segunda-feira, 7 de maio de 2018

De Leitores Beta e Autores Encapuzados



Pois é, Pessoas Queridas...

Lá se vão dois meses desde o ponto final. Ou melhor, o primeiro ponto final. Porque, como eu tinha dito antes, a obra nunca deve ser dada como finalizada sem antes passar por revisão e, quase sempre, ser reescrita, ainda que apenas em algumas partes, de preferência depois de o texto ter estado sob outros olhos.

Falo aqui desses anjos/demônios que todo escritor deveria ter e que chamamos de leitores beta. Eles leem a obra em suas primeiras versões, quando geralmente ainda estamos inseguros e cheios de dúvidas – e, quando não estamos, é quase certo que eles arranjem algumas para a gente!

No meu caso, uma leitora fez uma observação sobre o desfecho da história, e as sugestões que deu para melhorar – e as ideias que tive durante e depois da conversa com ela – me levaram a escrever um final alternativo para o livro do Orlando. Não muda o que acontece, exatamente, mas a forma como acontece. Creio que assim vai ficar melhor, mais crível, portanto mais emocionante. E, curiosamente... Resultou em algo muito próximo do que eu imaginava fazer, com relação a esse desfecho, quando a história ainda tomava forma em minha cabeça.

Agora, vocês podem se perguntar: isso significa que você deveria ter ouvido sua intuição? Deveria ter seguido a ideia inicial, e tudo teria dado certo sem precisar de leitor beta? Foi o fato de escrever pensando num público-alvo, e não simplesmente seguir suas entranhas, que te fez tropeçar no finzinho?

Não creio. E direi a razão: é que escritor nenhum é infalível, e cada livro é como uma jornada diferente. Em alguns a gente acerta o caminho de primeira, em outros, não. Tive muita sorte por meus livros e contos publicados sem leitura beta haverem agradado à maioria dos leitores, inclusive aos editores que publicaram os livros independentes. E tive ainda mais sorte por contar com bons leitores beta e críticos nos textos que, sem eles, certamente iriam naufragar.

No caso do Orlando, a intervenção da leitora beta lembrou muito o que acontece com os falcões da história, quando têm o capuz removido. Ela me ajudou a enxergar um problema que, de outra forma, provavelmente não perceberia. Sei que isso não acaba por aqui, ainda faltam outros betas e a leitora crítica, e não é impossível que algum deles fale a favor de deixar o desfecho como estava antes. Mas sei também que, em meio a essas vozes dissonantes, encontrarei a história mais verdadeira, assim como as palavras mais adequadas para contá-la.

E  mal posso esperar para partilhá-la com vocês.

*****

Imagem retirada do "Traité de Fauconnerie'" de H Schlegel e AH Verster de Wulverhorst 

sábado, 21 de abril de 2018

Feira de Literatura Fantástica : Depois

Pessoas Queridas,

Vim contar pra vocês que a Feira de Literatura Fantástica foi um sucesso! Foram dois dias de muito movimento e muita animação na Biblioteca Parque de Niterói, com a presença de vários escritores do Rio e convidados especiais, vindos da Bahia e do Paraná!


Divulgação no Globo Niterói

Além de palestras e bate-papos que lotaram o Café Paris, houve atrações como sorteio de livros e produtos nerd/geek, mesas de RPG e jogos de tabuleiro e uma oficina de quadrinhos ministrada por Hamilton Kabuna. 



Palestra "Literatura e Distopia"


Do lado de fora da Biblioteca, os integrantes do Grupo Graal conduziram um animado treino de swordplay, luta com armas de espuma que empolgou tanto adultos quanto crianças. Ao todo, mais de 1.000 pessoas compareceram ao evento, que ajudou a divulgar a Literatura Fantástica nacional e consolidou a fama de Niterói como segunda cidade mais nerd do Brasil.



Swordplay com o Grupo Graal

Eu e os demais autores agradecemos a presença de todos, e aproveitamos para avisar: queremos muito fazer e participar de outros eventos. Conhece uma escola, universidade, centro cultural que esteja interessado em fazer uma parceria? Procure a gente através da página Fantasia Brasil e vamos conversar!


Muita gente levou LitFan pra casa!

domingo, 8 de abril de 2018

Feira de Literatura Fantástica em Niterói



       Nos dias 13 e 14 de abril, a Biblioteca Parque de Niterói abrigará um evento diferente: a I Feira de Literatura Fantástica, organizada pelo grupo Fantasia Brasil. Formado por escritores brasileiros, o grupo se dedica a realizar eventos que levem a literatura fantástica a escolas, faculdades, bibliotecas públicas e outros locais de promoção da cultura.

       O evento na Biblioteca Parque contará com atividades lúdicas e artísticas, como uma arena de swordplay (luta com espadas de espuma), mesas de RPG e oficina de roteiro de HQ; venda de produtos geek/nerd e de livros de literatura fantástica; e, claro, palestras e bate-papos com autores sobre dark fantasy, o mercado da LitFan no Brasil e outros temas de interesse.

      Eu vou participar usando meus vários chapéus. Na qualidade de curadora da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, falarei na sexta-feira sobre História do Livro, e no sábado darei uma palestra sobre Literatura e Distopias. Vou estar presente durante todo o evento, ao lado de vários outros autores e nomes atuantes da LitFan.

       Confira hora, local e a programação completa clicando aqui. Ficaremos felizes se puder aparecer, e muito gratos se ajudar na divulgação! 

domingo, 11 de março de 2018

Concluída a Primeira Versão de "O Escudo da Coragem"




Então, terminei O Escudo da Coragem. Bom, a primeira versão. Tenho um monte de coisas a esse respeito borbulhando na minha cabeça, e muitas eu gostaria de partilhar, a começar sobre como foi complicado desvencilhar esse livro do primeiro infantojuvenil de Athelgard, Anna e a Trilha Secreta. 
      Eu queria algo do mesmo estilo, planejei uma estrutura semelhante, mas depois tive que mudar algumas coisas à medida que a história crescia na minha cabeça e soluções iam aparecendo para cada impasse. Ajudou muito ter finalmente percebido que a história do Orlando não é, como a da Anna, uma jornada xamânica, está mais para um conto de cavalaria que, no fundo, segue a boa e velha jornada do herói. O simbolismo dos animais persiste, principalmente o do falcão, mas as qualidades relacionadas a eles não são tão evidentes em O Escudo da Coragem
      Por outro lado, Orlando é menino, e a questão da sororidade, que é forte no livro da Anna, não aparece neste. Em vez disso, o que aparece é a ideia de que ele pode provar seu valor de forma gentil, mostrando empatia, recusando-se a matar, tentando conciliar antes de chegar às vias de fato. Anna empreendeu sua viagem sozinha, enquanto Orlando é o tempo todo um menino entre homens -- e um menino sensível, diferente dos demais e, aos olhos de todos, menos importante que seu irmão, aquele que irá herdar o título e as terras do pai. 
      A forma como ele encara as provas e obstáculos, os vínculos que possui com sua família e seu falcão e, especialmente, aqueles que constrói com as pessoas que conhece nas Colinas Negras foram se revelando para mim à medida que eu escrevia, muito mais do que no caso da Anna, já que ela é uma personagem com a qual eu tinha trabalhado em dois livros (A Fonte Âmbar, último da trilogia, saiu depois de Anna e a Trilha Secreta) e cuja personalidade já conhecia. Orlando, ao contrário, tinha tido uma breve aparição em A Ilha dos Ossos, e além da grande força de vontade e ligações familiares eu não sabia nada sobre ele. 
     Assim, a bem dizer, o herói nasceu junto com o livro, e com ambos uma nova perspectiva do universo Athelgard. Talvez parecesse que não, mas ele ainda guardava algumas surpresas. Espero que os leitores se interessem por descobri-las.  


quinta-feira, 1 de março de 2018

Tammoren de Scyllix

Pessoas Queridas,

Mais um mês se inicia -- e com ele apresento outro personagem do universo Athelgard!


Honrado, corajoso, um excelente arqueiro – e, na opinião da Anna, dono dos olhos mais lindos do mundo.  

 Esse é Tammoren, herdeiro da Casa Âmbar. Ou melhor, do ramo que vive em Scyllix e há séculos rivaliza com os descendentes dos nobres locais, os elfos da Casa Safira. Além de ter presenciado essa rixa ao longo de toda a vida, Tammoren arca com o ônus de alguns desagradáveis problemas de família, os quais sempre o mantiveram longe de primos que ele adoraria conhecer melhor.

Quando a oportunidade aparece, eles estão à beira de uma guerra -- e, apesar dos esforços de Tam e de sua mãe, a reconciliação não parece muito provável . Mesmo assim, o jovem arqueiro tem a chance de provar seu valor e seu desejo de chegar à harmonia, tanto nas Terras Férteis, ameaçadas por um exército inimigo, quanto no seio da família.


Essa história se encontra em “A Fonte Âmbar”,  livro que fecha a Primeira Trilogia de Athelgard. Vocês conhecem?

*****

Ilustração de Tammoren por Valdir Muniz.

Para saber mais sobre as Casas da antiga nobreza élfica, clique aqui.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Escudo da Coragem: influências


Pessoas Queridas,

Como devem saber, todo escritor se inspira naquilo que leu, assistiu, viveu para escrever suas histórias.

Alguns amigos meus estão fazendo esse mapa de influências, e um teve a ideia de reunir as que são específicas para o texto em que ele está trabalhando agora. Eu copiei essa ideia: deixo aqui as principais referências para a escrita de "O Escudo da Coragem". E queria ter mais novidades sobre o livro -- mas posso dizer, ao menos, que o texto chegou a 2/3 do tamanho e que Orlando se encaminha impavidamente para enfrentar os ventos e as feras temíveis do Pico da Ambição. :)

Continuem comigo! O melhor ainda está por vir.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Mais um Trecho de "O Escudo da Coragem"

Pessoas Queridas,

Eu gostaria de dizer que o livro está mais adiantado do que previa o cronograma, mas, infelizmente, não é bem assim. Ainda estou com algumas dúvidas no andamento da trama e várias coisas na cabeça. Aos poucos, entretanto, o nó vai se desfazendo -- e, já que eu me propus a compartilhar alguns trechos, aqui vai um bem emblemático.



Vesgo passou a toda por cima do poço e voou, decidido, em direção à cortina de cipós. Atravessou-a tão rápido que Orlando nem teve tempo de se assustar, pensando que ele podia errar a mira e se esborrachar contra a parede de pedra.
-- Olhe, Grobs! O falcão voltou! – exclamou a voz estridente.
-- É o meu falcão – Orlando falou alto e avançou com a espada em punho.
-- Ah, então ele foi chamar você! Eu falei, não falei, Burni? Eu disse que esse falcão tinha cara de esperto! – afirmou o outro, animado. Agora o menino estava perto o bastante para vê-lo, deitado de lado na caverna, com a cabeça perto da abertura. Era um homem grandalhão e muito feio, com um nariz que parecia um nabo e um queixo enorme. Seu companheiro estava ao lado, um sujeito baixinho, louro, de barba comprida. Os dois estavam amarrados com cipós, que se enroscavam em torno deles desde o pescoço até os pés. Parecia bem incômodo.
-- Olá, rapaz. É um prazer vê-lo aqui, como pode imaginar – disse o baixinho, com uma careta. – Se puder nos soltar, ficaremos eternamente gratos.
-- Mas seja rápido, por favor – pediu o outro, que tinha Vesgo empoleirado no ombro. – Antes que anoiteça e eles voltem.
-- Eles, quem? – perguntou Orlando. – Por que estão amarrados desse jeito?
-- Porque estamos em viagem, paramos aqui para passar a noite e um casal de trolls apareceu enquanto dormíamos – resmungou o baixinho. – Bateram na cabeça do Grobs, e ele apagou na hora. Aí, caíram em cima de mim, e não consegui me livrar deles. Felizmente estavam de barriga cheia, mas isso só adiou as coisas: eles saíram de madrugada, dizendo que iam buscar amigos e estariam de volta para o jantar. E adivinhe o que vão servir.
-- Posso imaginar. – Orlando sentiu um frio na espinha.
-- Mas isso se você não ajudar a gente – disse o grandão. – Você vai, não é? Por favor! Nós tentamos nos soltar, sair daqui nem que fosse rastejando, mas estamos feito duas salsichas, amarrados de cima a baixo. E não apareceu mais ninguém, o dia todo!
-- Pois é. Que sorte o seu falcão ter vindo, e você atrás dele – disse o menor. – Agora é só usar essa espada e zás! Você nos solta fácil, fácil!
-- Sim, mas... mas acontece que esta é uma espada de treino – confessou o garoto. – Não está afiada, não posso usá-la nos cipós. Mas fiquem calmos! – acrescentou, vendo a aflição nos olhos dos dois. – Esperem só um pouco, eu vou correr até onde está meu irmão, e ele...
-- Não vai dar tempo! O sol já vai se pôr! – exclamou o baixinho, nervoso. – Assim que escurecer, os trolls vão sair de onde quer que estejam e voltar para nos pegar. Escute, se sua espada não corta, veja se encontra o meu machado. Acho que eles não o levaram, como fizeram com a espada de Grobs. Depressa, antes que eles voltem com os convidados!

*****

Como viram, Orlando e Vesgo estão ajudando pessoas em apuros... e, ao que tudo indica, prestes a se meter em outros ainda maiores! Onde vocês acham que isso vai dar?
Leiam e, se possível, comentem, quero muito saber como estou me saindo!