terça-feira, 20 de agosto de 2019

Rumo ao Paralelo 28 e à Odisseia!

Pessoas Queridas,

Lá vou eu para uma nova jornada, com grandes expectativas!

Minha viagem começa no dia 22 de agosto, que passarei em trânsito. Vou para Antônio Prado, cidade da serra gaúcha onde, no dia 23, visitarei duas escolas (soube que os jovens fizeram trabalhos sobre um conto meu, estou supercuriosa) e, à tarde, participarei da Odisseia Itinerante de Literatura Fantástica, que vai rolar em meio ao Festival Literário Paralelo 28. Minha mesa é com Enéias Tavares e André Cordenonsi; vamos falar de steampunk e de fantasia medieval, tudo junto e misturado!





À noite eu viajo para Porto Alegre, e nos dias 24 e 25 de agosto vou estar na VI Odisseia de Literatura Fantástica. O evento contará com venda de livros e outros produtos e com mesas-redondas de que participarão escritores, editores e pesquisadores do Fantástico.

Estou numa mesa marcada para o sábado, às 14 h, cujo tema é  “Fantasismo e a (Re) construção de mundos fantásticos”. Vou debater com André Cordenonsi, Bernardo Stamato, Leandro Pileggi e Simone Marques. Esperamos muita participação do público.


Por fim, no domingo, às 18 horas, haverá a cerimônia de entrega do I Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica, do qual meu livro Orlando e o Escudo da Coragem é um dos três finalistas na categoria Narrativa longa – literatura juvenil.


Aqui está a sinopse, para quem não conhece:

Dividido entre o Dom da Magia e o desejo de ser um cavaleiro, Orlando tem uma única certeza: ele lutará até o fim por aquilo em que acredita. E toda a sua coragem e habilidade serão postas à prova durante um torneio no misterioso Reino das Colinas Negras. Depois de “Anna e a Trilha Secreta”, este é o novo livro dedicado aos leitores mais jovens por Ana Lúcia Merege, criadora do universo Athelgard.

                                            

Curtiu? Então torça pela gente!

Até lá, ou até breve!



Veja a programação completa da Odisseia

domingo, 4 de agosto de 2019

Athelgard e os Reinos Invisíveis


Pessoas Queridas,

Em primeiro lugar, quero agradecer, muito, a todos os leitores deste blog e da nossa série pelo apoio à campanha de financiamento de Duendes: contos sombrios de reinos invisíveis. Arrecadamos bem mais que a meta inicial e, com isso, não apenas garantimos que o livro chegasse a mais leitores (nada menos que 175!) mas também que ele fosse incrementado com brindes, descontos e dois textos extras, entre os quais um conto inédito do Eduardo Massami Kasse. Tenho certeza de que vocês vão gostar!




Aproveitando o ensejo, decidi falar um pouco sobre os Reinos Invisíveis de Athelgard, que não apareceram muito na trilogia do Castelo nem nos primeiros contos publicados. Claro, o universo é habitado por elfos e seus descendentes, e deve ter ficado claro que existem seres, digamos, fantásticos, como dragões e unicórnios. Também temos os espíritos animais que aparecem com mais força em Anna e a Trilha Secreta. Mas fadas, duendes... Será que o Povo Pequeno existe em Athelgard?

A resposta começou a ser descortinada no conto De Poder e de Sombras, publicado na coletânea Magos: histórias de feiticeiros e mestres do oculto. Kieran, então um jovem mago, tem de agir (meio a contragosto) em parceria com seus colegas para enfrentar elementais do fogo, que são conjurados através de um ritual mágico e nem sempre se comportam como previsto. No ano seguinte, foi a vez de Orlando, futuro aluno do Castelo das Águias, e seu falcão Vesgo adentrarem os domínos de Turnedil, nas Colinas Negras – onde, para seu espanto, ficam sabendo da existência de um Reino Invisível composto por vários territórios, cada qual com suas próprias regras e certamente nem todos amigáveis.

Vemos, dessa forma, que existem criaturas como trolls, ogros e anões (SIM! Há anões em Athelgard!), além de outros seres que podemos considerar como pertencentes a raças feéricas. Algumas delas serão mostradas em histórias por vir, bem como seus reinos, e eu me arrisco a dar um pequeno spoiler lembrando que, no final de A Fonte Âmbar, fomos apresentados a alguém que não apenas traz a Magia nas veias mas foi concebido em condições especiais, num lugar mágico. Isso faz com que essa pessoa tenha facilidade em transitar entre as dimensões e visitar os Reinos Invisíveis, além de outros lugares até agora inacessíveis. Esperemos que cause mais Bem do que Mal...!

Até a próxima, grande abraço a todos!

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A imagem é de um dos postais que serão enviados aos apoiadores de Duendes, com arte de Arthur Rackham. Falo um pouco sobre ele no blog Estante Mágica; ficarei feliz com sua visita!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Duendes : campanha no Catarse


Pessoas queridas,

Venho apresentar o meu novo projeto na Editora Draco. Trata-se da coletânea Duendes : contos sombrios de reinos invisíveis.

O livro reúne dez (talvez venham a ser onze!) dos melhores autores nacionais de fantasia, cujas narrativas mostram o Povo Pequeno em seu aspecto mais sinistro. Algumas são ambientadas no mundo contemporâneo, outras se inspiram em histórias tradicionais de várias culturas: a britânica, a eslava, a japonesa, a latino-americana e, claro, a brasileira. Muito mais do que simplesmente histórias bem contadas, trazemos um sólido trabalho de pesquisa em mitologia e folclore, que serviu para embasá-las e alinhavá-las.

A capa do livro, ainda não finalizada. Não está ficando o máximo?

Teço esta rede com minha experiência de vários anos pesquisando de mitos e contos de fadas. Os fios se estenderam pelas mãos de Aya Imaeda, Cristina Pezel, Daniel Folador Rossi, Diego Guerra, Isa Próspero, Luiz Felipe Vasques, Sid Castro, Silas Chosen  e Simone Saueressig (se atingirmos as metas extras, haverá mais um – surpresa!).

Para incrementar a pré-venda, a Editora Draco deu início a uma campanha no Catarse, através da qual a obra pode ser adquirida com desconto, brindes, como postais e marcadores de página, e ainda em conjunto com os outros livros de fantasia da editora, tais como as demais coletâneas organizadas por mim: Excalibur, Medieval (coorganizada com Eduardo Kasse e Prêmio Argos de Ficção Fantástica em 2017) e Magos (Prêmio Argos de 2018).

Neste momento, além de ter batido a meta inicial, já desbloqueamos duas metas extras. Atingindo as próximas, teremos um posfácio escrito pela Flávia Gasi, doutora em Semiótica, sobre o imaginário dos duendes, e um conto extra pelo Eduardo Kasse, unindo uma imortal da série Tempos de Sangue, uma personalidade da história da Arte e, claro, um duende bem sinistro! 

Se você curtiu a ideia, não hesite: dê um passo à frente, acesse o link do Catarse. Se não é muito fã de duendes e folclore, ou de fantasia sombria, tudo bem – mas ficaremos muito gratos se compartilhar o link, esta postagem ou os nossos posts em redes sociais. 

sábado, 6 de julho de 2019

Rumo à Casa Fantástica da FLIP

Pessoas Queridas,

Venho convidá-los para nossa mesa de bate-papo "Como Formar Leitores Fantásticos" na Casa Fantástica da FLIP.

A Casa é uma iniciativa da Priscilla Lhacer, editora da Presságio, apoiada por vários escritores, editores, divulgadores e demais pessoas ligadas à Literatura Fantástica, que acontece dentro da FLIP, em Paraty, entre os dias 10 e 14 de julho.


Minha mesa será sobre mediação de leitura com foco na Literatura Fantástica e tem participantes de peso, como podem ver acima. Quem se interessar pelo tema e estiver pela FLIP nesse dia fará bem em dar um pulinho lá. E quem curtir Literatura Fantástica não sairá decepcionado, pois teremos venda de livros e HQs e várias mesas legais.

Confiram a programação completa. Esperamos vocês!

domingo, 2 de junho de 2019

Eventos de Maio - Fotos e Lembranças


Eu já estava ficando impaciente, confesso. O ano avançava, avançava, e nada acontecia. Estava escrevendo, claro, e trabalhando na BN, mas nada de eventos literários. Eu estava com saudade!

Felizmente, em maio surgiram os primeiros convites para eventos, a começar pela oficina de Criação de Mundos Fantásticos que ministrei na UFRJ-ECO, no decorrer da SIQ - Semana Internacional de Quadrinhos.


Ao meu lado estava o grande amigo e "parceiro de doideiras" Luiz Felipe Vasques. O público, formado na maioria por estudantes da ECO, adorou a oficina, e já estamos sendo sondados para fazer outra edição. Ainda não tem nada certo, mas... Quem sabe?



Já no dia seguinte foi a vez de falar com o público mais novo, no SESC Niterói. Escrevo para crianças na faixa dos 9 anos para cima, mas esse grupo era bem variado, dos 6 aos 12 anos de idade, além de alguns educadores. 


Sem problema: todo mundo era bem animado, e foi muito legal conversar com eles, contar como é ser escritor e ficar sabendo que vários também escrevem histórias e poemas.



Por fim, nos dias 25 e 26 de maio aconteceu o NitComics, quando eu e a Cristina Pezel, minha companheira nos eventos do grupo Fantasia Brasil, levamos nosso trabalho para expor no Praia Clube São Francisco.



Embora mais voltado para os quadrinhos e quadrinistas, o evento trouxe uma oportunidade de interagir com o público, o encontro com alguns amigos e a surpresa de ver ali vizinhos, conhecidos e antigos colegas da minha filha.



E, dentre essas surpresas legais, teve a do menino que correu para comprar "Anna e a Trilha Secreta", que ele tem de ler na escola (assim fiquei sabendo que o livro foi adotado de novo no Salesiano!) e a do rapaz que comentou ter comprado um livro da Editora Wish sobre contos de fadas. Ele mal acreditou quando lhe contei quem fez o prefácio. ;) 


Enfim, maio trouxe ótimas oportunidades de estar com o público, de conversar, de mostrar meu trabalho. Foi um ótimo "esquenta" para os próximos meses, nos quais teremos muito agito e incríveis novidades. Palavra de lobo -- ou, como dizem uns personagens muito gracinha da minha amiga Cláudia Du, juro pelas estrelinhas!

Continuem comigo! Eu chamo vocês. 

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Presença na Nit Comics 2019

Pessoas Queridas, fim de semana tem NitComics! Espero vocês!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Chá da Tarde com a Arquimaga (Parte 3)



O fogo crepitou, e o ruído levou embora as imagens, embora não sua perplexidade. Kieran olhou para a tigela, só então percebendo que a esvaziara, depois para a Arquimaga, que não olhava para ele e sim para o papel que em algum momento fizera surgir sobre a mesinha. Havia uma pena de ganso em sua mão, ela escrevia muito rápido, como se soubesse exatamente o que havia a ser dito. Dobrou o papel, inserindo-o num envelope, e o estendeu para o jovem mago, só então deixando que seus olhos voltassem a se encontrar com os dele.
-- Muito obrigada, Kieran, por ter feito o chá. Isso me ajudou a compreender algumas coisas – disse ela. -- Agora, peço-lhe que vá ao lugar indicado no envelope e entregue a mensagem ao dono da casa. Ele saberá o que fazer.
Sua voz tinha uma nota mais grave, uma vibração que ele sabia carregada de energia mágica. Ela me encantou, pensou Kieran, mas não tentou lutar, porque não teria conseguido vencê-la e porque, mesmo naquele estado próximo ao transe, tinha a consciência de que nada do que fora feito ali lhe causaria algum mal. Seus dedos se fecharam em torno do envelope; ele viu a si mesmo se levantando das almofadas, ouviu sua própria voz cumprimentando a Arquimaga, o som de seus passos se dirigindo até a porta. Cruzou a vila às escuras e passou pelo portão, e só ao atravessar o jardim – vazio, silencioso, iluminado por meio de um encanto que o fazia parecer cheio de vaga-lumes – voltou a controlar a si mesmo o suficiente para ler o que estava no envelope.
-- Praça do Mercado, casa com janelas azuis – murmurou, e franziu a testa. Era um endereço, mas não lhe dizia nada. Também as palavras da elfa, ao se despedirem, não tinham deixado nada claro: se Kieran fora finalmente admitido à Escola de Magia, se fora rejeitado, se seu período de experiência devia prosseguir e um novo teste o aguardava na casa de janelas azuis. Ele seguiu em direção aos portões da Escola, passando por uns poucos estudantes, que deviam estar a caminho do refeitório, e por um empregado que carregava um ancinho e um saco abarrotado de folhas secas. Ninguém o cumprimentou; tampouco o fizeram as pessoas com as quais cruzou ao sair e se dirigir à Praça do Mercado. Uma cidade de estranhos, um mundo de estranhos. Muito cedo ele aprendera a ver as coisas assim.
E agora, mal recobrado do encanto da Arquimaga, estava prestes a bater à porta de mais um estranho. Este vivia no centro da cidade, numa casa de dois andares, como várias dentre as que o Conselho de Riverast cedera aos estudantes de Magia. Talvez até estivesse diante de uma delas, pensou Kieran, vendo que havia uma tabuleta sobre a porta azul. Talvez a Arquimaga houvesse decidido transferi-lo para lá. No entanto, assim que bateu, ele se lembrou de que a elfa o mandara falar com o dono da casa, e não com os veteranos, e ao erguer os olhos para a tabuleta não encontrou o nome de uma residência. Em vez disso, havia a pintura chamativa de um alaúde e um trecho de música, e ele se perguntava o que aquilo podia querer dizer quando um meio-elfo de barba rala e olhos vivos surgiu à porta.
-- Boa noite! Como lhe posso ser útil? – perguntou, com uma mesura brincalhona que era também um convite para entrar. Sem saber o que dizer, Kieran avançou e lhe estendeu o envelope, ao mesmo tempo que relanceava os olhos pela sala. Estava quase às escuras, exceto pela lâmpada que o meio-elfo pousara sobre um balcão, e os móveis consistiam em bancadas sobre as quais havia cítaras e alaúdes em vários estágios de construção ou restauro. Uma dezena de outros, completos e em bom estado, estavam presos à parede, o que acabava de completar o quadro: esta não era uma residência da Escola de Magia, e sim a loja de um fabricante e comerciante de instrumentos.
E ele – o dono da casa em pessoa – tinha acabado de ler a mensagem da Arquimaga.
-- Pelas barbas de Bragi! – O artesão invocou o protetor dos bardos, deu uma risada divertida. – Então você é um mago poderoso, mas tem que controlar sua raiva? E devo lhe ensinar música? Seria melhor eles admitirem de uma vez que o tal Camdell estava certo e não há Magia sem Arte... não é verdade?
-- Não entendi – Kieran se retraiu.
-- Ah, me desculpe. Isso não vem ao caso. Ocorre que a Arquimaga me escreveu dizendo que você, ah – lançou os olhos à carta --, Kieran de Scyllix, tem um Dom muito forte, é honrado e procura ser justo, mas seus modos são grosseiros e sua personalidade é uma desgraça. Ela pediu que eu lhe ensinasse um instrumento, à sua escolha, para equilibrar sua energia; e tem mais – acrescentou, vendo o rapaz abrir a boca, indignado. – Mandou avisar que essa é uma condição inegociável para que você continue na Escola. A Mestra Shiri vai lhe indicar os cursos de Magia que deve seguir e eu vou reportar seus progressos na música.
-- Você só pode estar brincando – murmurou Kieran, sentindo o sangue esquentar suas faces.
-- De jeito nenhum. Você não é o primeiro que ela me envia – replicou o artesão, sem se intimidar. – Bom, é tarde para uma primeira aula, mas seria bom já escolher um instrumento. Deixe-me ver suas mãos. Hum, parecem boas, ágeis, dedos longos... Mas você não tem cara de quem vai gostar do alaúde. Vamos tentar uma cítara. Melhor ainda: uma harpa. Veja esta aqui, eu a consertei há poucos dias, é simples e de boa qualidade. Experimente!
Empurrou o instrumento contra o peito de Kieran, ainda não refeito do choque. Suas mãos se fecharam sobre a madeira polida enquanto tentava decidir: aquilo era mais um teste, proposto pela Arquimaga após o encontro para o chá; ou talvez o encontro houvesse sido o verdadeiro teste, ela o usara para saber quem era aquele rapaz e o que ele escondia por trás de suas defesas.
-- Experimente – insistiu, persuasiva, a voz do artesão. Kieran deixou as pontas dos dedos correrem sobre a harpa – salgueiro, pressentiu, mais do que reconheceu – e ao longo das cordas de tripa torcida. Uma nota quase inaudível se elevou dali, e ele repetiu o gesto, agora com mais vontade, o som trazendo à sua mente a imagem de um arco-íris refletido na água. Nada mau, pensou, lembrando os versos que escrevera quando adolescente e nunca mostrara a ninguém, envergonhado, não da poesia em si, mas de perder com ela o tempo precioso que deveria ser dedicado à Magia.
E agora – finalmente ele percebeu, e se sentiu tolo e vitorioso por isso --, agora uma das magas mais sábias de Athelgard o autorizara a fazê-lo. Mais que isso, ela ordenara que o fizesse, trouxera a Arte como um presente de volta à sua vida. Por intermédio da música, dessa vez, mas isso também foi uma escolha sábia, Kieran nunca fora muito bom com as palavras. Ele pensou em como contaria sobre o encontro aos companheiros de residência, adivinhou o seu espanto, o alívio de alguns, talvez algum sarcasmo por parte de Isel. Pensou também que poderia, quando saísse dali, comprar um bolo numa das bancas ainda abertas do mercado e comer com eles.
E ao dedilhar mais uma vez as cordas da harpa, antes de devolvê-la ao artesão e seu futuro mestre, Kieran de Scyllix fechou os olhos e voltou a sentir o gosto das flores de tília. Antecipando a paz no abraço do menino de olhos negros. Ouvindo o som de um amor vitorioso na risada da moça de tranças. 

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Parte 1

Parte 2

E agora que você já sabe que o futuro Mestre de Magia do Pensamento continuou em Riverast, que tal ler uma história dele, também ambientada lá, e de quebra onze contos de autores incríveis sobre Magos e Magias? Eles estão nesta coletânea , publicada pela Editora Draco, que venceu o Prêmio Argos 2018!

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Obrigada por terem chegado até aqui. Espero que continuem acompanhando as histórias de Athelgard!