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domingo, 1 de julho de 2018

Grimmagauhr e os Dragões de Athelgard


A existência de dragões é um capítulo à parte em Athelgard.

Nos tempos em que decorrem O Castelo das Águias e suas sequências, os habitantes da Ilha Exterior não têm nenhuma dúvida de que eles existiram. Isso é comprovado não apenas por antigos relatos, desenhos e esculturas, mas pela presença de ossadas, geralmente em lugares de difícil acesso, como cavernas situadas em montanhas e pequenas ilhas (entre as quais a famosa Ilha dos Ossos). A maioria das pessoas, porém, acredita que os dragões desapareceram há centenas de anos – e por isso o ovo meio petrificado encontrado pelos navegantes de O Tesouro dos Mares Gelados é motivo de assombro, tal como o é o pequeno dragão avistado por Anna e Kieran, anos depois, durante uma tempestade.

Aliás... Seria o mesmo dragão?

A resposta a essa questão parece ficar evidente quando, pela primeira vez, os visitantes desse universo são convidados a conhecer a Ilha Interior. Lá, eles descobrirão que os dragões pertenciam a três estirpes distintas – a branca, a rubra e a negra, cada qual com suas particularidades, que iam além da cor – e que, assim como boa parte dos descendentes dos elfos egressos de Alfheim, deixaram essa localidade protegida para viver na Ilha Exterior, onde foram exterminados pelos homens ou pelos próprios elfos na luta pela posse do território. Um, porém, foi deixado para trás: o orgulhoso e mal-humorado Grimmagauhr, descendente da estirpe rubra, capz de assumir a forma de um homem ruivo e desajeitado.

A jornada de Grimmagauhr e o que ele descobriu pode ser acompanhada no conto O Último Dragão de Athelgard, que está disponível em e-book solo e na versão digital da coletânea Dragões, da Editora Draco.

Grim, em sua forma humana, e o seu “ego” draconiano foram retratados pela talentosa Evelyn Postali especialmente para o blog do Castelo.

O autor Cristiano Konno também trouxe dragões a Athelgard no conto O Elfo das Terras Além, que se passa nesse universo.



quinta-feira, 1 de março de 2018

Tammoren de Scyllix

Pessoas Queridas,

Mais um mês se inicia -- e com ele apresento outro personagem do universo Athelgard!


Honrado, corajoso, um excelente arqueiro – e, na opinião da Anna, dono dos olhos mais lindos do mundo.  

 Esse é Tammoren, herdeiro da Casa Âmbar. Ou melhor, do ramo que vive em Scyllix e há séculos rivaliza com os descendentes dos nobres locais, os elfos da Casa Safira. Além de ter presenciado essa rixa ao longo de toda a vida, Tammoren arca com o ônus de alguns desagradáveis problemas de família, os quais sempre o mantiveram longe de primos que ele adoraria conhecer melhor.

Quando a oportunidade aparece, eles estão à beira de uma guerra -- e, apesar dos esforços de Tam e de sua mãe, a reconciliação não parece muito provável . Mesmo assim, o jovem arqueiro tem a chance de provar seu valor e seu desejo de chegar à harmonia, tanto nas Terras Férteis, ameaçadas por um exército inimigo, quanto no seio da família.


Essa história se encontra em “A Fonte Âmbar”,  livro que fecha a Primeira Trilogia de Athelgard. Vocês conhecem?

*****

Ilustração de Tammoren por Valdir Muniz.

Para saber mais sobre as Casas da antiga nobreza élfica, clique aqui.

domingo, 29 de outubro de 2017

Seril, a Irmã Rabugenta do Kieran

Pessoas queridas,

Hoje o blog do Castelo traz uma personagem muito especial: a Seril, irmã mais velha do Kieran, que apareceu pela primeira vez no conto A Encruzilhada e, depois, foi citada em O Castelo das Águias como alguém com quem seu irmão não estava querendo conversa.


Em A Fonte Âmbar, ambientada em parte na cidade natal de Kieran e Seril, a irmã do mago finalmente aparece em carne e osso. Não é, à primeira vista, alguém muito agradável, mas Anna de Bryke não se deixa intimidar pela cara feia da cunhada, e Seril acaba por revelar um lado (ligeiramente) mais terno, ao mesmo tempo que se torna uma personagem muito importante no decorrer da trama familiar, que corre em paralelo à política. Ela, inclusive, narra um capítulo curto em primeira pessoa... que começa, justamente, falando de suas desconfianças a respeito de Anna.

Eu não queria ver nenhum dos dois. Kieran, por tudo que fez, e Anna porque, uma vez que casou com ele, devia ser farinha do mesmo saco. Nem entendi por que ela se deu ao trabalho de escrever tantas cartas. Era uma perda de tempo, já que eu só li a primeira, aquela em que me convidavam para o casamento. Não respondi, é claro, e achei que ela não ia escrever de novo, mas na Lua seguinte lá estava outra carta de Anna. Li o início, e aí meti o papel de novo no envelope e guardei. Guardei todas as cartas, umas cinco ou seis, que chegaram depois, e a cada vez me perguntava se aquela não seria a última.

O feedback dos meus 3 1/4 de leitores (sim, pois A Fonte Âmbar é um livro muito recente) mostra que Seril, ao lado de Tam (em breve!), se tornou um dos personagens mais queridos da série. Aqui, ela foi retratada com toda a sua rabugice angulosa pela querida Gabrielle Erudessa, e espera por vocês no último livro da Trilogia Athelgard. Bora ler?

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Orlando, o Falcoeiro

Pessoas Queridas,

Dou uma pausa nas postagens do Writertoberbr para lhes apresentar um novo personagem. Novo, exatamente, não, porque ele já apareceu em A Ilha dos Ossos, e foi citado numa conversa entre Anna, Kieran e Doron em A Fonte Âmbar: o jovem Orlando, filho do Thane Herrin de Leighdale e de sua esposa Alana, portanto membro da família governante da chamada Terra dos Falcões.


Em A Ilha dos Ossos, Orlando tem apenas oito anos de idade, mas já se percebe que possui o Dom da Magia, possivelmente relacionado às habilidades dos xamãs -- como Anna, ele tem um pinguinho de sangue das tribos das florestas, é muito ligado ao mundo onírico e tudo leva a crer que tem um forte elo com os falcões que sua família adora. Nessa ilustra do Alan Antunes, ele aparece com doze anos de idade, acompanhado por seu falcão preferido (que tem uma particularidade muito especial) e se preparando para viver uma nova aventura... que, se tudo correr bem, resultará num livro infantojuvenil, como Anna e a Trilha Secreta.

Os planos eram de já estar com a escrita a pleno vapor, mas estou muito enrolada com outras coisas. Isso, porém, não significa que não estou trabalhando, reunindo referências, alinhavando ideias, portanto vocês vão ouvir falar bastante do Orlando nos próximos meses.

Espero que gostem de me acompanhar em mais essa jornada!

sábado, 8 de julho de 2017

O Eterno Retorno (parte 1)


Pessoas Queridas,

No meu outro blog, A Estante Mágica de Ana, está rolando um projeto que intitulei "Contos Fantásticos de Avós Extraordinários", com contos de fantasia (e um de FC) sobre avós e netos.

Aqui, no blog do Castelo, vou postar os dois que são ambientados em Athelgard, começando com este em que aparecem a Anna e a Kyara. Espero que vocês gostem! 

A ilustração deste conto ficou a cargo de uma das mais antigas e constantes leitoras de Athelgard, a querida Isabela Lopes. 



As pegadas eram claras, impressas em lama seca na extremidade da clareira. Apontavam para o bosque de faias mais adiante, mas Kyara não disse nada, à espera de que a menina lesse os sinais e conseguisse interpretá-los. Para um bom caçador, isso era tudo. Mesmo os que viviam com a cabeça nas nuvens.
Anna estava de joelhos examinando as pegadas, a trança negra enrolada no pescoço, a luz concentrada nos olhos. Sua boca estava contraída, uma boca rosada e bem desenhada, como a da primeira Anna, aquela que nunca aprendera a se orientar na floresta. Não vou deixar acontecer de novo, Kyara pensou. Custasse o que custasse, ela ensinaria a sua neta o que era preciso saber.
-- Então, minha Anna – disse, por fim. – Já descobriu o que tem aí?
-- Descobri que é um cervo. Não é muito grande. – Certo até ali. – Não é mais filhote, porque anda sozinho, mas a pegada é rasa, então ele é bem novo. E passou há pouco tempo, o rastro é fresco. Hoje ao amanhecer?
Olhou para a avó, querendo confirmação ou ao menos uma pista. Kyara cruzou os braços. A menina suspirou e voltou a analisar as pegadas, acompanhando o rastro do cervo ao longo da clareira.
-- Bom, parece que ele foi para o bosque, pode ter ido beber naquela nascente do rio da Lontra. Se não ao amanhecer, um pouco antes. A lama estava mole quando ele pisou...
-- Mole? – observou a avó. – Ou só macia? A pegada é nítida. Será que choveu depois que o cervo passou?
-- Não. – Anna pensou um pouco, depois concordou. – Não chove desde a madrugada, então deve sido mais tarde. Isso quer dizer... Avó! – Arregalou os olhos oblíquos, semelhantes aos dos demais membros da tribo. – Ele passou agora há pouco? Está assim tão pertinho? A gente pode ir atrás dele?
-- Para quê? O que você descobriu logo no começo?
-- Que ele é muito novo. Claro, eu sei que não caçamos animais jovens, mas não seria para pegá-lo. Seria só para seguir a trilha e ver se eu consigo achá-lo.
-- Ah, você gostaria? Fico feliz. – A elfa sorriu. – Mas hoje não temos tempo. Tyshen e os outros vão passar logo depois do almoço, lembra? Vocês vão à cata de bagas e cogumelos.
-- Posso ir amanhã – propôs Anna.
-- Nada disso. Você combinou com eles, e além do mais é sua contribuição para a tribo. Todas as crianças da sua idade estão colhendo bagas para secar e comer no inverno.
-- Eu sei. Tudo bem, vamos voltar. – A menina encolheu os ombros. – Mas, num outro dia, queria ir com você além do bosque de faias e ver a trilha onde você encontrou meu avô. Porque você sempre fala, mas eu não sei direito como chegar lá.
-- Isso seria uma jornada mais longa – disse Kyara.
As palavras pesavam ao lhe sair da boca. Anna não disse nada. Em vez disso, pegou a mão da avó, como se tivesse menos que seus nove anos, e começaram a caminhada de regresso a sua cabana.
-- Esta não é a nossa trilha – afirmou a menina, pouco depois.
-- Eu sei. Peguei um atalho, só para ver se você percebia – sorriu Kyara. Na verdade, não tinha pensado muito antes de enveredar por aquele caminho secundário, que raramente percorrera nas últimas luas. Supunha que o mesmo se desse com os outros membros da tribo, por isso se surpreendeu ao dar com uma linha de armadilhas montadas por alguém no mínimo inexperiente.
-- Olhe para aquilo – Kyara apontou para uma delas, que não poderia estar mais evidente, a não ser que fosse enfeitada com flores roxas. – Não sei quem fez, mas ele ou ela precisa de orientação. Até uma toupeira saberia desviar daquela coisa.
-- Ah, avó. Você sabia que as toupeiras têm aldeias embaixo da terra? Foi Zendak que me disse. – Zendak era o xamã da tribo, que não devia ser contestado, por isso Kyara fez que sim. – Ele disse que são túneis muito longos que se encontram uns com os outros, e elas têm uns cômodos largos onde ficam várias, e se visitam, como se fossem casas. E aí Maryan perguntou como eu achava que seria uma cidade de toupeiras, mas uma cidade de verdade, como as do lugar de onde ela veio. Pensei em toupeiras grandonas que seriam os Conselheiros, uma toupeira-ferreiro de avental, fazendas de toupeiras que plantam cenouras e nabos...
-- Ah, está bem, Anna. Já chega. – Kyara franziu as sobrancelhas, irritada. – Que você goste de Maryan, muito bem, também gosto dela; que aprenda a ler e outras coisas que ela sabe, está certo, pode ser útil um dia. Mas toupeiras plantando nabos! Você não tem mais nada em que pensar?
-- São só histórias -- Anna se defendeu. – A tribo tem suas histórias, o povo de Maryan também, os homens também. Essa é só mais uma, que inventamos para nos divertir. Por que você não gosta?
-- Não é isso. É que você, às vezes, se entusiasma demais imaginando coisas e se esquece do que tem para fazer. Ontem quase deixou queimar a comida porque ficou escrevendo naquele caderno. Aposto que ele está aí na sua bolsa. Não está?
O alto das orelhas de Anna – orelhas humanas, arredondadas – ficou vermelho enquanto ela se debatia entre dizer a verdade ou escondê-la. Por fim, resmungou alguma coisa sobre ter se esquecido de tirar o caderno da bolsa – como se a bolsa de caça onde levava seus talismãs e a faca de metal herdada do avô devesse conter aquele monte de folhas de papel, costuradas numa capa de couro, em que ela rabiscava sempre que tinha um momento livre. Às vezes fazia desenhos, como as outras crianças da tribo, mas geralmente escrevia, como aprendera com Maryan, uma das elfas de cabelos brilhantes que viviam na aldeia junto à Floresta dos Teixos. Tinham chegado pouco antes de Kyara regressar de sua própria aventura no Mundo Lá Fora -- uma aventura que durara quase trinta anos e da qual, além de lembranças, restara apenas a neta ainda bebê.
Anna era um fruto da violência, mas também era a filha de sua filha, um tesouro único e precioso, pelo qual valia a pena lutar. Foi por isso que Kyara voltou para junto da tribo: não só estaria longe dos homens, de sua injustiça e guerras sem sentido, mas tornaria a viver com sua gente, tirando seu sustento da floresta e protegida pelos Espíritos Guardiões. E estava dando tudo certo, inclusive em relação a Anna – mas, ainda assim, aquele entusiasmo da neta pelo Mundo Lá Fora a vinha preocupando. Seus devaneios também, pois só seriam admissíveis num futuro xamã, e a menina não iria trilhar esse caminho. Zendak fora claro quanto a isso, embora, para variar, tudo o mais que tinha dito fosse confuso e quase enigmático.
-- Há vários mundos em que ela pode viver – dissera ele. – Mas, para ser feliz em qualquer um deles, vai ter que encontrar as trilhas secretas. Para gente como Anna, os caminhos mais comuns são os mais difíceis de seguir.
Kyara se lembrava daquela conversa enquanto as duas se aproximavam da cabana. Era a mesma onde ela vivera quando criança, formada em parte pelo tronco oco de uma árvore, esculpido e alargado pelas artes de um antigo xamã, e em parte por toras de madeira encaixadas, as frestas muito bem vedadas com resina. Alguns membros da tribo preferiam construir suas cabanas sobre os galhos, principalmente os da Casa do Corvo, mas Kyara dos Lobos sempre gostara do chão bem sólido embaixo de seus pés. Também lhe agradava estar perto de uma cascata, cujo ruído se ouvia da cabana. Era um bom lugar, o da sua infância. Bem diferente da choupana escura, com o teto de colmo e a lareira enfumaçada, onde vivera com Raymond e a primeira Anna.
Aquela que não lhe enchia os ouvidos de perguntas.
-- Avó, e você, o que vai fazer enquanto formos colher bagas? – A menina mastigava uma tira de carne seca, antecipando-se ao almoço de pato cozido com legumes. – Já temos flechas que cheguem, não há peles para tratar... Não quer ir com a gente?
-- Eu? O que eu iria fazer na floresta com um bando de crianças barulhentas? – resmungou Kyara, no fundo satisfeita com o convite. – Vão vocês, eu fico por aqui. Talvez faça umas visitas ou dê uma volta por perto.
-- Pode ir de novo à clareira, ver se os laços pegaram algum animal – Anna sugeriu. – Ou se o cervo passou por lá voltando da nascente. Foi seguindo o rastro de um cervo que você encontrou meu avô, não foi? E uma cabana, onde ele entrou para se abrigar da neve?
-- Foi. Já não contei essa história?
-- E será que a cabana ainda está lá? Os restos dela, pelo menos – insistiu a menina. – Talvez a lareira onde Raymond estava assando peixe. Você ficou assustada quando topou com ele?
-- Claro que não. Eu tinha meu arco, e ele estava indefeso, tinha tirado até a roupa para secar no fogo. Fiquei foi curiosa. Eu sabia a respeito dos homens, mas nunca tinha visto um.
-- E você achou meu avô bonito – Anna sorriu de um jeito maroto. – Ficou tão apaixonada que foi embora com ele.
-- Não fui embora nesse dia. Fiquei com ele um quarto de lua, tentando ensiná-lo a rastrear e caçar, porque ele ia trabalhar para um homem rico e o trabalho seria esse.
-- E ele aprendeu?
-- No início, não. Só depois que fomos viver lá. Quantas vezes você vai querer ouvir a mesma coisa?
-- É que eu escuto diferente a cada vez – disse a menina.
Kyara franziu o cenho, sem entender. Então, Anna tomou fôlego, assumindo um ar quase solene ao tentar explicar.

(continua...) 

Parte 2.

Para quem gostou da Anna criança, sugiro o livro Anna e a Trilha Secreta, onde ela encontra os Espíritos Guardiões da Tribo.

Aqui no blog do Castelo vocês encontram informações e um belo desenho dos avós Kyara e Raymond.

Saibam mais sobre o projeto Contos Fantásticos de Avós Extraordinários.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Cyprien de Pwilrie


Rrrrrespeitável Público!

Depois de tantas histórias sobre magos e Magia, chegou a vez de falarmos de um artista. Aliás, um "senhor artista": Cyprien de Pwilrie, o mais famoso saltimbanco de Athelgard, autoproclamado "Mestre das Sete Artes".

Cyprien pertence a um arco de histórias diferente do que é protagonizado por Anna e Kieran, mas seus caminhos se encontram em alguns momentos. Tomas, o mestre de fantoches da Ala Violeta, é um velho amigo de Cyprien, e os dois se correspondem com regularidade, combinando inclusive um reencontro que se dará alguns anos após os acontecimentos narrados na trilogia já publicada (vai ter conto narrando como foi!). Além disso, Kieran e Cyprien têm um amigo em comum, o Stávro, que aparece em Pão e Arte - livro protagonizado por Cyprien e seu aprendiz Zemel, publicado em 2012 pela Escrita Fina (hoje Zit) - e também no segundo livro da série do Castelo, A Ilha dos Ossos.

Cyprien aparece também na novela O Jogo do Equilíbrio, que se se passa num momento complicado de sua vida. Viúvo, com um filho pequeno, uma mulher exigente e ciumenta e muitas dívidas, ele terá, literalmente, que fazer malabarismo para dar conta de todos esses problemas e ainda se livrar de um rival.

A história que começaremos a contar aqui, a partir do próximo post (ainda esta semana), mostra nosso herói na juventude, quando o saltimbanco, pouco mais que um aprendiz, começava a despontar como um futuro guerreiro na causa pelos direitos de seu povo. Espero que vocês gostem!

Para saber mais sobre a construção do personagem, clique aqui.

Ilustração de Cyprien por Angela Takagui.

domingo, 14 de agosto de 2016

Karel, o Insaciável


Karel Vannovich, chamado O Insaciável, é um dos personagens secundários de "A Ilha dos Ossos", com o qual Kieran se defronta nos subterrâneos do Castelo Vannovich, em Brandannen. Sua história não é completamente desvendada, o mago faz apenas uma suposição sobre como ele foi parar lá -- mas no conto "A Voz do Sangue" ficamos sabendo, com detalhes, tudo a respeito de Karel e da maldição que paira sobre sua família.

Esse conto traz como protagonistas o cauteloso Preste Ivan de Brandannen e o misterioso Maxim, membro da Ordem da Rosa -- um braço do Templo, parte secular, parte místico, que se dedica a combater o Mal em suas formas mais sutis. Juntos, eles entram no castelo pertencente aos senhores da cidade -- a família Vannovich, de humor e ancestralidade sombrios -- e lá se deparam com o que poderia ser descrito como uma cena de pesadelo>

Ivan contou treze, homens e mulheres de várias idades, o mais novo um adolescente com uma penugem sobre o lábio. Estavam atemorizados, mas mesmo assim faziam o que lhes tinha sido ordenado, detendo-se, cada um à sua vez, diante de um guarda que segurava uma grande taça de ouro. Um homem de armas desnudava seu braço esquerdo, prendendo-o firmemente pelo pulso e cotovelo enquanto outro, munido de uma faca curva, fazia um fundo corte no antebraço. O sangue escorria, e o braço era apertado e torcido até que uma boa quantidade houvesse sido recolhida na taça. Gritar era proibido, mas quase todos deixavam escapar gemidos que torturavam os ouvidos e o coração do Preste.

O maestro dessa orquestra de horrores é justamente Karel, que os dois enfrentarão de forma eficaz, mas não definitiva. Afinal, sabemos que ele reaparece em "A Ilha dos Ossos", e esse novo confronto tem consequências que se fazem sentir, também, em "A Fonte Âmbar". Assim, o Insaciável é um personagem bastante relevante para a trilogia, e até para a própria Athelgard, principalmente se levarmos em conta a história do clã Vannovich, um dos maiores do Oeste, com sua origem imersa em brumas e em lendas que falam de bebedores de sangue.

Esta, a de Karel, vocês conferem aqui.

Espero que gostem e peçam mais!

*****

Desenho de Karel por Cristiano Konno, que fez várias resenhas sobre Athelgard em seu blog e escreveu uma bela história nesse universo, a qual em breve esperamos disponibilizar.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A Fonte Âmbar : prólogo do livro 3


     -- Mestre, o senhor comeu tão pouco quanto um pássaro -- diz Gurion, olhando para a travessa quase intocada. Isso é o que ele vem repetindo todos os dias ao longo dos últimos anos. Respondo que estou satisfeito e ele não retruca, mas franze o cenho ao sair, e não o faz sem antes se assegurar de que haja bastante lenha em minha lareira. E nisso tem razão, pois é outono, as noites são cada vez mais longas e frias e eu escolhi passá-las sozinho.
     Quando os passos na escada deixam de ser ouvidos, levanto-me e vou até a janela. Dali vejo uma torre da Ala Verde, o jardim de ervas curativas de Sophia e, logo abaixo, meu próprio jardim, com sua fonte, sua estátua e as flores que guardam a memória de Theoddor. Passei a tarde ali com Padraig, meu aprendiz, e meditamos juntos, mas não lhe contei sobre as intuições que venho tendo nos últimos tempos. Também não falei disso aos mestres da Escola. Não quero que eles se aflijam ou, pior, que tomem decisões precipitadas. Por outro lado, sei que virão até mim, mais cedo ou mais tarde, em busca de orientação, e como Mentor desta comunidade é meu dever ajudá-los. E o farei, a partir de agora, ainda que o primeiro passo transcorra em segredo.
     Deixando aberta uma fresta da janela, arrasto minha pesada cadeira de carvalho e a posiciono em frente à lareira. Retiro, então, de meu armário um vidro contendo óleo de cipreste e derramo algumas gotas sobre as chamas. Elas reagem com estalos e se contorcem, suas sombras se alongando sobre as paredes. Respiro fundo, exalando em curtos intervalos, sento-me diante do fogo e me concentro em sua dança, à espera de que me revele o mapa de um provável futuro.
     E, pouco a pouco, ele começa a se desenhar. Não são imagens claras, apenas padrões, linhas e símbolos que um século de Magia me ensinou a ler. A primeira coisa que vejo é uma revoada de asas e bicos selvagens, e compreendo tratar-se de águias guerreiras, com o que não posso evitar uma ponta de angústia. O que vem depois traz visões ainda mais duras -- lanças, flechas, homens marchando e caindo em fileiras cerradas –, mas ao redor desse quadro explodem pequeninas fagulhas, e nelas vejo coisas boas, ainda que apareçam e desapareçam no espaço de um piscar de olhos. Água límpida, espigas de trigo, uma mulher que segura um vaso, inclinando-o para dar de beber a um soldado. Vejo a esperança em seus olhos, o sorriso, depois os lábios que se entreabrem num sussurro, falando, encorajando... buscando trazer de volta...
     As chamas se avivam de repente, engolfando as pequenas cintilações. O brilho súbito me faz perder a concentração, mas a última imagem que vi se fixou em minha mente, e não preciso refletir para saber de quem se trata. É o que eu já esperava, e é tudo parte de um ciclo que se iniciou há vários anos, quando minha amiga Maryan me encaminhou o livro de histórias escritas por sua aprendiz. Ou talvez mesmo antes, quando um rapaz de cabelos longos e vontade inquebrável optou pelo caminho mais claro numa encruzilhada. O que vi no fogo me leva a crer que eles terão de fazer novas escolhas, e no caminho haverá muitas sombras. Quero ajudá-los, mas não posso impedir que as coisas sigam seu fluxo, assim como não posso ter certeza de que tudo dará certo. Só resta confiar.
     A angústia se dissipa à medida que acalmo minha mente, mas o esforço me deixa exausto. Ergo as mãos, contemplando-as à luz do fogo, mãos claras e lisas que não traem minha idade ou meu cansaço. O sangue dos elfos brilhantes em minhas veias mantém meu corpo preservado, pelo que sou grato, pois sei o que é a velhice e o que ela faz aos homens. Fui eu que fechei os olhos de Theoddor, meu grande amigo, que não viveu sequer a metade dos meus anos; fui eu que, em seu leito de morte, segurei a mão trêmula e enrugada de meu avô. E, como todos os mestiços, não sei o que esperar no inverno da minha vida, a não ser pelas visões de um futuro que ainda pode vir a sofrer mudanças.
     Queria que o tempo de espera passasse rápido. Pareço jovem, mas minha alma é velha, e sinto cada vez mais frio. Se ao menos fosse verão...!
     Mas não. As nuvens são cinzentas como chumbo no céu de Vrindavahn. Às vezes eu gostaria de não saber ler os sinais.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A Ilha dos Ossos: prólogo do livro 2


     No equinócio de outono eu me tornei o mais feliz dos homens.
     Eu me lembro dos ritos, realizados na floresta. Entardecia quando fomos escoltados até a clareira, Anna pelas mulheres, eu pelos homens do Castelo das Águias, que, segundo a tradição, iam tentando nos convencer a voltar atrás. À minha prometida disseram que eu era mau, que era rude e que só me importava com o trabalho mágico. Isso a fez rir, embora pelo menos uma dessas coisas fosse verdade. Já eu ouvi todo tipo de asneira e não achei graça, a não ser em um momento: quando Algias, o matemático, afirmou que Anna falava demais e eu nunca voltaria a ter um instante de silêncio. Foi a única advertência sensata.
     Nesse momento eu já estava diante de Camdell, o Mentor da Escola de Artes Mágicas, que usava o traje vermelho de oficiante. Anna chegou quase ao mesmo tempo. Ainda ria das últimas brincadeiras, mas seus olhos brilharam como estrelas assim que ela me viu. Avancei e ia pegar sua mão quando Urien, o mestre de Música, bradou às minhas costas:
     -- Ela é boa demais para você, Kieran!
     A frase soou alta e límpida em meio à clareira. Indignado, cheguei a cerrar os punhos, mas logo vi que não havia como reagir. Fazia parte do jogo – e já que era assim respirei fundo, ignorei Urien e sua provocação e me voltei para receber a mulher com quem sonhara durante tantos anos.
     A cerimônia foi rápida e simples. Trocamos votos, depois anéis, que eu gravara com um padrão de folha de teixo. Camdell atou o laço em volta de nossas mãos e nos fez comer do mesmo pedaço de pão de fruta, e, enquanto eu ainda lutava para engolir o bocado seco, anunciou que estávamos unidos pelo prazo de um ano e um dia. Então, a festa de verdade pôde começar. Havia música, que não cessou um só instante, comida e bebida suficiente para que todos ficassem alegres. Eu também, a ponto de dançar ao redor do fogo com os aprendizes. Encorajados, alguns rapazes fizeram piadas sobre as noites atarefadas que eu teria a partir de agora, e eu ri, porque, embora fossem uns moleques cheios de vento e de vinho, dessa vez eles tinham razão.
     À luz das fogueiras, as moças continuavam a dançar. Anna estava entre elas e fiquei a observá-la, meu sangue cada vez mais quente até que parei de resistir e a tirei do círculo. Sem olhar para trás, voltamos à nossa torre no Castelo das Águias e fizemos amor ouvindo ao longe os ecos da festa. Lembro-me do que dissemos um ao outro, de todas as promessas, e acima de tudo me lembro de ter pensado que a tradição nos levara a tomar uma precaução inútil. Devíamos ter proferido os votos definitivos, pois nada poderia nos separar, nem ao longo de um ano e um dia nem pelo resto de nossas vidas.
     Era o que eu acreditava naquela noite. E continuei a acreditar enquanto o outono avançava, seguido pelo inverno, com dias cada vez mais frios e noites de tempestade.
      Agora, diante da janela, eu contemplava a tarde de primavera enquanto apertava a carta em minha mão. O vento já tentara arrancá-la, e eu mesmo, por um momento, brincara com a ideia de abrir os dedos e deixar que aquelas palavras voassem para longe. Mas não podia. Tinha que enfrentá-las como o que eram, por mais que isso me custasse, e eu sabia que custaria caro. Ao mesmo tempo, sabia que iria até o fim, e essa certeza me tornava mais forte.
      Pensando bem, eu já não tinha quase nada a perder.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O Castelo das Águias: prólogo do livro 1

     

      Elfos e homens dizem que os bardos têm sorte.
     Sempre pensei que isso incluísse os mestres de sagas, mas agora tudo levava a crer que não. Meus amigos estavam longe, cada qual entregue à sua própria batalha; meu arco se encontrava fora de alcance. Quanto a mim, o que podia ser pior do que estar à mercê do inimigo?
     Movimentei os músculos doloridos de minhas pernas. O encanto que me deixara sem ação tinha perdido o efeito, mas eu duvidava que pudesse correr. De qualquer forma, seria uma presa fácil para as águias.
    As três continuavam pousadas sobre as rochas, acima de minha cabeça. A transformação as convertera em criaturas monstruosas, com penas como lâminas de metal e garras retorcidas que se cravavam às pedras. Nem por sonho se pareciam com as aves que eu conhecera no Castelo. Mesmo assim, eu sabia que bem no fundo ainda eram as nossas águias douradas, por isso acalentava a esperança de passar por elas sem que me atacassem. Se eu avançasse, com cuidado, um passo por vez...
     Um grito soou acima de mim, fazendo minha espinha gelar. Encolhi-me, apavorada, quando uma ave se inclinou em minha direção. Seus olhos reluziam como fogo, e o bico era uma lança de osso, pontiaguda e letal.
     — Isto, minha cara, foi um aviso. – A voz suave, odiosa, do meu captor. – Sei o que está pensando e recomendo que não faça. Não seria bom para a sua saúde.
     Encarei-o, medo e ódio como um nó crescendo dentro do peito. Ele estava de pé, as bordas do manto elegante esvoaçando ao vento, o bastão de poder numa das mãos enquanto a outra repousava sobre o ombro de Lara. Seu cúmplice caminhava de um lado para o outro, os olhos apertados tentando ver na escuridão da floresta.
     — Está demorando – reclamou. – Quando virão? Não temos a noite inteira.
    — Logo – prometeu o outro. – Assim que se livrarem daqueles garotos estúpidos. E, é claro, se depois quiserem um pouco de carne fresca, não há por que impedi-las.
     Sorriu, antecipando o horror em minha expressão, mas dessa vez não lhe dei o prazer. De onde eu vinha, as pessoas que morriam eram deixadas ao relento, num lugar sagrado, e sua carne era comida pelos lobos e outros animais da floresta. Aquela insinuação não acrescentava nada aos meus receios. O que eu temia era o que vinha antes: a dilaceração, a morte lenta sob as garras e bicos impiedosos. Nesse exato momento, isso podia estar acontecendo a meus amigos. Talvez até a ele, se de repente se visse sozinho diante daqueles seres de pesadelo. Era um pensamento horrível, e tentei afastá-lo antes que meu captor o percebesse.
      Só que ele foi mais rápido.
     — Quem diria! A pequena selvagem, temendo por seu amado – disse, torcendo a boca. – Espero que tenham tido uma boa noite de despedida. Você não vai vê-lo de novo.
     — Eu vou vê-lo acabar com você – repliquei, entre dentes. Ele fechou a cara, afrontado, depois ergueu o bastão de poder e o girou entre os dedos. Na mesma hora, uma força invisível me agarrou com violência pela cintura, fazendo-me rodopiar sobre mim mesma antes de me arremessar de costas no chão.
      — Não me provoque, ou as águias vão ter seu banquete mais cedo – avisou o mago. Seu rosto era uma máscara de frieza e crueldade. Fechei os olhos para afastar sua imagem de minha mente, mas tive que abri-los ao ouvir um gemido de Lara. Ele aproximara os lábios de seu ouvido e estava sussurrando, fazendo-a se contorcer em agonia. Odiei-me por não ser capaz de ajudá-la. Felizmente, aquilo durou pouco: apenas alguns momentos antes que o grito rouco e distorcido de uma das criaturas cortasse o céu. Parecia mais próximo, e os cúmplices trocaram um olhar de triunfo. Em pouco tempo, um exército de monstros estaria ali.
     Respirei fundo, procurando um fio de esperança ao qual me agarrar, mas os gritos se repetiram, ferindo meus ouvidos e ecoando dentro de minha cabeça No fim, só consegui me encolher, antecipando para qualquer momento o ataque das garras, enquanto em minha mente duas perguntas giravam feito um redemoinho. Como eu tinha ido parar ali?
       E, em nome do Grande Espírito - como aquilo ia acabar?

quarta-feira, 23 de março de 2016

Stávro, o Andarilho do Oeste



Pessoas Queridas,

Vocês já devem ter percebido que alguns de meus personagens aparecem em várias histórias. Magos, bardos, xamãs, navegantes e guerreiros estão sempre se cruzando pelos caminhos de Athelgard.

Pois esse cara aí de cima apareceu em vários contos inéditos do Cyprien (embora não em O Jogo do Equilíbrio, já publicado) e no infantojuvenil Pão e Arte, também ao lado do marioneteiro e de seu aprendiz Zemel, antes de surgir cantando com voz fanhosa numa taverna do Oeste. Lá ele esbarrou com ninguém menos que nosso simpático Kieran de Scyllix, com quem trilhou parte da jornada narrada em A Ilha dos Ossos.

A história pregressa de Stávro Dryszyk foi narrada por ele mesmo a Zemel num conto ainda inédito (leia-se: escrito no início dos tempos e necessitado de revisão), mas, para resumir, ele se considera um homem com uma missão: busca resgatar a espada perdida pelo seu clã numa guerra que determinou quem são os ricos e os pobres do Oeste de Athelgard. Para isso abandonou uma vida estável e até confortável como carpinteiro naval e se tornou um andarilho, que ganha a vida como saltimbanco, durante parte do ano, e trabalha em fazendas durante o inverno. Imprevisível, falastrão e pouco amigo de banhos, que na sua opinião só servem para "gastar o corpo", ele pode ser uma pessoa meio desconcertante, mas, apesar de sua aparência e comportamento meio bizarros, mais de uma vez demonstrou que tem fibra e é um companheiro leal.

Espero que vocês gostem de conhecê-lo!

*****

A ilustração deste post foi feita pelo talentoso Vilson Gonçalves, autor da série baseada em mitos americanos Quatrocantos e cujos trabalhos como artista plástico podem ser conferidos na página Tio Virso - Ilustrações.

Por conta de mudanças na editora Escrita Fina, Pão e Arte, por enquanto, só pode ser adquirido por compra direta. Escrevam para mim se quiserem adquirir um exemplar!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Anna, da Trilha Secreta: Fanart de Laisa Couto



Orgulho define... Eis a homenagem da artista plástica e autora da série Lagoena, Laísa Couto, à Anna de Bryke, tal como ela aparece em "Anna e a Trilha Secreta".




E, abaixo, a imagem ao lado da capa do livro e dos lápis de cor utilizados no trabalho. Laisa, querida, muito obrigada pelo seu carinho!!



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Anna e Coroa de Flores


Fanart de Atlas Moniz mostrando Anna de Bryke com uma coroa de flores. Foi assim que ela se casou. :)

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Apresentando Yukiko e os Sete Ninjas




Pessoas Queridas,

Hoje começa o segundo final de semana da Anime Friends, e a Editora Draco lá estará com todo o seu catálogo, inclusive Excalibur e os livros de Athelgard. Mas os personagens que eu quero apresentar hoje são muito diferentes: os protagonistas do meu conto na coletânea "Samurais x Ninjas", que está sendo lançada pela Draco no evento, juntamente com "Kaiju" e "Boy´s Love 2".

O conto é uma releitura bem-humorada do conhecido conto de fadas "Branca de Neve" em que os Sete Anões são substituídos por um honrado bando de ninjas: Taro, Oni, Genji, Sakura, Juchin, Kagano e Gyoza. Todos protegem a doce Yukiko da sua malvada madrasta, Madame Tempura, uma envelhecida diva do Kabuki.

Para saber mais sobre o conto, clique aqui. Para encomendar o livro, caso não vá ao Anime Friends, entre em contato com a Editora Draco!

sábado, 4 de julho de 2015

Fanart de Aquecer o Coração


Ontem à noite recebi mais uma fanart da querida Isabela Lopes. Compartilho-a, seguida de suas palavras gentis!



Ana Lúcia Merege, brilho das estrelas de Athelgard, das relvas doces e amáveis, das palavras que descem da cachoeira e navegam na misteriosa Ilha dos Ossos, de mente admirável, mãos habilidosas, que nos alimenta com palavras sedentas de Pão e Arte. Emergindo e descobrindo O tesouro dos Mares Gelados, que inspira e compartilha o saber que é o amar.

Não tem como ficar mais feliz com tanto carinho...

Obrigada, Isabela! E obrigada a vocês também, amigos e leitores. Por mais que a gente ame o ofício, às vezes dá vontade de desistir de tudo. E é muito mais fácil ir em frente sabendo que vocês estão aí à espera de ouvir nossas histórias. :)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A Criadora e as Criaturas


Pessoas Queridas,

Um dos presentes recebidos no meu aniversário foi mais essa incrível fanart desenhada pela minha leitora Isabela Lopes. Gostei demais: pelo carinho, pela simplicidade e graciosidade do traço e também por me fazer pensar um pouco sobre esses meus companheiros de jornada. Isso porque, quando escrevemos - e principalmente quando escrevemos séries - os personagens de nossas histórias tendem a nos acompanhar a todos os lugares, e se fazem presentes quando menos esperamos.

Vejam o caso da minha última viagem. As Terras Férteis de Athelgard têm, é claro, alguma inspiração no mundo clássico, da qual eu espero falar em posts futuros, mas o cenário lembra mais a Europa medieval. Com toda a minha experiência (escrevo há mais de trinta anos, pessoas!) eu não achava que os sítios arqueológicos, os monumentos e os bosques pelos quais andei iriam evocar os moradores do Castelo das Águias. No entanto, bastou eu começar a subir a montanha em Santorini para imaginá-la como os montes escarpados de Scyllix, onde Kieran subia em busca de ninhos de águia; bastou ouvir a guia falar sobre a militarizada civilização de Micenas para eu pensar nos meus exércitos de homens e elfos; bastou andar entre os ciprestes em Olímpia para me encontrar caçando com a tribo de Anna. Quanto aos ícones e livros sacros em Meteora... quantas imagens para associar aos contos da minha Mestra de Sagas!

Assim, mesmo não tendo escrito uma linha de ficção e tentado aproveitar ao máximo a viagem, as experiências, a companhia de minha família, a verdade é esta: Anna e Kieran estavam lá comigo. E estarão, dentro de uns dias, nas cachoeiras de Visconde de Mauá, última viagem antes de engrenar de verdade nos trabalhos de 2015. Ainda tenho algumas coisas para aprontar, mas a partir de meados de março ou início de abril começo a escrever o terceiro livro da saga, que tem o nome provisório de A Fonte Âmbar. E, ao longo de todo o processo, sem que isso retire de maneira alguma a importância das pessoas da chamada vida real, sei que terei ao meu lado toda uma companhia encabeçada por esses dois.

Mal posso esperar. :)

.....

Até a próxima!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

István e Mirko. Quem? Ah, sim, o Bagre e o Caveira!



Pessoas Queridas,

O glossário de personagens de "A Ilha dos Ossos" ainda não foi concluído, mas eu não podia deixar de compartilhar essa arte enviada pela querida leitora Isabela Lopes, que já nos brindou com outras do Lear e com uma deliciosa fanfic!

István e Mirko são dois gêmeos que fazem parte da tripulação pirata aquartelada na Ilha dos Ossos. Ambos têm cerca de vinte anos, são loiros, magrinhos e risonhos. O que os distingue é que István tem os olhos saltados, enquanto os de Mirko são fundos; isso lhes valeu os apelidos de Bagre e Caveira, que todos utilizam, embora eles mesmos chamem um ao outro pelos nomes verdadeiros.

Os dois rapazes têm mente infantil, o que faz Kieran defini-los como "garotos brincando de piratas". Ambos são muito devotados ao capitão Nestorian, que, por sua vez, os trata quase como filhos. Apesar da associação com o pirata, no entanto, é fácil simpatizar com eles, e os leitores de "A Ilha dos Ossos" provam que tenho razão: dentre todos os personagens apresentados neste segundo livro, o Bagre e o Caveira vêm aparecendo como os mais apreciados.

Não vou dar spoiler - mas, se vocês lerem, aposto que vão gostar bastante dos dois! :)

Até a próxima!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Lear e Rosado : Fanart de Isabela Lopes

E como se não bastasse ter escrito a fanfic vencedora do nosso concurso, a Isabela Lopes ainda fez uma ilustração muito fofa, que intitulou "Lear sendo infinito com seu amigo Rosado".



Não sei nem dizer o quanto fico feliz com esse carinho por parte de uma leitora. Aliás, uma só não. Duas, porque a Rafaela, irmã da Isabela, também está acompanhando o blog e mergulhando no universo de Athelgard!

Obrigado, meninas!

Obrigada a todos vocês!

terça-feira, 6 de maio de 2014

O Javali: um conto de Lear Encanta-Dragões (Final)


      - Mestre Kieran! O se-senhor? – gaguejou Erdon, sentindo o chão se abrir sob seus pés. – Não queríamos... quer dizer, bom, o Razek afinal seguiu outro caminho...
       - Razek...? – As sobrancelhas do mestre se uniram sobre os olhos. – O que aprontaram com ele desta vez?
       - Nada! – Lear se apressou a dizer, mas o próprio afobamento deixou claro que não era verdade. Kieran o encarou com aqueles olhos estreitos e cruzou os braços, e Erdon engoliu em seco, à espera de uma catástrofe... que não veio, substituída pelo inesperado ruído de alguém a correr desabaladamente pela trilha do lado oposto ao do bosque.
       Na mesma hora, o instinto de proteção fez os quatro garotos avançarem para perto do mestre, e até mesmo Erdon deu um ou dois passos em sua direção. Lear, o único dentre todos a ter um bastão de poder, o empunhou com energia, pronto a tecer algum encanto que protegesse o grupo, enquanto Kieran se limitava a respirar fundo e esperar. E apesar do que o trouxera até ali, apesar de todo o seu poder, nem mesmo ele estava preparado para ver a moça que, momentos depois, surgiu no início da trilha, o rosto afogueado, os olhos cheios de susto e a voz entrecortada pela falta de fôlego.
      - Um javali! E está enfurecido, tenham cuidado! – gritou ela, correndo para Kieran. O mago piscou, aturdido, e ia replicar quando, emergindo subitamente por entre arbustos, o javali irrompeu na clareira, urrando feito um demônio enquanto investia mais uma vez sobre Anna de Bryke.
     Então, tudo aconteceu muito rápido. Os meninos gritaram, agarrando-se uns aos outros e tentando sair do caminho; Erdon se voltou para Lear, que já brandia o bastão e gritava desfazendo o encanto; Kieran girou sob os pés, protegendo Anna com o corpo e proferindo sua própria fórmula mágica – e o javali desapareceu diante daqueles oito pares de olhos. Em seu lugar restava apenas um porco, ainda assim perigoso, enlouquecido com uma dor que ficou visível tão logo a ilusão se desfez.
      - O focinho dele está preto! – gemeu Lohan, tentando se proteger atrás dos colegas mais altos. – O que é aquilo?
      - Ferrões de abelha! – Erdon respondeu, sua voz abafada pelas frases enérgicas de Lear e Kieran. Se ambos trabalharam no mesmo sentido ou de formas complementares foi impossível saber, mas, para alívio de todos, o porco se aquietou após uns poucos instantes, deixando de perseguir a Mestra de Sagas para se quedar, imóvel e como que estupefato, diante do agitado grupo de meninos. Em seguida, como se aquilo houvesse sido demais para ele, deitou-se e começou a roncar; e foi então que Erdon voltou a engolir em seco, sabendo o que viria a seguir por parte de Kieran.
      - Certo. – A voz do mago era contida; quase sempre começava assim. – Alguém usou ilusionismo, depois criou um elo entre sua mente e a desse porco e o mandou para uma trilha onde ele foi atacado por abelhas, o que, é claro, o deixou furioso. Até aí eu entendi. Quem pode me explicar o resto?
       - Nós... – começou Lear.
      - Eu explico – disse Gareth, inesperadamente. – Mestre Kieran, isso era para ser uma brincadeira com Razek. Nós achamos que ele estava neste bosque porque vimos a pegada de mocassim...
      - Que era o da Mestra Anna! – exclamou Lohan, dando um passo à frente e apontando para os pés da moça. – Eu disse que a pegada era pequena para ser do Razek!
      - Mas nós achamos que era – tornou Gareth. - E o javali, que na verdade era o porco, devia seguir a pessoa que fez a pegada, portanto seguiria o Razek, e nós devíamos ver como ele se sairia através da projeção de pensamento do Lear.
      - Mas não queríamos que ele se machucasse nem nada, era só para rir um pouco – disse o Ruivo, e o Encanta-Dragões lançou ao menino um olhar de agradecimento. – Aí descobrimos que o Razek estava em outra parte da floresta, mas não vimos quem estava por aqui, pois o Lear se confundiu com a energia de outro mago. Com certeza foi a do senhor, não foi? Usando um encanto para encontrar Mestra Anna?
      - Eu... – Kieran pareceu querer dizer algo, mas parou ao ver a expressão de sua prometida. Ela se refizera do susto e agora o olhava meio perplexa, meio contrariada.
      - Você não disse que tinha trabalho a fazer? Por que veio atrás de mim? – perguntou, num tom que eles jamais tinham visto alguém usar com Mestre Kieran. – Se eu não achasse o Rydel para terminar o passeio, poderia voltar sozinha. Sei muito bem como me orientar na floresta!
      - Sim, mas a questão não é só essa. Veja o que aconteceu! – Kieran olhou em torno, achando numa só mirada um argumento e pessoas mais culpadas que ele. – O que essa brincadeira estúpida poderia ter causado? Respondam!
     - Não era para ela, mestre. Era para o Razek, ele provavelmente ia perceber tudo. Ninguém sabia que Mestra Anna estava aqui – defendeu-se Lear. – Nem jamais poderíamos imaginar que o porco seria picado de abelhas.
      - E além disso era só um porco – ajuntou Conan. – Não era um javali de verdade. Claro que ela não sabia, por isso ficou assustada, mas um porco não poderia...
      - Ah, não poderia? – interrompeu o mago, ainda contendo a raiva. – Algum de vocês, moleques, por acaso cresceu no campo? Sabem o estrago que um porco furioso é capaz de fazer?
        Sem esperar resposta, ele abriu o cinto, que caiu no chão sem ruído enquanto Kieran erguia a túnica e a camisa. Então, virou-se de lado, expondo o torso entre a cintura e as costelas, e sete rostos se franziram com pena e uma espécie de horror ao ver a feia cicatriz que repuxava a pele do mestre.
    - Nem cinco anos eu tinha. Por sorte era um porco menor e consegui escapar antes que me arrancasse um pedaço – disse ele, por entre murmúrios consternados. – Mas o porco que me mordeu estava preso num chiqueiro. Não estava enlouquecido por ferroadas. E, claro... Não tinha sido influenciado por um bando de fedelhos, liderados por dois inconsequentes que já deviam ter sido chutados da Escola. Não é mesmo, Erdon? Lear?
      - Não, mestre. Quer dizer, sim, fomos inconsequentes – atrapalhou-se o Encanta-Dragões. – Mas não quisemos fazer mal a ninguém, e o senhor sabe disso. Nem a Razek, nem aos que estão com ele, e muito menos a Mestra Anna. Espero que ela nos perdoe pelo mal-entendido.
     - Pedimos mil desculpas – ajuntou Erdon. Estava sendo sincero – jamais teria querido causar transtorno à Mestra de Sagas, e Kieran os confrontara com a possibilidade real de algo pior que um simples susto –, mas a ideia de que poderiam ser expulsos da Escola eram o que o fazia suar frio. Lear, com seu talento inato, conseguiria com facilidade um mestre que o orientasse, mas Erdon não teria para quem se voltar, porque não havia outra Escola de Artes Mágicas nem outros magos que pensassem como Camdell. Felizmente, a rápida intervenção de Anna ao dizer que os desculpava e até rir um pouco da história - ou talvez a presença dela na vida de Kieran - tinha suavizado as disposições do mestre, e ele se contentou em resmungar mais um pouco e em afirmar que pensaria várias vezes antes de endossar a próxima iniciação dos rapazes.
      - Você também, Lear. Não pense que não sei que a ideia foi sua – rosnou, olhando torto para o Encanta-Dragões. – E como achou tão fácil criar um elo com esse porco, é você que vai tirar os ferrões, acordar o bicho e levá-lo de volta para o lugar de onde ele veio.
        - Tirar os ferrões? Mas como?
       - Não faço ideia. Há mais de vinte anos não trato de porcos, e nunca vi nenhum ficar com o focinho assim. Mas você é um sujeito esperto – Kieran bateu nas costas do aprendiz com a mão aberta, não exatamente um tapinha carinhoso. – E tem cinco bons amigos para ajudar na tarefa.
      - Nós? Mas a gente só... – Conan começou em voz alta, mas o tom diminuiu diante do olhar do mestre. – A gente só veio por causa deles.
      - Sim, vamos deixar os meninos fora disso – pediu Anna, com o braço em torno de um Gareth cabisbaixo. Lohan parecia prestes a chorar. Kieran olhou de um para o outro, depois ficou uns instantes a observar o Ruivo, que mexia nas folhas de um arbusto e afetava um ar inocente.
       - De algumas coisas se escapa por sorte... não é mesmo? – disse o mago, por fim, sem deixar de olhá-lo. – Tudo bem, vamos deixar passar, mas só desta vez. Da próxima, quem for atrás de um cabeça de vento como Lear vai ser tão responsável quanto ele pelas consequências, entendido?
       - Sim, mestre! – Até os dois rapazes entraram no coro.
       - E o jogo de Mestre Rydel? – lembrou Gareth, de repente. – Será que ainda teríamos como achar o que ele pediu?
       - Não podemos andar na floresta sozinhos. – Conan se voltou para Anna, um sorriso matreiro nos lábios. – Mestra, já que está aqui, será que não podia...
       - Acompanhar vocês? Mas é claro!
     - O senhor também vai, Mestre Kieran? – indagou Lear, já agachado diante do porco que ainda dormia.
     - É o que parece – resmungou o mago. – Espero que não demore muito, pelo menos. Quanto a vocês, não tenham pressa. Retirem cada ferrão, e depois vejam se alguém lá no Castelo sabe o que fazer nesses casos. À noite, quero ver esse porco no cercado, bem alimentado e feliz.
      - Cercado? Mas lá não tem cercado nenhum – disse Erdon. – Nem chiqueiro. O homem com quem falamos não sabia onde alojar o porco.
    - É mesmo? Hum. Então é bom apressar um pouco as coisas – replicou o Mestre das Águias, juntando as mãos. – Por sorte, há bastante madeira serrada no galpão dos carpinteiros. Mas mesmo assim vocês vão ter muito trabalho pela frente.
      Um canto de sua boca se ergueu devagar, desenhando o Sorriso do Mal de que Tarja sempre falava. Erdon estremeceu e olhou para Lear, esperando vê-lo igualmente intimidado, talvez contrariado com o que acabara de ouvir. No entanto, para sua surpresa, Lear estava sorrindo – e o faria várias vezes ao longo da tarde, enquanto os dois arrancavam ferrões de abelha, puxavam e empurravam o porco pela floresta até o Castelo e pregavam tábuas para construir um pequeno cercado.
       - No fim até que valeu a pena – dizia ele, sempre que o amigo resmungava pelo Dia de Descanso jogado fora, e das primeiras vezes Erdon o mandou para um certo lugar. Lear, porém, insistiu, fazendo-o se lembrar de detalhes como a cara de inocência do Ruivo, o desconcerto de Kieran diante da zanga de Anna e o ar aparvalhado do porco; e como não havia quem resistisse a Lear quando se punha a fazer imitações, Erdon começou a achar graça também e a recordar, ele mesmo, algumas partes da história. Que não deixara de ser divertida, embora não da forma como haviam planejado... e embora o saldo final fosse de muito cansaço e algumas marteladas nos dedos.
       - E agora pensei numa coisa – comentou Lear, olhando para o porco, que comia tranquilamente de um cocho trazido do estábulo. – O dia que passamos juntos me fez criar uma certa afeição por este nosso amigo. Eu ia detestar saber que ele virou bacon ou coisa parecida, então pensei... Será que, se em vez de um porco, o empregado encontrar aqui um...
         - Lear, não comece de novo..
       - Não, sério! Fale a verdade – disse, entusiasmado, o Encanta-Dragões. – Você acha que eles teriam coragem de fazer bacon, digamos, de... de um unicórnio?
         Erdon martelou com tanta força que rachou a tábua ao meio.

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Leia a primeira parte do conto aqui.

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Sobre a ilustração, cabe contar uma pequena história. Minha talentosa amiga Gisele Bera Bizarra fez esse desenho para o blog, como um presente, e quando o vi tive a impressão de que Anna e Kieran estavam correndo de algo. Já faz mais de um ano, e desde então tenho me prometido escrever um conto em que isso acontecesse. Pensei, pensei... e aqui está o resultado. Espero que tenham curtido.

Até a próxima!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Tesouro dos Mares Gelados



O Tesouro dos Mares Gelados é uma história de aventura, mais ou menos no estilo de “A Ilha dos Ossos”, porém narrada em terceira pessoa. Seu protagonista é um dos personagens secundários mais queridos pelos leitores de “O Castelo das Águias”: o Conselheiro Thorold que Anna diz parecer “um bárbaro das Terras Geladas”.

De fato, a saga tem início nas Terras Geladas de Athelgard, uma daquelas regiões que não estão no mapa – elas se situam na porção noroeste da ilha, entre o Cabo Svaltarr e o Bosque dos Sons –, mas logo nas primeiras páginas vemos Thorold e seu irmão Karl embarcando numa jornada rumo à Ilha dos Ossos, onde talvez encontrem a cura para o mal que aflige seu tio, Sigurd Barbagris. Lá, Thorold irá se deparar com seres com os quais jamais teria sonhado, enfrentará piratas e tempestades, mas, sobretudo, passará pelo desafio de conhecer a si mesmo e fazer as escolhas certas.

A ambientação desta novela (ou conto longo, se preferirem) provavelmente irá remeter o leitor ao universo dos vikings, com seus Jarls, seus banquetes, os barcos longos tripulados por homens fortes e o espírito de conquista e aventura. E realmente o povo das Terras Geladas é inspirado nos vikings, embora eu não tenha pretendido retratá-los de forma fiel. Por sua vez, Thorold é descendente dessa raça, mas cresceu em outro lugar, pensa de outra forma – e um dos pontos de tensão nesta história é justamente o conflito entre suas ações e a maneira como seus companheiros encaram questões como a honra, a fidelidade e até o direito à vida.

Para atravessar estas águas turbulentas, nosso herói não está sozinho. Além de Karl, seu irmão mais velho (e mais teimoso), ele conta com sua tripulação – o ruivo Magni, Bjarni Bico de Corvo, Bolli o Jovem, entre outros -, e com amigos feitos de forma inesperada: o caçador Joot Pele de Foca, uma jovem fugitiva dos piratas e a xamã de uma tribo élfica. Por fim, nesta aventura os leitores de “O Castelo das Águias” irão reencontrar outra personagem muito querida, Freydis, aprendiz na Escola de Artes Mágicas .

Thorold, Freydis, Tatyana, Joot e Karl foram retratados na ilustração exclusiva de Angela Takagui para o blog do Castelo das Águias. Todos eles estão à sua espera no e-book O Tesouro dos Mares Gelados.

Espero que gostem!