quinta-feira, 24 de abril de 2014

O Javali : um conto de Lear Encanta-Dragões (Parte 2)




        - Ali vem ele – disse Erdon aos quatro meninos que o fitavam com ar intrigado. Estavam numa clareira próxima à Trilha dos Cogumelos, assim chamada por causa das fileiras de chapeuzinhos brancos, vermelhos e sarapintados que brotavam em suas margens. Os grupos de Rydel e Razek haviam tomado outros caminhos, depois de Erdon ter convencido o mestre de que Lear precisara se demorar no alojamento e não tardaria a alcançá-los. Então, quando se viu a sós com o Ruivo e os outros três, ele se divertiu a criar suspense, dizendo que além do passeio teriam uma aula de Magia e que o Encanta-Dragões tornaria aquele dia inesquecível.
          A ideia, é claro, é que Razek também não fosse esquecer.
       Lear chegou à clareira momentos depois de Erdon tê-lo avistado, arrancando exclamações de susto e divertimento dos garotos. Além do bastão de poder – tão decorado e espalhafatoso como o dono, e que não deveria ser necessário ali -, o Encanta-Dragões segurava uma corda grossa, à qual estava atado um grande porco peludo. Fora fácil convencer o criado do Castelo a deixar o animal aos cuidados de Lear, que o levaria à floresta para comer bolotas de carvalho e tentar desenterrar algumas trufas. Elas valiam bom dinheiro no mercado... se fossem tão boas quanto a história que ele contara sobre o fazendeiro de Madrath.
       - Muito bem, pessoal, cheguem mais perto – chamou Lear, e os garotos formaram um círculo ao seu redor. – O Ruivo aqui pediu algumas dicas sobre ilusionismo, que como vocês sabem não se destina apenas a entreter as pessoas numa feira ou casa nobre. Para que mais serve?
       - Para a gente se disfarçar – disse prontamente o Ruivo. – Ir a lugares sem que ninguém perceba.
       - Ótimo. Que mais? Numa guerra, por exemplo. O que se pode fazer com ilusionismo?
       - Confundir o exército inimigo? – sugeriu Conan, o mais velho do grupo.
      - Fazer aparecer alguma coisa temível, mas que não está lá – disse, de forma atrapalhada, um meio-elfo chamado Lohan. – Fazer eles pensarem que você tem um exército maior ou uma catapulta.
       - Perfeito. Há vários usos, além desses, mas já pegaram a idéia. Agora – Lear olhou de uns para os outros, criando expectativa. – No Segundo Círculo, vocês vão saber que uma coisa é ilusionismo e outra é transformação. Esta é mais difícil e mais limitada, mas ambas têm algo em comum: elas partem do princípio de que alguma coisa deve estar lá no início, alguma coisa com que se trabalhar, que se use como base. Um bom ilusionista pode fazer surgir imagens do nada, ou – franziu as sobrancelhas, imitando a expressão usual de Kieran – um mestre de Magia do Pensamento pode convencer alguém de que está vendo o que de fato não existe. Mas na maioria dos casos é preciso uma base, e quanto mais próxima do que se que obter, mais fácil, em geral, para o mago que executa o ato. Entenderam até agora?
       - Sim. – A resposta em uníssono, e em seguida a pergunta de Conan:
       - Vamos usar esse porco numa transformação?
       - Nnnnn... não exatamente – disse Lear. – Nós vamos...
       - Já sei! Vamos transformar o porco em bacon! – exclamou o Ruivo, ao que os garotos caíram na gargalhada. Erdon também riu, e até o Encanta-Dragões, após um desconcerto inicial, se juntou a eles. Quando os risos se acalmaram, ele tornou a chamar a atenção de todos para o porco, que os olhava com ar indiferente enquanto mascava um punhado de cogumelos.
       - Um porco faz pensar em bacon, certo, mas não é só isso – afirmou. – Com o que ele parece? Que outro animal?
       - Um javali – o Ruivo não tardou a dar a resposta esperada.
       - Muito bem. Então vamos supor que eu quisesse usar ilusionismo – não a transformação, porque no ponto dos estudos em que me encontro isso exigiria certo trabalho preliminar -, mas, bem, digamos que eu estivesse cruzando uma floresta e notasse estar sendo seguido, talvez por um salteador. E vamos supor que eu tivesse um porco...
       - Por que um mago andaria por aí com um porco? – questionou Lohan.
       - Ora, por que... Sei lá! Eu estou com um, não estou? – replicou o Encanta-Dragões, e o garoto não teve como contestar. – O porquê não importa. Vamos supor que eu queira usar ilusionismo para me livrar do salteador. Há várias coisas que posso fazer, mas, supondo que tenha um porco – enfatizou, olhando para Lohan -, seria bem rápido criar uma ilusão em que ele se pareça com um javali. Por que o javali? Porque é um animal feroz, e eu posso fazê-lo parecer zangado e terrível, e o salteador não vai querer ficar no caminho da fera. Compreendem?
       - E como você faria? – indagou o Ruivo. Lear sorriu: aquela era a sua deixa. Erguendo o bastão de poder, ele o apontou na direção do porco e assumiu uma expressão muito séria, provavelmente desnecessária, mas importante para garantir a atenção dos garotos.
       - Observem – disse, mas antes de começar lembrou-se de pedir a Erdon: - Vá explicando a eles.
       - Certo, se eu conseguir – murmurou o amigo, embora soubesse que não seria tão difícil. Qualquer um, no Terceiro Círculo, tinha condições de explicar como se fazia.
       - Você precisa olhar para o porco. Isto é, o animal ou objeto que vai usar como base. – Fez um pausa, durante a qual o único som foi o de Lear murmurando baixinho. – Em seguida, você tem que afirmar – não muito alto, mas é melhor dizer as palavras do que apenas imaginá-las – que os olhos, as orelhas, o focinho, enfim, cada pelo desse porco irá se transformar naquilo que você deseja. É o primeiro passo, e, o que é mais importante: você tem que ser o primeiro a acreditar naquilo que diz.
       - Não tem uma fórmula? – perguntou Conan.
       - Tem, mas isso vocês não vão aprender agora, só a partir do próximo Círculo. Até lá, o que precisam é aprender como focar, fazer sua imaginação levar a melhor sobre qualquer certeza – disse Erdon, repetindo as palavras de Finn, o mestre de Magia da Forma. – Isso dá força àquilo que você diz, àquilo que você projeta sobre a sua base. É quando o encanto começa a funcionar. Olhem só!
       - Estou vendo – murmurou Gareth, um menino de olhos verdes, que até então estivera calado. – O porco está ficando maior, e... Ugh! Está criando presas!
       - Está se transformando – disse Lohan, uma nota de pânico na voz.
       - Não está. Isso é só o que seus olhos são levados a ver. Façam silêncio – recomendou Erdon. Sabia que a verdadeira Magia começava a ser tecida, nos gestos, nas palavras e na vontade de Lear.
       Absorto em seu trabalho, o Encanta-Dragões fechara os olhos e erguera a voz, entoando um cântico que os meninos não entendiam, mas que parecia encerrar o segredo de uma completa e incrível transformação. Diante de seus olhos deslumbrados, presas se alongaram, pelos claros se converteram em cordas grossas e eriçadas, olhos plácidos e indiferentes ganharam um brilho raiado de fúria. De um dócil animal de cercado a fera ameaçadora. E nenhum deles, quando tudo terminou, estava plenamente convencido de que se tratava de uma simples ilusão.
        - E agora? – perguntou Conan, após um tempo, o fôlego suspenso. – Como esse encanto se desfaz?
      - Uma palavra – disse Lear. – Ao tecer o encanto de ilusão, usei uma palavra que o desfará, bastando ser pronunciada. Outra maneira seria usar algum outro encanto que anulasse o primeiro; ou, ainda, submeter a ilusão ao olhar de um mago mais poderoso que eu. Já ouviram falar de um aprendiz que conseguisse ludibriar o mestre?
       - Não – de novo, o coro em uníssono.
      - Mas outros aprendizes podem ser enganados – disse Erdon, erguendo a voz impaciente. Já bastava de perder tempo com Lear a contemplar sua própria obra, pois afinal os dois tinham um plano. Era preciso ir adiante com ele para que todo aquele trabalho valesse a pena.
       - Erdon tem razão. Podemos enganar outro aprendiz, ou até mesmo um mago não muito bom ou que esteja destreinado – disse o Encanta-Dragões, recobrando o foco. – E até mesmo alguém que conheça, ou diga conhecer muitíssimo bem os animais da floresta. Por exemplo, Razek... Será que ele olharia para esse javali e veria um simples porco cor-de-rosa?
       Os garotos se entreolharam, gestos e expressões de dúvida. Lear os observou por um instante, depois olhou para Erdon e abafou uma risadinha.
          O verdadeiro espetáculo ia começar.

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Leia a primeira parte do conto aqui.

E a terceira aqui.

Javali retratado em bestiário medieval.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O Javali : um conto de Lear Encanta-Dragões (Parte 1)




Pessoas Queridas,



Antes do feriado da Páscoa, deixo aqui o início de um conto ambientado entre os dois romances da nossa série. O ponto de vista é o de Erdon, um aprendiz meio atrapalhado que aparece brevemente em "O Castelo das Águias", mas os personagens principais são outro aprendiz, ainda mais trapalhão, e... um porco. 

Espero que curtam!


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       Feitas as contas, a probabilidade de conseguir sua espada de mago se tornara ainda mais remota, ao menos naquele ano. Mas não havia como negar que foi divertido.
       Era Dia de Descanso, e, apesar de ter acordado à hora de sempre, Erdon ficou na cama até mais tarde. Seus companheiros de quarto haviam saído, mas ele ouvia os passos de alguém no andar de cima, e pelo impacto sabia não se tratar das moças nem de Gwyll. A dedução se mostrou verdadeira quando os passos desceram a escada, acompanhados por um cantarolar em surdina, e avançaram pelo corredor; quando alcançaram sua porta, houve um instante de silêncio, seguido por uma batida e o ranger dos ferrolhos.
       - Erdon, Colm, Nardus? Alguém por aí? – perguntou uma voz familiar. Erdon respondeu com um resmungo, ao que o outro, sentindo-se autorizado, entrou no quarto e tocou a meia esfera de cristal incrustada na parede. A luz suave se espalhou pelo aposento, fazendo Erdon piscar e iluminando o rosto do Encanta-Dragões.
       - Vamos comer alguma coisa? – perguntou ele, no tom alegre de sempre. – Vai ser a raspa do tacho, pois com certeza somos os últimos. Mas saco vazio não para em pé.
       Erdon tornou a resmungar e se levantou, pegando as calças que largara emboladas no chão e as vestindo de qualquer jeito antes de sair e se encaminhar à sala de banho. Estava alagada, com pegadas enlameadas por toda parte e a banheira ainda cheia da água ensaboada usada pelo último aprendiz para se lavar. Pisando com cuidado, Erdon se deslocou pelo aposento e fez suas abluções, voltou ao quarto para pegar uma túnica e a vestiu enquanto caminhava até o refeitório com Lear. Iam sem pressa, a brisa nos cabelos, os pés à vontade em sandálias de palha trançada. Eram boas as manhãs de verão no Castelo das Águias.
       O desjejum se estendia até a nona hora nos Dias de Descanso, mas o movimento costumava ser bem pequeno após a oitava. Eles estranharam a aglomeração de crianças no refeitório, não o grupo completo do Primeiro Círculo, mas uns doze ou quinze deles reunidos em torno de Rydel, o elfo de cabelos dourados que ensinava Ciências da Terra. Ao seu lado estava um aprendiz do Terceiro Círculo, um meio-elfo de pele morena que atendia por Razek, mas a quem os rapazes mais velhos se referiam como Zangado ou Esquentadinho. Estava de pé, com os braços cruzados e um leve sorriso para variar da habitual cara fechada; quando os colegas se aproximaram, não os chamou, mas tocou o ombro do mestre, cujos olhos se iluminaram assim que ele os viu.
       - Erdon, Lear, estava mesmo precisando de vocês – disse ele, em tom efusivo. – Ou melhor, alguém como vocês, com certo conhecimento da floresta. Falei com Tarja e Vergena, mas elas têm um compromisso na cidade, e não sei onde Gwyll se meteu,,, Vocês teriam umas horas livres? Para ajudar com um trabalho do Primeiro Círculo?
       - É uma competição! – exclamou uma aprendiz de tranças, que devia ter uns doze anos.
     - É uma brincadeira. – Como bom seguidor de Odravas, Rydel tinha aversão a tudo que envolvesse competir e medir forças. – Vamos à floresta em três grupos e todos têm a missão de encontrar os itens de uma lista. Uma folha de carvalho, um grilo, uma pena de coruja e assim por diante. Os grupos vão por caminhos diferentes e se reúnem no fim do dia para ver o que conseguiram.
       - Quem achar mais coisas vence – disse o garoto que parecia ser o mais velho do bando.
    - Não, Conan! Mestre Rydel já disse que não! – retrucou um pequeno elfo. – É só para ver se reconhecemos os itens da lista!
       - E onde entramos nisso? – indagou Lear. – É para acompanharmos dois grupos?
       - Um só – disse Razek, prontamente.
      - Isso mesmo, um só – confirmou Rydel. – Eu irei com um dos grupos; Razek, que desde a confusão com as águias tem acompanhado Kieran à floresta, irá com outro; para o terceiro pensei em Anna, mas ela não passou a noite na Ala Rosada e não apareceu para o desjejum. Então, achei que dois aprendizes do seu grupo seriam uma boa opção, pois vocês têm boa noção das trilhas da floresta e podem ajudar um ao outro. Vocês aceitam?
       - Ah, mestre... Não sei não. Acho que me confundo com as trilhas – Erdon procurou uma desculpa. – Mestra Anna deve chegar logo. Ela seria bem melhor que Lear e eu.
       - Não sabia que você falava por Lear – observou Razek, irônico.
       - Ora, seu...
      - Sem brigas, por favor – cortou Rydel. – Se vocês não podem, ou não querem, tudo bem. Faremos nosso jogo num outro dia.
       - Ah, nãããão! – exclamou a menina de tranças. Um murmúrio de protesto cresceu entre os demais aprendizes, permeado por algumas sugestões: que fossem só dois grupos (não ia ter muita graça); que chamassem Mestra Anna (quem ousa bater à porta de Mestre Kieran, que é com quem ela deve estar?); que o terceiro grupo fosse acompanhado pelo sempre solícito Padraig, o que seria uma boa solução, se o aprendiz de Mestre Camdell não madrugasse no templo da cidade todos os Dias de Descanso.
       Erdon ouviu a discussão com um certo sentimento de culpa, mas ainda assim sem querer abrir mão do seu tempo livre. Imaginava que Lear fosse manter a mesma posição, o que teria certamente acontecido... se o Encanta-Dragões não fosse tão suscetível ao apelo dos colegas mais novos.
       - Ah, por favor, por favor, venha com a gente! Vai ser divertido! – pediu a das tranças.
       - Você pode aproveitar e nos dar umas dicas sobre transmutação. Pelo menos ilusionismo – disse um menino arruivado.
       - Ah, não sei, pessoal...
       - Vamos! Você é o melhor! – insistiu o garoto. Lear suspirou, depois encolheu os ombros e olhou para Erdon, com um sorriso que deixava claro o quanto estava envaidecido.
       - Bom, quando todos pedem, não tenho como negar – disse ele. – Vamos lá? Acho que é nosso dever ajudar quem está começando.
       - Ajudam mais se trocarem de calçado. Essas sandálias vão deixar vocês na mão – disse Razek, apontando para o próprio pé calçado de mocassim.
       Não era um mau conselho – dado por outro, talvez soasse bem-intencionado – mas o sorrisinho que o acompanhou era bem coisa de Razek, e era irritante, como tudo que vinha dele. Tão irritante que Erdon até se esqueceu de arranjar uma desculpa; quando percebeu, Rydel já começava a formar os grupos. Cinco crianças seguiriam com ele, incluindo as duas únicas meninas; Razek ficou com quatro garotos, Erdon e Lear com outros quatro, entre os quais o arruivado, que aliás era chamado de Ruivo pelos colegas. A partida foi marcada para dali a meia hora, dando tempo às crianças para irem se trocar ou buscar qualquer coisa no alojamento. Erdon franziu a testa ao ouvir o Ruivo declarar que trocaria as sandálias por sapatos.
       - Para quê? Vão estragar na floresta – argumentou. – Mestre Rydel também está de sandálias.
       - Ele é seguidor de Odravas – retrucou o menino. – Costuma andar até descalço. Mas eu é que não vou correr o risco de machucar meus pés.
       - Eu vou de sandálias – atalhou Lear. – E você não disse que eu era o melhor?
       - Em ilusionismo, claro que sim. Mas de floresta quem entende é o Razek. Sem querer ofender! – acrescentou o Ruivo, vendo a expressão dos colegas mais velhos. Ele tratou de dar o fora enquanto os dois se entreolhavam, sem trocar uma palavra, mas deixando muito claro um para o outro o que teriam gostado de fazer com o pescoço de Razek.
       - Sujeitinho arrogante – comentou Erdon, quando saíam da Ala Branca com as frutas que tinham pegado à guisa de desjejum. – Acha que sabe tudo, só porque nasceu na Floresta do Sol e caçava quando garoto. Mas duvido que conseguisse pegar alguma coisa hoje em dia.
       - Bom, ele derrubou duas águias guerreiras com Magia – concedeu o Encanta-Dragões. – Mas deixou as duas feridas; não achou um jeito melhor de combatê-las, quando nós... Ei! Que bicho é esse, amigo? Vai ter festa?
       A pergunta fora dirigida a um dos empregados do castelo, que atravessava o pátio puxando um enorme porco preso a uma corda. Ia a caminho da cozinha, onde, como disse aos rapazes, esperava que o intendente fosse chamado para lhe dizer o que fazer com o animal. Este acabara de ser entregue no portão dos fundos pelo pai de um aprendiz, em agradecimento ao que a Escola de Artes Mágicas estava fazendo por seu filho.
       - Se não o matarem hoje, não sei como vão fazer. Não temos chiqueiro, e um bicho desses não pode ficar solto – disse ele, coçando a cabeça. – No estábulo acho que não dá certo.
       - Não mesmo... e acho que o Gurion não vai resolver nada hoje, Ele sempre vai à cidade nos Dias de Descanso – disse Lear, referindo-se ao intendente. – A cozinheira-chefe também, e Lori não vai mandar matar o bicho sem falar com ela. Acho que você vai ter que dar um jeito por hoje.
       - É, parece – disse o homem, contrariado. – E bem que eu tinha mais o que fazer do que ficar cuidando de porco.
       - Bom, se quiser, a gente pode ajudar, por uma parte do dia – tornou Lear, ao que Erdon o olhou perplexo. Não tinha entendido nada. O Encanta-Dragões, porém, continuou a falar, contando sobre um parente que tinha uma fazenda perto de Madrath e o que costumavam fazer com os porcos no verão.
       Então, embora o plano completo lhe escapasse, Erdon começou lentamente a compreender.

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Ilustração mostrando um camponês alimentando porcos com bolotas de carvalho, retirada do History Cookbook.

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Curtiu o início da história? Continue a ler clicando aqui.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Odisseia da Literatura Fantástica



Pessoal, para quem ainda não sabe, vou participar da III Odisseia de Literatura Fantástica em dois diferentes momentos.

No dia 11 de abril - Dia do Aluno -, às 14 horas, vou conversar com estudantes que leram meu livro "O Castelo das Águias". Depois disso, fico no evento batendo papo com quem aparecer por lá.

No dia 12 de abril, sábado, divido a mesa com Nikelen Witter e Simone Saueressig para falar sobre literatura juvenil. O bate-papo está marcado para começar às 14:30 e terminar uma hora depois - e logo em seguida, infelizmente, eu terei de correr pro aeroporto a fim de pegar o último voo com destino ao Rio.


Mesmo sem poder ficar até o fim, espero rever muita gente boa e conhecer novos amigos. A gente se vê por lá!

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Saiba tudo sobre o evento clicando aqui.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Tesouro dos Mares Gelados



O Tesouro dos Mares Gelados é uma história de aventura, mais ou menos no estilo de “A Ilha dos Ossos”, porém narrada em terceira pessoa. Seu protagonista é um dos personagens secundários mais queridos pelos leitores de “O Castelo das Águias”: o Conselheiro Thorold que Anna diz parecer “um bárbaro das Terras Geladas”.

De fato, a saga tem início nas Terras Geladas de Athelgard, uma daquelas regiões que não estão no mapa – elas se situam na porção noroeste da ilha, entre o Cabo Svaltarr e o Bosque dos Sons –, mas logo nas primeiras páginas vemos Thorold e seu irmão Karl embarcando numa jornada rumo à Ilha dos Ossos, onde talvez encontrem a cura para o mal que aflige seu tio, Sigurd Barbagris. Lá, Thorold irá se deparar com seres com os quais jamais teria sonhado, enfrentará piratas e tempestades, mas, sobretudo, passará pelo desafio de conhecer a si mesmo e fazer as escolhas certas.

A ambientação desta novela (ou conto longo, se preferirem) provavelmente irá remeter o leitor ao universo dos vikings, com seus Jarls, seus banquetes, os barcos longos tripulados por homens fortes e o espírito de conquista e aventura. E realmente o povo das Terras Geladas é inspirado nos vikings, embora eu não tenha pretendido retratá-los de forma fiel. Por sua vez, Thorold é descendente dessa raça, mas cresceu em outro lugar, pensa de outra forma – e um dos pontos de tensão nesta história é justamente o conflito entre suas ações e a maneira como seus companheiros encaram questões como a honra, a fidelidade e até o direito à vida.

Para atravessar estas águas turbulentas, nosso herói não está sozinho. Além de Karl, seu irmão mais velho (e mais teimoso), ele conta com sua tripulação – o ruivo Magni, Bjarni Bico de Corvo, Bolli o Jovem, entre outros -, e com amigos feitos de forma inesperada: o caçador Joot Pele de Foca, uma jovem fugitiva dos piratas e a xamã de uma tribo élfica. Por fim, nesta aventura os leitores de “O Castelo das Águias” irão reencontrar outra personagem muito querida, Freydis, aprendiz na Escola de Artes Mágicas .

Thorold, Freydis, Tatyana, Joot e Karl foram retratados na ilustração exclusiva de Angela Takagui para o blog do Castelo das Águias. Todos eles estão à sua espera no e-book O Tesouro dos Mares Gelados.

Espero que gostem!

quarta-feira, 19 de março de 2014

Entrevistas nos Idos de Março



Pessoas Queridas,

Neste mês de março tive oportunidade de responder a duas entrevistas nas quais falava sobre meu trabalho. Deixo aqui os links, caso vocês se interessem em me conhecer um pouco melhor.

O Julio Soares, do blog Escolhendo Livros, me perguntou a respeito de Athelgard, de Excalibur e do processo de organizar e co-organizar antologias.

Já o Rodrigo Von Kampen, editor da Revista Trasgo, quis saber sobre meus novos projetos e pediu que eu comentasse o conto "Rosas", que saiu na mesma revista virtual; esse não tem nada a ver com Athelgard, e é uma boa oportunidade para ler gratuitamente um dos textos produzidos pelo meu, digamos, "Lado Negro".

Espero que curtam!

segunda-feira, 10 de março de 2014

Thorold de Grimdale


Thorold de Grimdale faz sua aparição em "O Castelo das Águias" como um dos nove conselheiros de Vrindavahn, que deverão opinar sobre a lei relativa às águias guerreiras. Ao conhecê-lo, Anna tem a impressão de que ele se parece com "um bárbaro das Terras Geladas", e a estranheza cresce ao descobrir que Thorold é também o pai de uma de suas aprendizes na Escola de Artes Mágicas.

A confusão se desfaz mais adiante, quando reencontramos Thorold e sua filha no templo, fazendo uma oferenda a Aegir Barba-de-Espuma, o Herói que governa os oceanos e confere proteção aos marinheiros. De fato, embora resida há muitos anos nas Terras Férteis, Thorold é um homem do mar, e de suas palavras pode-se concluir que já viveu muitas aventuras nos mares de Athelgard. Além disso, é um homem decidido, bem-humorado e leal... Ou estaria ele envolvido, mesmo sem querer, na conspiração tramada pelos inimigos de Vrindavahn para subtrair da floresta as águias douradas?

A suspeita de Anna tem lugar em "O Castelo das Águias", mas a história de Thorold não termina aqui, e, claro, também não começou.
Pensando nos leitores que disseram ter ficado com aquele "gostinho de quero mais", é com prazer que apresento o novo e-book, O Tesouro dos Mares Gelados, que acaba de sair pela Coleção Contos do Dragão.

Em breve terei um post especial sobre a Saga, inclusive um desenho completo com seus personagens principais (há mais uma, além do Thorold, que os leitores do "Castelo" já conhecem). Por ora, fica este detalhe da ilustração, feita pela querida e supertalentosa Angela Takagui.

Boa viagem!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Cronologia dos Livros e Contos : Post Atualizado



Oi, Pessoas, tudo bem?

Lendo os comentários numa resenha de "Um Estranho Equinócio", dei-me conta de que alguns leitores ficam em dúvida sobre qual conto devem ler primeiro. Por isso, em fevereiro de 2014 eu publiquei uma cronologia, atualizada com os livros e contos que, mais tarde, saíram e e-book e/ou em papel.

Na época, expliquei que a ordem de leitura não era estrita -- o que continua a ser verdade -- e que os contos não ofereciam perigo de spoiler para os leitores da trilogia. Já esta segunda atualização inclui também os contos que publiquei apenas no blog, e pode ser que alguns deem pistas sobre o que acontece entre um livro e outro, mas, tendo em vista as sinopses amplamente divulgadas, não acho que os contos estraguem as surpresas da série. Pelo contrário, eles servem para ajudar a conhecer melhor os personagens, o universo, e ainda esclarecer alguns detalhes do que, nos livros, foi visto apenas por alto a fim se priorizar o andamento da trama.

Seguem os links para os livros e contos (a primeira parte destes, se for o caso) com algumas informações para ajudar na hora de escolher sua próxima leitura. ;)


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A Voz do Sangue

Conto passado décadas antes da trilogia, no Oeste de Athelgard. Fantasia sombria

O Anel do Escorpião

Esclarece a origem do anel de Kieran e lança questões sobre a natureza dos elfos de Athelgard

Descobertas

Um conto de amor. Como os avós de Anna de Bryke se conheceram?

Uma Pequena Trapaça

Sequência de "Descobertas", sobre Kyara e Raymond, avós de Anna

A Encruzilhada

O adolescente Kieran de Scyllix descobre a Magia

Além de Agora

O adolescente Cyprien de Pwilrie age em defesa de seu povo

Depois da Invasão

Uma história sobre a origem de Anna. GATILHO DE VIOLÊNCIA

Promessas da Lua

O dia-a-dia de Kieran, Doron e outros amigos no Exército de Scyllix

O Primeiro Outono

Maryan, a Mestra de Sagas, conhece Zendak, o xamã da Floresta dos Teixos

Chá da Tarde com a Arquimaga

Kieran passa por um teste na Escola de Magia de Riverast

Um Artista no Castelo

O saltimbanco Cyprien acompanha seus amigos à recém-fundada Escola de Artes Mágicas

O Eterno Retorno

Um conto da pequena Anna e sua avó - que ela enche de perguntas

A Hora dos Guardiões

Prelúdio a "Anna e a Trilha Secreta", com Lobo, Lontra e Corvo

Anna e a Trilha Secreta

A jornada de Anna entre perigos e ensinamentos dos Guardiões da Floresta dos Teixos

O Tesouro dos Mares Gelados

A saga de Thorold, o navegante, em busca dos lendários ossos de dragão

Temporada das Flores

Rydel, Mestre de Ciências da Terra, chega ao Castelo das Águias

Em Nome de Thonarr

Padraig, devoto de Thonarr, descobre sua verdadeira vocação

O Fogo Interior

Um conto de Razek, o aprendiz mais esquentado do Castelo

O Jogo do Equilíbrio

O saltimbanco Cyprien inventa um jogo inusitado - e perigoso - para ganhar seu pão

Música em Suas Tranças

Kieran já tinha ouvido falar de Anna, antes de ela chegar ao Castelo. Descubra o porquê.

Sino dos Ventos, Sino de Adeus

Os sentimentos de Thalia após a partida de seu amante, Shanion

O Castelo das Águias

Primeiro livro da trilogia, conta a chegada de Anna de Bryke, a nova Mestra de Sagas, à Escola de Artes Mágicas de Athelgard

Talismãs

Anna e seus aprendizes contam histórias que moldaram suas vidas

O Javali

Trapalhadas de Lear, o Encanta-Dragões, aprendiz de ilusionista

Um Estranho Equinócio

Mistério envolvendo uma tentativa de assassinato, narrado por Urien, mestre de Música do Castelo

O Passo Além do Círculo

Para onde irão Lear e os demais aprendizes que passam pelo teste do Terceiro Círculo?

A Ilha dos Ossos

Segundo livro da Trilogia, leva Anna e Kieran a contracenar com piratas, vampiros e saltimbancos no Oeste de Athelgard

A Grande Noite das Sagas

Os habitantes do Castelo e seus convidados contam histórias, e dois deles fazem importantes conquistas

A Fonte Âmbar

Terceiro livro da trilogia, com vários narradores. Anna e Kieran vão a Scyllix, tentar impedir que uma guerra devaste as Terras Férteis de Athelgard

Orlando e o Escudo da Coragem

Orlando é filho de cavaleiro, mas também possui o Dom da Magia. Com Vesgo, seu falcão, ele participa de um torneio inesquecível

O Espetáculo não Pode Parar

Aprendiz de saltimbanco, o jovem Zemel recebe de seu avô uma lição sobre arte, vida e resiliência

O Último Dragão de Athelgard

Vários anos após os acontecimentos da trilogia, um jovem mago parte numa missão pelas Terras Geladas, acompanhado de um amigo... improvável



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Espero que vocês tenham oportunidade de conhecer algumas destas histórias - e, se gostarem, que ajudem a espalhá-las por aí.

Até breve!