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terça-feira, 25 de setembro de 2018
Fanfic de Angelina, leitora de Anna e a Trilha Secreta!
Pessoas Queridas,
Uma das coisas que mais me dão orgulho é ver meus livros lidos, amados e comentados por jovens leitores.
Este ano, pela segunda vez, "Anna e a Trilha Secreta" foi adotado pelo Colégio Salesiano Santa Rosa para o 6o ano do Ensino Fundamental, e ontem eu fui conversar com os alunos e tive a oportunidade de ler alguns textos produzidos por eles com base nos personagens da história.
(Estavam ótimos! Se vocês, alunos do Salê, chegarem a ler isso, saibam que adorei!)
Bem, como costumo fazer, disse aos alunos que poderiam enviar os textos para eu publicar no blog, mas não achei que algum deles realmente fizesse isso. Qual não foi a surpresa quando a Angelina me enviou o e-mail com seu conto caprichosamente digitado?
A professora Josilene escreveu a primeira frase, que vai em negrito, e a Angelina prosseguiu bem dentro do espírito de paz e harmonia que buscamos na tribo. Aí vai:
Fazendo as pazes
Há muito tempo, quando as árvores eram jovens, Corvo e Lobo se desentenderam...
As suas tribos brigaram, e o desentendimento foi tão sério que formou-se até uma tal de profecia: dizia essa profecia que para serem feitas as pazes, precisariam de uma menina muito corajosa, especial e inteligente, Anna.
A profecia dizia que para o Corvo e Lobo se entenderem novamente, Anna teria que conversar com Lobo, e não provocar nenhuma discórdia com batalhas.
A corajosa humana andou pela bela floresta cheia de árvores, até chegar ao destemido Lobo, e então se explicou:
-Lobo, eu acredito que seja lá qual for o motivo do desentendimento, nossas tribos não precisam batalhar, vivemos em conjunto, precisamos ajudar uns os outros.
Lobo então confiou em Anna, que pediu para ele se entender com o Corvo, assim os dois se desculparam e, finalmente e de uma vez por todas, tudo voltou ao normal.
...
Nem preciso dizer, né? Meu espírito dançou de alegria quando li, e mais ainda quando recebi o trabalho. Espero que venham outros, mas, ainda que não, fico feliz só por saber que o livro foi bem recebido, a mensagem foi ouvida e muitos esperam por novas aventuras de Anna.
Abraço grande a todos! Logo, espero, voltarei a estar com vocês!
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domingo, 26 de julho de 2015
O Voo do Imortal : Fanfic de Gabriel Ferrera
As sagas inspiram. Mas sob o brilho inebriante do sol que cortava a copa das árvores não restavam dúvidas. Elas nunca haviam inspirado tanto alguém, homem ou Herói, como agora te inspiravam. Teus passos eram desleixados, afobados. Tinhas pressa. Sim, eram aqueles os passos furtivos de um ladrão. Mas os únicos que viriam a perceber o furto estavam no casamento, e para estes já havia um fim planejado, não é mesmo?
O ar te faltava. E não só pela altitude do terreno,mas também pela altitude do ato. Breve cortarias aqueles céus... Conseguirias tua vingança tão almejada. Qualquer um daqueles tolos chamaria de extremos os teus atos, como já tinham feito antes. Tolos de mente pequena... Tu sempre buscaste a perfeição. Eras melhor que todos eles, por isso eles o rejeitavam. Escória imunda que adorava alunos imbecis como Lear de Madrath...
Pobre Dellian... Eles te machucaram tanto... Agora todos riam, como bastardos em festa que eram. No começo gostaras tanto do Castelo das Águias... Uma escola mágica de torres coloridas. Aquelas torres nunca foram tão negras para alguém como para ti. Tarefa difícil agradar aos jovens, verdade. Mas sob o frio de pedra daquelas paredes tu sentiste na pele o quanto eles podiam ser cruéis. Dellian, o estranho. Assim foste conhecido e rejeitado; mais do segundo que do primeiro.
Todo o sonho esperançoso que tiveste com o Castelo derreteu como cinzas em tua boca. Tentaste, verdade. Mas o que fazer quando não se consegue agradar a nenhum dos mestres? Mas guardavas fortemente a memória do dia em que as cores voltaram. Do dia em que o brilho do sol ganhou avidez nos corredores. Do dia em que Anna de Bryke deu sua primeira aula.
As sagas fluíram aos teus ouvidos e ao teu coração. Daquele momento em diante cada suspiro clamava por Anna. Mas os outros jovens... Ah... Malditos jovens! Foste motivo de escárnio ainda maior. Lembras ainda? Quando foste chacota: o mascote da Mestra. Cachorrinho de Sagas. Mas tu eras bom com as sagas... Nunca foras bom com qualquer outra coisa ensinada no castelo. Ainda mais se comparado a Vergena ou outros Elfos brilhantes, que eram também alunos brilhantes.
Lembras ainda do dia em que Anna de Bryke te levantou do pranto e dedicou a ti e a ninguém mais uma saga que jamais esquecerias? O coração pulsava ante aquelas memórias. Os lábios de Anna numa vibração tão doce enquanto enxugava tuas lágrimas. Memórias apenas... Já não era mais assim.
Mestra Anna fora sempre gentil e tu não te conformavas como podia estar apaixonada por um bruto como Kieran. Suspeitavas de que ele a havia enfeitiçado; bem sabias que ele era capaz disso. Mas as sagas te moviam... Mostraste melhoras no aprendizado das outras áreas, sempre ansiando o momento em que poderias ouvir Mestra Anna contar histórias como só ela sabia... Uma em particular chamou tua atenção. Uma em particular levou o brilho dos teus olhos a arder como uma chama imortal. E era apenas uma história. A história de uma fênix.
***
Na vida há duas formas de morrer: a inevitável e a que escolhemos. A primeira forma é quando nos deixamos levar pela rotina. Matamos sonhos pela "praticidade" e para agradar os outros. A segunda é definir se teremos uma morte lembrada -- pois a vida ali ceifada tem alguma importância -- ou se será apenas mais uma. Tu já morreras da primeira maneira. Estavas decidido a não deixar que a segunda te levasse. Sim, terias teus dias futuros em leito de glória, não de morte. Terias glória.
Serias imortal.
A notícia corria os corredores com sussurros que iam entremeados de pavor e curiosidade. O número de águias parecia diminuir. Mestre Kieran tinha suas suspeitas presunçosas e, ainda mais com a tensão da presença do conselho de Scyllix em Vrindavahn, ninguém suspeitaria do pobre Dellian, o estranho aluno fracassado. Mas justo naquela noite foste descuidado... Naquela noite em que estavas tão esperançoso, estavas em contrapartida, tão fadado ao fracasso...
O êxtase não permitiu que viesses a saber que Kieran estaria na floresta naquela noite... Justo naquela noite em que o encantamento fugiu do planejado e os gritos agonizantes da águia em chamas ecoaram por dentre as árvores como um silvo demoníaco. As chamas dançavam tão rápido quanto batia teu coração. E, em poucos instantes, estava armado o circo. Os alunos, horrorizados, não conseguiram impedir que Kieran te socasse com ódio profundo.
Quando foste levado de volta ao castelo, sob os urros de Kieran, fora de si, que jurava que te mataria se ousasse pôr os pés na floresta de novo, sob o ódio, sob os olhares de soslaio dos alunos, sob a atmosfera que se erguia abafando o som dos murmúrios e dos urros e de qualquer outro som, tu a viste. Ela, Anna de Bryke, tão bela como sempre. Tão bela como quando no dia em que declaraste teu amor a ela com uma saga de sua autoria... Evento este que deveria ter sido um momento mágico entre os dois e desmoronou como se os céus houvessem caído sobre teus ombros. Assim que terminaste, ouviste os risos de Lear e outros alunos... E ouviste de Anna apenas silêncio. Enquanto corrias dali, contendo a todo custo as lágrimas, deixando as folhas de pergaminho para trás...
E ali estava Anna. Por um instante o negro daqueles olhos trouxe algum conforto. Isso antes de ela perceber a situação e voltar para ti a expressão do mais profundo nojo... Anna tremia em horror com a carcaça carbonizada da águia no chão, sobre um manto velho. Kieran continuava berrando suas ameaças, agora contido pelos outros mestres. Todos pensaram que ele gritava pelas águias... Mas tu sabias que não; ao menos não somente. Depois do circular de tua declaração, Kieran te tratava como o mais sujo trapo dentre os alunos. Aquela ocasião era somente desculpa para que ele exigisse tua expulsão...
Naquele salão frio inundado de sons ininteligíveis, estavas jogado ao chão, envergonhado ante todos. As feridas na face latejavam, mas o que mais doía era a expressão de Anna. Melhor seria ter dela a apatia do que aquele olhar de repúdio... Mas o que veio logo depois tirou o teu chão. Anna de Bryke vinha em tua direção, mas não vinha para ti. Vinha confortar Kieran de Scyllix. Ela, que inspirara todos os teus feitos, agora não abriu a boca para tua defesa.
***
Teu estômago revirava como se tivesse vida própria. Sentias a cruel punhalada da mais perversa traição. Anna, que tanto te inspirava, se atirava aos braços daquele ogro, agora em casamento. Nada te feria mais mais do que ver a vil felicidade que ostentavam os dois no porto da cidade ao receberem os parentes vindos de Bryke. Mas algo chamou a tua atenção, ou a atenção de tua alma, se é que são coisas distintas. O elfo de cara tatuada. Sabias quem era. Era Zendak, o xamã.
Uma voz corroía agora teus pensamentos. Uma voz mais tenaz que todas as outras que gritavam durante teu sono. A voz guiava teu olhar para a sacola de talismãs. Sim... Ali havia de estar. O talismã do qual Anna, aquela maldita bastarda, tanto falara. A pluma de uma fênix. Não uma como as outras, mas a pluma de uma fênix perversa que emanava poder assim como fogo. Uma ave de olhos amarelos e consciência negra. Aquela seria a peça final de teus planos. Com ela, tu concretizarias tudo o que sonhaste. Ainda querias ver a expressão de Anna ante tudo. Mas não mais almejavas ver um sorriso rosado naquele rosto. O sorriso brotava no teu rosto ao imaginar, no dela, dor, agonia e sofrimento.
Roubar o talismã de Zendak não fora tarefa difícil. O castelo estava quieto e tu entraste e saíste como mais um aluno. A pluma alaranjada com traços enegrecidos borbulhou energia em tuas mãos. Todos estavam ocupados com a cerimônia. Breve tudo se inflamaria ante os olhos deles e os que ainda vivessem depois de tudo chorariam dentre as cinzas.
***
Tu vibravas, agora. A águia já ali estava. Já sobressaiam nos teus ouvidos os gritos e as faces agonizantes em impotência. Darias a eles por meio do fogo a oportunidade de sentirem por um momento o que tu sempre sentiste. E quando enfim te compreendessem, seria a última coisa que fariam. Prestaste muita atenção ao ritual. O círculo, as gravações, os dizeres, a águia, a pluma... Tudo perfeito. Dizia a lenda que a fênix a qual pertenceria aquela pluma era controlada por um mago muito poderoso. Por um mago conhecedor da mesma magia da floresta de Zendak, o xamã. Um mago capaz de se transformar em tal criatura.Tu terias em breve aquele mesmo poder. Vislumbrarias uma fênix viva. E, com a presença dela, te transformarias também em uma, serias imortal. Terias poder para fazer Kieran engolir o orgulho junto ao fogo. Mas o que viste foi o suficiente para fazer teu coração parar. Lear de Madrath te vira. Dizia, sempre com sua insolência, que havia percebido tua presença. Ele somente, dentre tantos magos. Disse que sabia o que tu pretendias fazer e iria impedir. O primeiro passo de Lear deixou-te sem saída. A pluma frente à águia enquanto os dizeres escorriam de teus lábios. Não haveria tempo para esperar a transformação da ave e depois recorrer à tua. Necessitariam, pela pressa do momento, ser simultâneas. As chamas engoliriam a ti e a ela.
Tu bailaste na inebriante dança de fogo e fumaça, frutos de tua própria escuridão. A dor chegava a torcer os ossos... Estavas perdido no calor que te consumia. Mas, mesmo em meio àquele fogaréu, sentias ar em teus pulmões. Ar de vida! Era real! Tua fé havia sido recompensada! Respiravas fogo e não morrias. Pela primeira vez não te importavas com a dor. Nem mesmo ligavas para as chamas que dissolviam tua pele em meio àquela névoa negra que brotava agora de teu ventre. Era suportável tal dor. Suportável ante o dom que te traria a imortalidade de uma fênix.
Então, como se as eras houvessem já se consumado, as chamas cansaram de consumir-te, de destruir-te, desarraigando-se dos instintos mais profundos da natureza do fogo, que é a destruição, e passaram a recompor-te. Como para uma fênix, o fogo te fazia bem. Entre o restolho de flamas, tu te punhas em pé. Cada parte tua no lugar... O fogo se extinguiu. Mas tua face jazia oculta ante o negrume que brotava dos pés à cabeça. Eras uma chaminé cuspindo um véu negro pútrido e latente.
Com a diminuição da fumaça, se distinguiam teus dedos muito afilados e tuas pernas, mas ainda nem tua silhueta completa era visível. Parecias uma brasa de carvão insistente em queimar. Mesmo antes dos detalhes de tua pele se sobressaírem, Lear pôde contemplar dois brilhos amarelos inumanos... Nem olhos eram... Mas eram o que tu tinhas mais próximo disto. Se os olhos são as janelas da alma, tua alma era um poço brilhante de perversidade cristalizado na maldade mais oculta numa vereda de loucura.
A fumaça, agora escassa, permitia a visão de tua expressão doentia sob a pele que mais parecia os restos de uma fogueira moribunda expirando fios de fuligem pela manhã. Tu riste. Não sentias mais dor alguma. E sabias que nunca mais voltarias a sentir. Que nunca mais tua pele tremeria ante o temor de um corte. Tudo girava ao teu redor. Era uma dança. Uma dança da liberdade. Teu novo eu estava enclausurado naquela casca carbonizada. De braços abertos tu dançaste. Surgias das cinzas. As plumas vermelhas e alaranjadas brotavam, quebrando teus braços, impondo tuas majestosas asas. A majestade de uma fênix. Teu espírito renascia das cinzas.
Ficaste muito feliz em ter aquela plateia em especial. Em ver Lear amedrontado com os resultados do ritual. O jovem fez menção de correr. Tuas garras já haviam brotado, destrinchando teus pés. Lear te deu as costas. Um salto, foi o que deste. Não foi um voo. Foi só o suficiente para cravar tuas garras nas costas de Lear, fazendo os gritos dele ecoarem por toda a floresta, atrapalhando o ápice da cerimônia imunda entre Anna e Kieran. A casca cedeu por completo. Tu te completaste. Tua forma nova fez-se perceber agora por todos os magos, pelo xamã e até mesmo pela criança mais insensível dali.
Um silêncio só quebrado por teus silvos odiosos pesou sobre todos eles. Os gritos de horror se iniciaram quando tu largaste os pedaços em chamas do cadáver de Lear no meio de todos. A fênix caiu com fogo sobre todos. Tu te sobrepunhas a eles. Ninguém fazia frente a teu fogo. Kieran pereceu bem em frente de Anna. A ela mataste por último, depois de ver a agonia de todos. Nenhuma viva alma saiu dali. Até mesmo o castelo queimou com tua vingança.
Eles pagaram e tu ascendeste aos céus. Voaste sobre toda aquela escória, humana ou elfa.
Ou assim pensaste.
***
Quando teu frágil corpo humano terminou de se debater, sem gritos, eu finalmente pude surgir de entre as cinzas. Em grande majestade até, já que era uma fênix que acabara de dar início aos ciclos. Não tão jovem como uma que reinicia, que renasce, mas também não tão deslumbrante quanto uma em seu apogeu de fogo. Mas haveria tempo para isso... Meus olhos amarelos cintilaram...
Mestra Anna esteve levemente errada em contar a história sobre o talismã de Zendak. O mago não controlava a fênix; o mago era a fênix. Sua alma jazia selada na pluma e sua mente vagava procurando quem pudesse trazê-lo de volta à vida. Mas estava tão fraco... Estava com Zendak, na aldeia, mas seguiu Anna de Bryke, sabia que ela o levaria a um lugar interessante e ela o fez. No Castelo das Águias o mago pôde encontrar uma mente frágil e arquitetar sua ressurreição. Somente um sacrifício de bom grado poderia trazê-lo de volta. E, por acaso, alguém diria que Dellian não entregou seu corpo às chamas?
Eu, feliz por ter enfim conseguido levar a cabo meus planos, abri as asas e alcei voo. Não havia por que interromper aquela cerimônia ou arranjar alvoroço ainda estando tão fraco. Mas eu me fortaleceria... Em poucas luas teria meu poder máximo.
Estou de volta. Ressurrecto. Mais forte que nunca. E não há mago vivo em Athelgard que possa me deter.
domingo, 17 de agosto de 2014
Ímpeto sob a Lua - Fanfic de Isabela Lopes (vencedora do concurso cultural)
Um tom escarlate estampou-se na cara de Lear Encanta-Dragões ao ver a tábua que, em um baque, fez ranger o chão.
– Pare de bobagens! Não basta o que este porco fez para nós? Temos que ficar aqui construindo um cercado! – desabafou Erdon.
– A culpa não é do coitado – disse Lear. sereno. – Você se preocupa com ele?
– Claro que sim! Só não quero que cause mais problemas – afirmou Erdon, concentrado em sua batida num prego.
– Então... ficou sabendo de alguma coisa sobre Razek? O que será que ele estava fazendo no lago? – perguntou o Encanta-Dragões, observando o porco descansar do desjejum.
– Nem imagino, mas que ele teve sorte de não ter caído na armadilha com o porco, isso teve – respondeu Erdon.
A noite banhou o Castelo das Águias, o céu se encheu de estrelas triunfantes, o orvalho já pairava no gramado. Lear e Erdon terminaram a construção do cercado improvisado para o porco, este agora tinha nome, batizado pelo Encanta-Dragões de Rosado.
Todos os mestres e aprendizes foram convocados para o jantar no Salão das Águias, era imenso e bem iluminado. Lear avistou Erdon e o convidou para sentar-se na mesma mesa em que estava.
– Como vai o Rosado? – perguntou Erdon ao se ajeitar na cadeira perto da janela.
– Ele está bem. Teve noticias de Razek? – indagou Lear dando um gole na limonada.
– Sim, acredita? Ele tinha encontrado um dente de dragão na floresta! E deve estar solto, é por isso que nos convocaram para jantar mais cedo.
Nesse momento, Anna de Bryke, Mestra de Sagas, corria em direção a Lear, e disse, recuperando o fôlego:
– Lear, sei que você gosta muito do porco, tenho que lhe avisar... Um dragão estava rodeando o quintal. Acho que ele quer o porco! – exclamou.
Lear se levantou às pressas e saiu em disparada. Anna, percebendo a reação dele, foi se aprontar com arco e flechas, dizendo a Erdon:
– Chame ajuda ao primeiro mestre que encontrar, urgentemente!
Lá fora uma Lua cheia iluminava o céu estrelado. Ventos fortes assomavam. Era a hora. Lear chegou primeiro, logo atrás vinha Anna. Erdon veio em seguida com o Mestre Kieran de Scyllix, e Razek, que quis acompanhá-los.
Lear chamou a atenção do dragão e ele voou em sua direção. Rosado percebeu que Lear estava tentando salvá-lo. Rosado não queria perder seu amigo. Saiu aos berros, conseguindo quebrar o cercado, e correr para a floresta. Ao ver isso, Lear desmaiou. Anna foi logo atrás junto com Kieran. Razek se surpreendeu com a atitude do porco
– Não acredito que vi isso! – disse arregalando os olhos.
A flecha velozmente acertou a asa do Dragão. Ele se comprimiu. Kieran aproveitou para fazer um feitiço. Entoou palavras desconhecidas e o bicho pôs se a dormir. Rosado todo contente correu para Lear e o lambeu.
– Rosado, meu filho, você está vivo! - foi o que disse o rapaz ao acordar.
Depois disso, com a coragem do porco, ele foi nomeado mascote do Castelo das Águias e todos o trataram bem.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Superpromoção de Livros e Mimos
Pessoas queridas,
Nova estação, nova lua, e eu trouxe uma surpresa pra vocês, contando com a inestimável colaboração da Karen Álvares, do blog Por Essas Páginas, e da Melissa de Sá, do Livros de Fantasia. Espero que vocês gostem, participem e ajudem a divulgar nosso círculo!
Passo a palavra à Karen, para que explique as regras da nossa promoção e apresente os prêmios. Não é apenas um sorteio, temos também um concurso cultural que irá premiar a melhor fanfic baseada num conto de Lear Encanta-Dragões, que vocês podem ler inteirinho aqui no blog.
Aguardo vocês. Boa sorte! :)
Nova estação, nova lua, e eu trouxe uma surpresa pra vocês, contando com a inestimável colaboração da Karen Álvares, do blog Por Essas Páginas, e da Melissa de Sá, do Livros de Fantasia. Espero que vocês gostem, participem e ajudem a divulgar nosso círculo!
Passo a palavra à Karen, para que explique as regras da nossa promoção e apresente os prêmios. Não é apenas um sorteio, temos também um concurso cultural que irá premiar a melhor fanfic baseada num conto de Lear Encanta-Dragões, que vocês podem ler inteirinho aqui no blog.
Aguardo vocês. Boa sorte! :)
Fala pessoal, todo mundo a fim de mais uma grande promoção por aqui? Pois bem, a talentosa Ana Lúcia Merege, autora dos livros O Castelo das Águias e A Ilha dos Ossos (e mais um monte de coisa que você pode conferir aqui), convidou o Por Essas Páginas e o Livros de Fantasia para fazer uma super promoção, com vários prêmios incríveis, desde livros da série até muitos mimos lindos temáticos. Além disso, vai ter também um concurso cultural muito bacana onde vocês vão poder soltar a imaginação e escrever fanfics dos livros! 'Bora participar?
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Horizontes : conto de Júlio Soares (conclusão)
Vergena foi surpreendida por uma carga de energia que passou de raspão pela árvore.
– Nair! Saia da minha floresta! – A voz do velho era horripilante. Vergena tomou fôlego e saiu correndo para a esquerda, lançando cargas e desviando de outras. Quando parou de correr, havia trilhado um arco e estava atrás do xamã, que se virou.
– Nair, por que você duvidou de mim? – Ele chorava, segurando o galho com força.
Então Vergena viu algo incrível: duas águias os sobrevoavam, e pousaram entre ambos, olharam para a elfa e então para o mago. – Ah, minhas crias! Vieram ver Nair? Nair, veja, estes são meus pequenos filhotes, feitos pelos poderes que eu consegui, pelos poderes que você duvidou que eu teria algum dia. Vamos, filhotes, se apresentem! – Os animais ficaram parados. – Vamos! Águias estúpidas, seus espíritos me pertencem! Me obedeçam! – Elas piaram em resposta, e mais cinco águias começaram a sobrevoar acima dos dois. Rapidamente elas começaram a atacar o xamã, que, em resposta, começou a se chacoalhar nervosamente.
– Nair, o que você fez com meus filhotes?!
O velho saiu correndo em direção a Vergena, rápido demais para ela processar a informação. Como um raio, ele elevou uma ponta do bastão, mirando a elfa, que só teve tempo de desviar um pouco para a esquerda. Ela sentiu um calor pulsante no ombro direito. Vergena levou a mão para a frente em resposta, e sentiu quando o seu bastão tocou no peito do velho, que parou num suspiro.
Vergena não sentiu pena. Ficaram parados por um tempo, o silêncio e a escuridão pareciam aumentar e fazer pressão sobre o coração da elfa. Ela se moveu mais para a esquerda, e o xamã continuou estático. Afastou-se e notou uma mancha negra em seu peito, onde o bastão dela tocara uma vez.
– Minha floresta... Urin, eu? – Ouviu-o dizer. Logo após, um baque surdo contra a terra. Os braços de Vergena pesavam, e ela se ajoelhou. Olhou para as águias, e as agradeceu mentalmente. Elas voaram em várias direções, deixando a maga sozinha.
– Você fez o certo – disse a voz já conhecida de Doron. Ela olhou para trás e viu o guerreiro se aproximar, ele tinha um ou dois arranhões no braço, mas parecia bem. – Ah, não foi nada demais! Só as aquelas águias fantasmagóricas que me assustaram e atrapalharam um pouco.
Ela assentiu.
– Hora de seguirmos adiante, Vergena. Não estamos longe de Mestyen, e o Sol já vai nascer.
– Não. Antes vou enterrá-lo. Ninguém merece ter o corpo desonrado ou ser apagado do mundo. Não importa quem.
Doron ficou em silencio, mas a ajudou a cavar um buraco. Escreveram em um pedaço de madeira a frase “Urin, aquele que passou das expectativas” e deixaram a floresta.
– Obrigado, Vergena. Você me salvou. Apesar de o chute ter doído, você fez a coisa certa – disse Doron no dia seguinte.
– Não agradeça, estamos quites. Você que deu a ideia do exercício da nuvem, afinal. Aliás, como você sabia dele?
– Dei mesmo! Eu me lembrei de que Kieran vivia treinando isso quando era aprendiz do Mestre Mael – ele sorriu de forma nostálgica.
– Como foi para você? Matar alguém... – perguntou, mais tarde, enquanto Vergena fazia um curativo em seu braço.
– Foi tão... fácil. Na hora não existem pensamentos, sentimentos. Apenas a ação. Eu estava irritada com o que ele falava, sobre possuir a floresta. Mas depois eu me arrependi, pensei que ele poderia ter alguma chance de cura, talvez algum ritual pudesse ajudá-lo...
– Não, Vergena. Não podia. Aquele homem cruzou limites que ninguém pode ultrapassar. E é aquilo que acontece quando desrespeitamos as leis da magia. Além do mais, não sinta pena ou fique se torturando por ele. O que aconteceu, aconteceu. Você o honrou, no final de tudo. Será uma guerreira nobre.
– Você aprendeu isso com o Mestre Mael, também?
– Foi. Por que a surpresa? Não faz muito tempo, eu não sou tão velho a ponto de me esquecer das coisas!
Pela primeira vez desde muito tempo, a elfa sorriu. Levantou-se e viu o céu. Estava sem nuvens, e, olhando para baixo, através das árvores dispersas, ela enxergou o horizonte e todas as suas possibilidades.
Uma nova aventura estava chegando, e Vergena ficou feliz por não ter que enfrentá-la sozinha....
Bom, Pessoas, esta foi a fanfic do Júlio Soares. Espero que tenham curtido tanto quanto eu!
E se alguém mais quiser escrever uma história baseada no universo de Athelgard, fique à vontade. Temos umas regrinhas, que vocês podem consultar na Página de Promoções aqui do blog, mas tudo muito simples. Ah, o envio de fics dá também direito a um prêmio. Acho que vocês vão gostar.
Até a próxima!
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Horizonte : conto de Júlio Soares (parte 3)
Naquela
noite Vergena sonhou com águias guerreiras, belas e altivas. Elas voavam em sua
volta, amigas. Em meio ao breu, a elfa notou, estranhamente, uma coruja a
observando. O animal era diferente dos demais, e tinha uma carga sinistra.
Acordou
assustada, suando. Esfregou os olhos e olhou em volta, foi quando teve um
susto. Havia a sua frente três enormes lobos, brancos e assustadores, incomuns.
Eles estavam quietos, com a boca aberta e os olhos frios feito a morte. Vergena
buscou lentamente o seu bastão, que mantinha sempre do seu lado.
–
Doron! – sussurrou, mas o homenzarrão
dormia sob uma árvore próxima. Famintos, os lobos começaram a andar em direção à
elfa.
–
Doron, acorde! Estamos sendo atacados! – Dessa vez ela falou alto, correndo
para a direita, dando um chute na coxa do grande homem. Este gritou, mas, ao
mesmo tempo, pegou uma espada curva, se ajoelhando em seguida. Os três lobos
seguiram a elfa, dando de cara com o guerreiro.
–
Mas o que é isso? – Doron gritou, apavorado. Um dos animais avançou em direção
a ele, mas foi atingido no momento em que pulou por um corte rápido.
Estranhamente o lobo não caiu, mas virou uma espécie de névoa. Vergena
compreendeu que era um espírito. Havia algum mago por perto.
–
Mantenha a atenção! – Ela subiu em uma árvore, com o bastão lançou uma carga
energética no outro lobo, que ganiu alto antes de se dissolver em energia. Não
teve tempo de atacar o último, sentindo garrafas afiadas tomarem conta de seu ombro
direito. Olho para o lado e viu uma águia da mesma aparência que a atacava.
Tentou se movimentar, deixando o bastão cair.
–
O exercício da nuvem, Vergena! – Doron gritou de baixo, desviando do ataque de
mais outros dois lobos que surgiam. Ele agora utilizava duas espadas. Vergena
tentou se concentrar, mas a dor era forte demais.
Isso não vai terminar
assim! Ela imaginou o galho em que se encontrava sumindo.
Após alguns segundos, sentiu-se cair, e a águia levantou voo, piando.
Pegou
o bastão e disparou jorros de energia mágica em direção ao céu, porém não
acertou a águia. Olhou para Doron, que agora estava completamente cercado. Dois
lobos tinham as espadas dele presas em suas bocas, e não soltavam de jeito
nenhum. O guerreiro puxava os braços, tentando fazer algum movimento – mas os
espíritos eram fortes. Vergena correu em direção a ele e estacou a ponta do
bastão no terceiro lobo, que imediatamente sumiu. Ela se ajoelhou e falou
algumas palavras mágicas, fazendo uma bola de chamas voar em direção a um dos
lobos.
Doron
se aproveitou da situação e girou o corpo com toda a força, fazendo o animal
soltar sua espada e deixar o seu braço direito livre. Utilizou o movimento e
levou a lâmina até o pescoço do outro animal.
–
Tem algum mago por aqui, Vergena! Temos que encontrá-lo ou não vamos parar de
ser atacados! Eu cuido dos animais, você procura por ele!
Ela
assentiu com a cabeça e saiu correndo, concentrando toda a sua energia em sua
memória, recitando um feitiço de busca. Ela parou abruptamente, fazendo um
pequeno círculo em sua volta e erguendo os braços. Aquele era um ritual
simples, mas ela tinha que manter a concentração e, ao mesmo tempo, prestar
atenção a sua volta para possíveis ataques. Quando começou a recitar as
palavras, um barulho a interrompeu:
–
Nair, é você? – disse um velho, saindo das árvores. Ele vestia trapos e não
usava sapatos, havia um galho em sua mão esquerda, e várias pulseiras e colares
o enfeitavam. Era uma espécie de xamã, pelo que ela percebeu. Mas aquele tipo
de magia só podia ser feita por magos treinados e sábios. Aquilo era
impossível. Vergena fez uma posição de defesa com o bastão em mãos.
–
Nair, você deveria estar na Floresta do Sol, eu te pedi para ficar lá.
–
Não sou nenhuma Nair, me chamo Vergena de Thaelke, velho. Quem é você?
Ele
ficou em silêncio por um momento, alisando o galho de olhos fechados.
– Nair... não. Não é Nair... Urin, eu. Minha.
Minha... – Suas palavras não faziam sentido para a elfa. – Minha floresta!
Com
um movimento rápido, gritou e apontou o galho para Vergena, que instintivamente
desviou do feixe energético que se seguiu. Então, fez um movimento com o braço
e disparou duas descargas de energia em direção ao velho, que se defendeu com
facilidade.
–
Você disse que eu não podia aprender, Nair! – exclamou. - Você disse! Mas eu
aprendi! Toda a Floresta do Sol me ensinou, menos você! Fiquei amigo dos elfos,
mas você dizia que alguém como eu jamais iria ser um mago! Olhe para mim, Nair!
Olhe! Eu sou um mago e tenho uma floresta, Nair! Agora você gosta de mim?! –
Ele atacava rápido e Vergena mal tinha tempo de se defender. Estava recuando
demais, e chegou a cruzar os limites do círculo que havia feito.
Forçou
o pensamento para focar a energia na mão esquerda, que estava livre. Quando
sentiu esta se esquentar o suficiente, lançou mais três rajadas energéticas no
velho, que, pego de surpresa, se atirou no chão.
Vergena aproveitou para se esconder atrás de
uma árvore. Tentava pôr os pensamentos em ordem. Chegou à conclusão de que
aquele homem provinha do sul, e, com os elfos da Floresta do Sol, aprendera a
arte da Magia. Mas possivelmente não foi disciplinado o suficiente e acabou
louco.
Ela
olhou para cima, e viu uma águia. Não era uma águia-fantasma, como ela notou de
cara. O animal a olhou de cima, e ela fitou seus olhos negros. Lembrou-se do
dia que o mestre Kieran passara para ela o poder sobre as águias, e da conexão
que ela sentia com tal animal.
–
Me ajude – sussurrou, não tendo
certeza de que a águia a entendera. O animal a observou um pouco e seguiu voo.
....
A seguir: a conclusão!
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Horizonte : conto de Júlio Soares (parte 2)
–
Ei, ei! Calma! Não precisa se encrespar – disse, surgindo do meio das árvores, um
homem enorme. Tinha cabelos louros compridos e lisos, o rosto quadrado era
coberto por uma barba rala e seus olhos claros irradiavam travessura. O corpo
incrivelmente forte estava coberto por uma malha de ferro e tinha uma espada
presa à cintura.
–
Quem é você e o que faz aqui? – Vergena estava impassível. Tinha a impressão de
ter visto aquele homem antes, mas manteve a guarda.
–
Eu sou Doron de Scyllix, amigo de Kieran. Estive em Vrindavahn ano passado como
representante do Exército, na questão das águias.
–
Amigo de Hillias.
–
Sim, já fui amigo de Hillias. Mas ele endoideceu, e eu tive de manter minha postura
acima disso. Hillias errou em muitas coisas, mas não em te convidar para ser
Mestra das Águias. Vi o que fez na torre aquele dia, o rato molhado te ensinou
bem.
–
E o que faz aqui? As florestas não são caminhos comuns.
–
Não, não são não. E, mesmo assim, aqui está você. Gosta de animais, pequena maga?
–
Caminhos comuns são tediosos e fáceis demais.
–
Eu vi, e, por isso – fez uma tentativa de expressão perversa que resultou numa
careta feia – eu resolvi te seguir. A vi em Caer Fair, e, sabendo que iria até
Scyllix, resolvi manter os olhos em você. Agora estou aqui.
–
E o que fazia no vilarejo?
–
Você é muito chata, sabia? Bom, devo confessar... – fez uma pausa, levando a
mão a cintura – que eu buscava... isto! – Mostrou uma garrafa escura. – Eis o
melhor vinho de toda Athelgard, produzido por uma família de vinicultores muito
antiga, isolada no pequeno vilarejo de Caer Fair. Apenas poucos sabem da
existência dessa magnífica bebida no mundo, então mantenha-a em segredo.
A
elfa ficou embasbacada, totalmente sem reação. Seus braços caíram, e ela fitou
o outro com olhar surpreso.
–
Você viajou tanto, chegando a cruzar uma floresta inteira, por uma garrafa de
vinho?
–
É. – Doron sorriu de orelha a orelha.
Por
um momento, ela pensou em rir, mas não o fez. Ainda estava chocada.
–
Que seja. Agora você pode seguir seu caminho. Não desejo a sua companhia.
–
Eu estava certo sobre você ir até Scyllix, né?
–
Sim, estava.
–
Então temos o mesmo destino. Por onde você vai?
–
Estou seguindo até Mestyen.
–
Ah, Mestyen! Aquela cidade maravilhosa, cheia de seus bares e mulheres bonitas,
jovens moças que sabem o que querem e não têm medo de viver. – Doron balançava os enormes braços de forma a
tentar ser delicado e romântico. – Eu vou com você. Nada melhor que viajar
acompanhado, não?
–
Não, você não vai. Gosto de viajar sozinha.
–
Então eu vou seguir para Mestyen pelo mesmo caminho. Igual a você, acho
estradas chatas, a não ser quando existem distrações entre elas.
–
Que seja.
Seguiram
o mesmo caminho por dias, em completo silêncio. Doron tentava conversar, mas o
máximo que Vergena fazia era dar poucas respostas monossilábicas. Chegou um
momento em que ela notou que seu silêncio não o cansaria, então desistiu de se
incomodar.
–
Você sabe que eu posso estar te seguindo apenas para reportar ao conselho de
guerra de Scyllix a sua personalidade, para avaliar se você seria uma boa Mestra
das Águias ou não, né? – Doron argumentou certa vez.
Vergena
estacou. Nunca havia pensado na hipótese. Doron detinha uma posição de certa
importância no exército, ele devia ter alguma influência no conselho de guerra.
E, visto que Vergena havia sido convidada por Hillias, poderiam ter mandado
alguém para segui-la.
O
guerreiro começou a rir desesperadamente, chegando a se ajoelhar. – Você viu a
sua cara? Era de doer! É claro que não sou nenhum tipo de espião.
Vergena
queria matá-lo.
–
Mas, falando sério, Vergena, Kieran falou qual seriam suas atribuições em
Scyllix?
–
Não, na realidade.
–
Pois bem, então me deixe contar a história. As águias só são necessárias
enquanto houver guerra, certo? Enquanto não houver guerra, não haverá águias,
e, sem as águias, não precisaremos de uma mestra para elas.
Aquilo
assustou a elfa.
–
O que isso significa?
–
Nada demais. Apenas dizendo que você não entrará em Scyllix como uma Mestra das
Águias logo de cara. Mas fica tranquila, eles vão te pôr num cargo legal até que
haja uma guerra – visto que você recebeu o poder sobre as águias. Sem guerra,
imagino que você cuidará das defesas mágicas das torres, ou algo do tipo.
A
informação era um pouco assustadora para Vergena, mas ela não se deixou abalar.
–
Que assim seja, então. Scyllix é meu destino, e serei grande lá, seja cuidando
das águias, seja da proteção da cidade.
–
É assim que eu gosto. Espere! Aquela coruja é um pouco estranha, não acha?
Apontou
para uma árvore. Vergena viu que o animal era realmente estranho. Nunca vira
uma coruja tão branca e com aspecto tão assustador. Lançou uma pedra em direção
a um galho, para assustar o animal, sua presença não agradava à maga.
–
Vamos dormir, já está escurecendo – disse ao guerreiro, que logo concordou.
.....
(Continua...)
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Horizonte : conto de Júlio Soares (Parte 1)
O mundo era infinito.
A jovem elfa Vergena de Thaelke tinha os olhos sobre o horizonte. As luzes do sol se fundiam àquela linha de possibilidades, e as cores dançavam em passos dourados e violetas. Ela fechou os olhos, sentindo a brisa balançar seus cabelos. Era o primeiro dia desde que deixara o Castelo das Águias para seguir seu próprio destino como futura Mestra das Águias. Disseram-lhe para seguir o caminho de barco até Erchedel e, de lá, prosseguir até Scyllix. Mas aquilo seria fácil demais para a maga. O mundo era muito grande e incrível para ela buscar atalhos. Resolveu pegar um rumo através das florestas até Mestyen, de onde enfim pegaria um barco até Erchedel e outro para a cidade dos guerreiros.
No dia anterior, Vergena havia encontrado o seu antigo mestre, Kieran, e sua esposa, Anna de Bryke. Ambos, apesar das diferenças de idade e cultura, faziam um belo casal.
– Vá acompanhada de toda a proteção dos Heróis e do Grande Espírito, Vergena – disse-lhe Anna, carismática.
– Tenho certeza de que será a melhor Mestra das Águias que Athelgard jamais virá a conhecer, Vergena – a voz de Kieran tinha um misto de hesitação e orgulho.
– Agradeço, mestre. Você sempre foi e será o meu maior professor e inspirador. Eu sei que as pessoas desconfiam de mim devido ao fato de Hillias ter me convidado para esse cargo, mas provarei que não sou como ele. Serei, além de Mestra, amiga das águias.
– Eu sei que será, Vergena – respondeu o seu professor. – Você sempre vence as suas lutas.
– Sei que ouviremos muitas histórias sobre você – complementou Anna. – Já está convidada para, um dia, voltar ao Castelo e contá-las você mesma.
– Eu virei sim, muito obrigada.
Agora só tinha como companhia as lembranças e suas provisões. Seguiu caminho pela costa, passando pela Floresta das Águias, para dar uma última olhada nos animais que tanto respeitava e admirava.
– Espero que sejamos bons amigos – disse às aves, antes de seguir pela floresta.
Após quatro dias de viagem, ela encontrou uma pequena vila, que logo viu ser Caer Fair. As casas eram pequenas e ornamentadas com símbolos nas portas. Eram versões primitivas de sigilos de proteção que aprendera a fazer nas aulas do Segundo Círculo. Foi até o mercado para se reabastecer de água e alimentos. A idosa que a atendeu tinha olhos vigilantes:
– É incomum elfos andarem por essas bandas. Principalmente magos.
– Você é observadora, senhora. Aprecio isso.
– Obrigado. Mas você não o é menos que eu, vi que olhava para os símbolos que tenho nas paredes com muita curiosidade.
Era verdade, Vergena estava atenta aos sigilos ali encontrados. Eram vários deles, pintados em tinta branca, aparentemente às pressas.
– Sim, não pude deixar de notar.
– Estes são símbolos da Antiga Sabedoria de meu povo que são utilizados para proteção e expulsão de espíritos malignos. Ultimamente a vila anda sendo atacada por forças desconhecidas. Nós só podemos nos defender e aguardar o Sol voltar pela manhã. – Fez uma pausa. – Pelo que eu vejo, você está seguindo para a floresta. Se me permite um conselho: volte para casa. As sombras guardam poderes obscuros e poderosos demais.
– Como ousa, velha?! Eu sou uma Maga do Círculo Menor, sei muito bem como me cuidar. Agradeço sua preocupação, mas meu caminho é por minha conta. – Havia uma fúria contida em sua fala.
Seguiu viagem por dias, dormindo na relva, banhando-se em riachos e bebendo água da chuva. Arriscava-se pouco a caçar, pois achava os poucos animais que encontrava pequenos e fáceis de capturar. Todos os dias ela parava por algumas horas para treinar seu domínio da Magia da Forma e do Pensamento e artes marciais. Vergena gostava de treinar sempre o básico, aprendido no Primeiro Círculo da Escola de Artes Mágicas, pois acreditava que uma base forte era importante para se tornar uma maga cada vez melhor.
Certo dia, encontrando uma clareira, aproveitou para treinar suas habilidades mágicas. Fez um círculo de proteção para afastar possíveis perigos e sentou-se no centro. Cruzou as pernas e fechou os olhos, tranquilizando a respiração e relaxando os músculos. Quando abriu as pálpebras, focou o olhar no céu, observando as nuvens. Prestou atenção em uma delas, de tamanho médio e formato singular. Lentamente, começou a imaginar a composição dela, sentindo o frio e a umidade de cada partícula da nuvem. Imaginou esta se dissolvendo lentamente, como se fosse limpa por uma borracha. Não demorou muito até que a nuvem sumisse completamente do céu. Voltou então o olhar para uma árvore à sua frente, e, com um pouco mais de esforço, as folhas começaram a cair, grudando em seu cabelo.
– Você é boa, menina. Aquele rato molhado do Kieran iria se orgulhar de ver isso – interrompeu uma voz grossa e irônica. Vergena deu uma cambalhota para trás, pegando a espada curta e seu bastão, atenta e pronta para lançar uma carga energética na direção da voz.
Continua...
E então? Deu para saber quem é o personagem que vai contracenar com a Vergena a partir de agora? Deixem aqui seus palpites - e não deixem de conferir a ilustração exclusiva da Angela Takagui no próximo post!
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