwen, que viria a ser mãe de Seril e Kieran

Harlan – elfo brilhante, amigo de juventude de Kieran, Mestre de Estratégia em Scyllix. Atualmente num relacionamento amoroso com Vergena

Em breve: Personagens de I a Z

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A Hora da Verdade! : Considerações sobre o Livro 3


No terceiro livro da série, Anna e Kieran se envolvem em uma intriga política comandada pelas duas Casas da nobreza élfica radicadas em Scyllix: a Safira — da qual faz parte Hillias, personagem conhecido desde “O Castelo das Águias” – e a Âmbar, outrora dona da propriedade onde fica a fonte mágica usada nas experiências de Kieran e de seu antecessor, o falecido Mestre Mael.

A fonte é objeto de disputas internas e externas, e não resisti a fazer as manifestações a esse respeito refletirem o que temos visto, nos últimos tempos, no Brasil e em muitos outros países. Por isso o leitor não deve estranhar se, além de bater com as espadas nos escudos, os habitantes de Scyllix também fizerem soar panelas em suas reivindicações: afinal, a arte imita a vida, ou será o contrário?

As narrativas múltiplas de “A Fonte Âmbar” convergem para um clímax em que, finalmente, Kieran não mais poderá esconder seu passado aos olhos de Anna. Tampouco poderá se esconder de si mesmo. Não vou contar o que acontece, mas esse livro culmina no que é, de fato, “a hora da verdade” para o casal: o momento em que todas as máscaras e convenções caem por terra e a maior de todas as escolhas é posta diante de seus olhos.

Leiam mais sobre o último livro da trilogia no blog da Editora Draco!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Songlist: as músicas que inspiram o Castelo (2)


Sou brasileira, a série Athelgard é brasileira, estamos sempre defendendo a literatura fantástica produzida no Brasil. Nada mais natural que a "trilha sonora" desse universo também conte com algumas músicas brasileiras! :)

Eu escuto muita coisa que me faz lembrar o Castelo e seus personagens, mas, ao contrário do que acontece com a "trilha internacional", frequentemente essas músicas incluem algum elemento que soa estranho àquele universo -- falam de avião, de telefone, alguma coisa que não existe e provavelmente jamais será inventada em Athelgard. Uma delas é esta, que, talvez pelo refrão, me faz inequivocamente pensar em como Kieran se sentia no primeiro livro. E ele estava certo: quem mais faria Anna feliz? Por sua vez, a percepção que a Mestra de Sagas, mesmo no início da paixão, tem a respeito do mago me parece bem traduzida nesta sensível canção cantada por uma das mais belas vozes da música popular brasileira.

O tragicômico mestre de música do Castelo, Urien, não tem associado a ele nenhum tema estrangeiro, mas sim esta canção de José Alexandre, interpretada pelo Adcanto. Já o Mentor Camdell, adepto da Magia da Alma, poderia ser acompanhado por esta linda música, com sua percussão incrementada, enquanto caminha pelos jardins do Castelo ou medita diante do fogo em sua sala na Ala Rubi. E a história de amor do xamã Zendak e da Mestra Maryan não poderia ser melhor descrita do que na letra desta canção de Beto Guedes.

Curiosamente, volta e meia surge uma associação de cenas da trilogia com canções do Legião Urbana, apesar de muitas vezes existir aquele anacronismo de que falei no início. Metal Contra as Nuvens é a trilha perfeita para acompanhar Kieran em suas jornadas dos livros 2 e 3; Quase Sem Querer, aqui em voz feminina, traduz as inseguranças da Anna em sua transição da adolescência para a idade madura. Por fim, a escrita do último livro me fez, frequentemente, escutar Soldados e a Canção do Senhor da Guerra, que inclusive me inspiraram, diretamente, para escrever alguns trechos um pouco mais sombrios e pesados da parte do Kieran.

Bom, essas são algumas das músicas brasileiras que embalam minha escrita. Não sei se vocês acham que têm a ver com os personagens. Mas achei legal compartilhar, para aqueles que gostam de conhecer os meandros do processo criativo. Ao menos por esse lado, espero que tenham curtido.

Até a próxima!

Vejam também a songlist de músicas estrangeiras.


segunda-feira, 20 de junho de 2016

A Fonte Âmbar : prólogo do livro 3


     -- Mestre, o senhor comeu tão pouco quanto um pássaro -- diz Gurion, olhando para a travessa quase intocada. Isso é o que ele vem repetindo todos os dias ao longo dos últimos anos. Respondo que estou satisfeito e ele não retruca, mas franze o cenho ao sair, e não o faz sem antes se assegurar de que haja bastante lenha em minha lareira. E nisso tem razão, pois é outono, as noites são cada vez mais longas e frias e eu escolhi passá-las sozinho.
     Quando os passos na escada deixam de ser ouvidos, levanto-me e vou até a janela. Dali vejo uma torre da Ala Verde, o jardim de ervas curativas de Sophia e, logo abaixo, meu próprio jardim, com sua fonte, sua estátua e as flores que guardam a memória de Theoddor. Passei a tarde ali com Padraig, meu aprendiz, e meditamos juntos, mas não lhe contei sobre as intuições que venho tendo nos últimos tempos. Também não falei disso aos mestres da Escola. Não quero que eles se aflijam ou, pior, que tomem decisões precipitadas. Por outro lado, sei que virão até mim, mais cedo ou mais tarde, em busca de orientação, e como Mentor desta comunidade é meu dever ajudá-los. E o farei, a partir de agora, ainda que o primeiro passo transcorra em segredo.
     Deixando aberta uma fresta da janela, arrasto minha pesada cadeira de carvalho e a posiciono em frente à lareira. Retiro, então, de meu armário um vidro contendo óleo de cipreste e derramo algumas gotas sobre as chamas. Elas reagem com estalos e se contorcem, suas sombras se alongando sobre as paredes. Respiro fundo, exalando em curtos intervalos, sento-me diante do fogo e me concentro em sua dança, à espera de que me revele o mapa de um provável futuro.
     E, pouco a pouco, ele começa a se desenhar. Não são imagens claras, apenas padrões, linhas e símbolos que um século de Magia me ensinou a ler. A primeira coisa que vejo é uma revoada de asas e bicos selvagens, e compreendo tratar-se de águias guerreiras, com o que não posso evitar uma ponta de angústia. O que vem depois traz visões ainda mais duras -- lanças, flechas, homens marchando e caindo em fileiras cerradas –, mas ao redor desse quadro explodem pequeninas fagulhas, e nelas vejo coisas boas, ainda que apareçam e desapareçam no espaço de um piscar de olhos. Água límpida, espigas de trigo, uma mulher que segura um vaso, inclinando-o para dar de beber a um soldado. Vejo a esperança em seus olhos, o sorriso, depois os lábios que se entreabrem num sussurro, falando, encorajando... buscando trazer de volta...
     As chamas se avivam de repente, engolfando as pequenas cintilações. O brilho súbito me faz perder a concentração, mas a última imagem que vi se fixou em minha mente, e não preciso refletir para saber de quem se trata. É o que eu já esperava, e é tudo parte de um ciclo que se iniciou há vários anos, quando minha amiga Maryan me encaminhou o livro de histórias escritas por sua aprendiz. Ou talvez mesmo antes, quando um rapaz de cabelos longos e vontade inquebrável optou pelo caminho mais claro numa encruzilhada. O que vi no fogo me leva a crer que eles terão de fazer novas escolhas, e no caminho haverá muitas sombras. Quero ajudá-los, mas não posso impedir que as coisas sigam seu fluxo, assim como não posso ter certeza de que tudo dará certo. Só resta confiar.
     A angústia se dissipa à medida que acalmo minha mente, mas o esforço me deixa exausto. Ergo as mãos, contemplando-as à luz do fogo, mãos claras e lisas que não traem minha idade ou meu cansaço. O sangue dos elfos brilhantes em minhas veias mantém meu corpo preservado, pelo que sou grato, pois sei o que é a velhice e o que ela faz aos homens. Fui eu que fechei os olhos de Theoddor, meu grande amigo, que não viveu sequer a metade dos meus anos; fui eu que, em seu leito de morte, segurei a mão trêmula e enrugada de meu avô. E, como todos os mestiços, não sei o que esperar no inverno da minha vida, a não ser pelas visões de um futuro que ainda pode vir a sofrer mudanças.
     Queria que o tempo de espera passasse rápido. Pareço jovem, mas minha alma é velha, e sinto cada vez mais frio. Se ao menos fosse verão...!
     Mas não. As nuvens são cinzentas como chumbo no céu de Vrindavahn. Às vezes eu gostaria de não saber ler os sinais.

sábado, 11 de junho de 2016

#EspalheFantasia : Cinco Séries da Editora Draco



ATUALIZAÇÃO: A Fonte Âmbar, livro que fecha a Trilogia Athelgard, foi lançado na Bienal do Livro de 2016. Eduardo Kasse (com Ruínas na Alvorada) e Karen Alvares também já fecharam suas séries.

Pessoas Queridas,

Hoje é dia de espalhar fantasia pelas redes. Ou melhor, pelo Brasil afora!

Vários autores, blogueiros e leitores envolvidos com o gênero vão fazer postagens ao longo do dia, e cada um irá sugerir cinco séries de fantasia publicadas no Brasil. Podem ser de autores estrangeiros, nacionais ou uma mistura de ambos.

No meu caso, optei por séries nacionais: a minha e as de outros quatro autores da Editora Draco. Para quem ainda não conhece, ela é sediada em São Paulo e, em poucos anos, cresceu em proporções incríveis dentro do gênero fantástico, além de ter uma importante produção de quadrinhos. É também responsável pela maior coleção de contos em e-book publicada no Brasil, a Contos do Dragão.

A Draco publica coletâneas, livros solo e séries de fantasia. Aqui vão algumas delas. Espero que gostem!

Série Athelgard Ana Lúcia Merege

Athelgard é um universo construído sobre referências de várias mitologias e várias culturas, dentre as quais se destacam a nórdica, a celta e a dos nativos americanos. Tem uma ambientação medieval, mas cheia de nuances de acordo com o local e a época em que se passam as histórias.

Ainda tenho muitas para contar, mas a primeira trilogia de Athelgard gira em torno do casal Anna de Bryke e Kieran de Scyllix, que são professores na Escola de Artes Mágicas, sediada no Castelo das Águias. Ali, a concentração, a expertise, o poder criador necessários ao artista são o ponto de partida para desenvolver o Dom da Magia. Os livros são O Castelo das ÁguiasA Ilha dos Ossos e A Fonte Âmbar, que se encontra em pré-venda. A série já rendeu também uma prequel, o infantojuvenil Anna e a Trilha Secreta, além de vários contos e novelas publicados na série Contos do Dragão. Outros estão disponíveis no blog do Castelo, que traz muitas informações sobre o universo e seus personagens. Espero que vocês passeiem bastante por aqui!

Série Um Toque de Morte/Um Beijo de MorteLuiza Salazar

Com cenas ágeis, personagens cativantes e escrita fluente, a eletrizante série de Luiza Salazar tem como protagonista a jovem Kat, a qual possui estranhas tatuagens nas mãos e um dom que à primeira vista parece uma maldição: ela mata as pessoas que toca. E faz disso seu meio de vida, como mercenária. Duas organizações misteriosas disputam seus serviços e lealdade; quando faz sua escolha, ela é submetida a um severo treinamento que, além de fortalecê-la, acaba por revelar muito sobre seu poder e sua afiliação a uma poderosa estirpe mágica. Um Toque de Morte e Um Beijo de Morte foram os dois livros lançados até agora e fecham bem a história de Kat, de forma que não sei se a série irá prosseguir ou se continuará como duologia.

Série EspelhoKaren Alvares

Essa de fato é uma duologia, e, assim como a minha série e a de Luiza, pode entrar na famosa categoria YA – livros para jovens adultos. No entanto, assim como as outras duas, pode agradar a leitores adultos também. Karen conta com mestria a história de Megan, uma jovem brasileira que vive com o pai e a irmãzinha e tem o simpático Daniel como melhor (e praticamente único) amigo. O mundo de Megan vira de ponta-cabeça quando ela se olha no espelho e, em seu interior, vislumbra a si mesma – ou uma cópia de si mesma – vivendo uma vida alternativa, que em princípio parece ser melhor do que a sua, mas que logo vem a revelar seus aspectos sombrios. O embate entre Megan e sua aparente “gêmea do Mal” Megami rende muitos sustos, muita tensão, algumas risadas e até algumas lágrimas ao longo dos dois livros: Inverso, lançado na Bienal do Rio em 2015, e Reverso, atualmente em pré-venda pela Editora Draco.

Série Reinos EternosJoão Beraldo

Essa série é ambientada em um universo construído pelo autor a partir de referências variadas, tais como os grandes reinos da África, as tradições da Índia e a mitologia do Extremo Oriente. Tudo isso é revestido numa roupagem própria e apresentado ao leitor através de descrições vívidas, cenas de ação muito bem construídas e diálogos ágeis. Os livros Império de Diamante e Último Refúgio, este ainda em pré-venda, são independentes entre si, mas têm como personagem de ligação o mercenário Rais Kasim, proveniente de Myambe (um reino semelhante à África) que entra e sai de muitas encrencas usando uma combinação de força, destreza, inteligência e grande dose de bom senso. Estou muito curiosa para ver onde os próximos livros o levarão.

Série Tempos de SangueEduardo Kasse

Esta é uma série para quem gosta de fantasia medieval com todos os esses possíveis: sangue, sexo, suor e sujeira. Isso dito no melhor sentido! Ambientada em vários lugares da Europa, principalmente a Inglaterra, a série de Eduardo Kasse tem como personagem principal o sarcástico Harold Stonecross, que foi transformado em imortal pelo poder de um deus e cujas aventuras têm como pano de fundo os acontecimentos históricos, políticos e sociais da Idade Média. Em seu caminho estão papas, bispos, reis, condes, xerifes e magistrados locais, além de outros imortais de diferentes proveniências e personalidades e, é claro, da impagável gente camponesa, cuja vida cotidiana é retratada com realismo, crueza e humor.

Os livros já lançados são O Andarilho das Sombras, Deuses Esquecidos, Guerras Eternas e O Despertar da Fúria. No fim do ano teremos o último volume. A série conta ainda com vários contos publicados em e-book pela Contos do Dragão.

Bom, essas são minhas indicações de séries. Espero que vocês tenham gostado, se não de todas, ao menos de algumas. E que partilhem suas impressões caso as tenham lido ou venham a ler.

Para completar, deixo aqui a lista de blogs, autores e leitores que participam da campanha, cada um com indicações mais legais que as outras. Não deixem de conferir!

Abraços e até a próxima!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A Fonte Âmbar em Pré-Venda!!


Pessoas Queridas,

Meu editor, Erick Sama, me surpreendeu hoje com a notícia mais incrível. A Fonte Âmbar já está em pré-venda!

Esse é um livro especial, não apenas por concluir a trilogia - sim, vai haver mais histórias em Athelgard, mas um arco está sendo fechado! - mas também por eu estar experimentando aqui várias coisas que ainda não tinha feito do ponto de vista da construção literária. Há vários narradores além de Anna e Kieran, e as diferenças entre os pontos de vista podem levar um herói a ser descrito como um vilão e vice-versa. Há um gancho para uma futura série que eu torço imensamente para as pessoas gostarem. Enfim, há muito aqui em jogo, muito para me deixar em grande expectativa. Tomara que a reação dos leitores seja positiva!

Se vocês quiserem comprar o livro, ou só dar uma olhada na sinopse por enquanto, basta acessar o link no site da Editora Draco. Se quiserem conhecer mais sobre o universo, já estão em casa: sintam-se bem-vindos aqui no blog do Castelo.

Espero compartilhar esta e muitas histórias com vocês!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Songlist: as músicas que inspiram o Castelo (1)


Pessoas Queridas,

Como muitos escritores, eu encontro inspiração em músicas, dos mais variados gêneros e ritmos. Não há como mencionar todas aqui (em alguns casos isso me deixaria com um pouquinho de vergonha!), mas, como parte dos posts sobre o processo de escrita, achei que vocês gostariam de conhecer um pouco da trilha sonora que embala as histórias de Athelgard.

Para começar, as músicas que me lembram Anna e Kieran. Ele, como se sabe, é um cara meio rústico, com jeitão de metaleiro, mas se apaixona por ela de uma forma que eu acho meio comovente. Quem leu A Ilha dos Ossos sabe do que ele abre mão para ficar com ela, que é muito mais do que simplesmente não avançar nos Círculos da Magia...!

Então, dentre as muitas músicas que ouvi pensando em ambos ao longo do processo, destaco como principal "tema de Kieran" esta sofrida canção do Meat Loaf. Aqui aparece toda a paixão e todo o desespero do mago, que admite ter nascido para viver sozinho, mas está decidido a virar o jogo e seguir a vida ao lado da sua sonhada morena de tranças. Ela, por sua vez, embora longe de ser uma pessoa frágil e delicada, é muito sensível, e mesmo no auge de sua paixão consegue perceber que existe um lado oculto e talvez perigoso em Kieran.

Assim, após seu abandono inicial, que eu acho bem representado na letra de The Dark Night of The Soul, Anna passa aos poucos a saber com quem está lidando - e mais de uma vez é levada a decidir se vai arriscar ou não um salto no escuro, buscando a luz onde poucos o fazem, como sugere esta canção. Ela é bem significativa para o que vai ser encontrado em "A Fonte Âmbar", embora, é claro, a coruja deva ser substituída por outra ave. ;)

E o amor de Kieran, não evoluiu? Claro que sim. No livro 2 se pode perceber o quão melancólico ele fica longe de Anna - quase dá para ouvir o lamento vindo de sua torre solitária, nos dias frios e chuvosos, quando ela partiu. Isso, e sua jornada, encontram um tema perfeito em The Rain Song do Led Zeppelin. Já no terceiro livro, quando Anna e Kieran estão de novo juntos, seu amor é posto à prova de um jeito mais sutil e mais complexo, e a música que representa a situação - que vai além da história do casal - é esta do Uriah Heep. Alguns de seus versos, inclusive, aparecerão como epígrafe do livro, tal como os de "Anything for Love" foram citados em "A Ilha dos Ossos". Tudo para que os leitores saibam que o Mal se viu perdido diante da Beleza... que o Bem vence o Mal, como dizem numa daquelas músicas que eu ouvi, mas que não vou contar pra vocês por razões de guilty pleasure.

E então, o que acham dessa seleção musical? Boas canções? Têm a ver com os personagens e o Castelo? Alguma música que vocês tenham ouvido e achem que os representa?

Compartilhem... e voltem sempre, ainda tenho muito a dizer!

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A foto acima é do grupo de folk medieval Corvus Corax - uma banda que eu também escutei bastante, especialmente durante a reescrita de "A Ilha dos Ossos". Só para dar uma ideia de como imagino alguns dos saltimbancos de Athelgard, principalmente os das Terras Férteis, onde a vida é relativamente fácil e a gente não tem medo de ser expulso de uma cidade a pedradas. ;)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

A Fonte Âmbar: Mais um Trecho Para Vossos Olhos



            "Anna queria me enganar: eu tinha certeza, conhecia-a bem o bastante para saber. Ela zombava de mim, agia pelas minhas costas, me abandonava e me obrigava a ir atrás dela quando as coisas fugiam ao seu controle. Ela me provocava, e eu não era capaz nem mesmo de lhe impor a minha vontade.
            Ou, pelo menos, não até agora.
            Apertei o bastão de poder em minha mão direita. Estava prestes a quebrar um juramento, mas isso pouco importava: o poder que obteria dentro de instantes me deixaria além de todas as leis da Magia..."

            Caramba, Ana! O que pode ser isso?

            Minha resposta: apenas um trecho do clímax de "A Fonte Âmbar", onde a natureza de Anna e Kieran entra em conflito com a de Kieran... ou a vontade do mago entra em conflito com sua própria natureza. O mosaico bizantino aí em cima talvez seja uma pista. Ou não. O que vocês acham?

             Seja como for, essa é uma história que eu estou tentando deixar o mais instigante e surpreendente possível antes de compartilhar, e é por isso que o blog tem andado meio parado. Mas em breve ela sai, prometo!

             Fiquem comigo -- e com o meu desejo de muita Arte e Magia neste ano que entra!        


domingo, 1 de novembro de 2015

A Fonte Âmbar: um trecho do livro 3!



"Uma imagem vinda de muito longe me preencheu a mente – uma aranha em sua teia, lançando novos fios, tecendo e trançando e avançando até as estrelas – e de repente compreendi melhor as razões para eu estar ali. Não na Torre de Ferro, mas em Scyllix, para falar pelas águias, para propor um uso mais digno da fonte âmbar, para fazer com que uma irmã perdoasse seu irmão..."

Pessoas Queridas,

Tenho feito muito poucas atualizações no blog, porque estou focada na conclusão do próximo livro da saga. Espero logo voltar com os contos e as postagens, mas, por ora, deixei aqui um trechinho do que escrevi por esses dias -- que também ilustra o fato de que, após ter escrito Anna e a Trilha Secreta, eu tenho que segurar a vontade de citar, a todo momento, acontecimentos que estão apenas naquele livro e não nos dois primeiros da série do Castelo das Águias.

Na dúvida, leiam todos... ;)

Um bom novembro pra vocês e até breve!