segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Horizonte : conto de Júlio Soares (Parte 1)



O mundo era infinito.

A jovem elfa Vergena de Thaelke tinha os olhos sobre o horizonte. As luzes do sol se fundiam àquela linha de possibilidades, e as cores dançavam em passos dourados e violetas. Ela fechou os olhos, sentindo a brisa balançar seus cabelos. Era o primeiro dia desde que deixara o Castelo das Águias para seguir seu próprio destino como futura Mestra das Águias. Disseram-lhe para seguir o caminho de barco até Erchedel e, de lá, prosseguir até Scyllix. Mas aquilo seria fácil demais para a maga. O mundo era muito grande e incrível para ela buscar atalhos. Resolveu pegar um rumo através das florestas até Mestyen, de onde enfim pegaria um barco até Erchedel e outro para a cidade dos guerreiros.

No dia anterior, Vergena havia encontrado o seu antigo mestre, Kieran, e sua esposa, Anna de Bryke. Ambos, apesar das diferenças de idade e cultura, faziam um belo casal.

– Vá acompanhada de toda a proteção dos Heróis e do Grande Espírito, Vergena – disse-lhe Anna, carismática.

– Tenho certeza de que será a melhor Mestra das Águias que Athelgard jamais virá a conhecer, Vergena – a voz de Kieran tinha um misto de hesitação e orgulho.

– Agradeço, mestre. Você sempre foi e será o meu maior professor e inspirador. Eu sei que as pessoas desconfiam de mim devido ao fato de Hillias ter me convidado para esse cargo, mas provarei que não sou como ele. Serei, além de Mestra, amiga das águias.

– Eu sei que será, Vergena – respondeu o seu professor. – Você sempre vence as suas lutas.

– Sei que ouviremos muitas histórias sobre você – complementou Anna. – Já está convidada para, um dia, voltar ao Castelo e contá-las você mesma.

– Eu virei sim, muito obrigada.

Agora só tinha como companhia as lembranças e suas provisões. Seguiu caminho pela costa, passando pela Floresta das Águias, para dar uma última olhada nos animais que tanto respeitava e admirava.

– Espero que sejamos bons amigos – disse às aves, antes de seguir pela floresta.

Após quatro dias de viagem, ela encontrou uma pequena vila, que logo viu ser Caer Fair. As casas eram pequenas e ornamentadas com símbolos nas portas. Eram versões primitivas de sigilos de proteção que aprendera a fazer nas aulas do Segundo Círculo. Foi até o mercado para se reabastecer de água e alimentos. A idosa que a atendeu tinha olhos vigilantes:

– É incomum elfos andarem por essas bandas. Principalmente magos.

– Você é observadora, senhora. Aprecio isso.

– Obrigado. Mas você não o é menos que eu, vi que olhava para os símbolos que tenho nas paredes com muita curiosidade.

Era verdade, Vergena estava atenta aos sigilos ali encontrados. Eram vários deles, pintados em tinta branca, aparentemente às pressas.

– Sim, não pude deixar de notar.

– Estes são símbolos da Antiga Sabedoria de meu povo que são utilizados para proteção e expulsão de espíritos malignos. Ultimamente a vila anda sendo atacada por forças desconhecidas. Nós só podemos nos defender e aguardar o Sol voltar pela manhã. – Fez uma pausa. – Pelo que eu vejo, você está seguindo para a floresta. Se me permite um conselho: volte para casa. As sombras guardam poderes obscuros e poderosos demais.

– Como ousa, velha?! Eu sou uma Maga do Círculo Menor, sei muito bem como me cuidar. Agradeço sua preocupação, mas meu caminho é por minha conta. – Havia uma fúria contida em sua fala.

Seguiu viagem por dias, dormindo na relva, banhando-se em riachos e bebendo água da chuva. Arriscava-se pouco a caçar, pois achava os poucos animais que encontrava pequenos e fáceis de capturar. Todos os dias ela parava por algumas horas para treinar seu domínio da Magia da Forma e do Pensamento e artes marciais. Vergena gostava de treinar sempre o básico, aprendido no Primeiro Círculo da Escola de Artes Mágicas, pois acreditava que uma base forte era importante para se tornar uma maga cada vez melhor.

Certo dia, encontrando uma clareira, aproveitou para treinar suas habilidades mágicas. Fez um círculo de proteção para afastar possíveis perigos e sentou-se no centro. Cruzou as pernas e fechou os olhos, tranquilizando a respiração e relaxando os músculos. Quando abriu as pálpebras, focou o olhar no céu, observando as nuvens. Prestou atenção em uma delas, de tamanho médio e formato singular. Lentamente, começou a imaginar a composição dela, sentindo o frio e a umidade de cada partícula da nuvem. Imaginou esta se dissolvendo lentamente, como se fosse limpa por uma borracha. Não demorou muito até que a nuvem sumisse completamente do céu. Voltou então o olhar para uma árvore à sua frente, e, com um pouco mais de esforço, as folhas começaram a cair, grudando em seu cabelo.

– Você é boa, menina. Aquele rato molhado do Kieran iria se orgulhar de ver isso – interrompeu uma voz grossa e irônica. Vergena deu uma cambalhota para trás, pegando a espada curta e seu bastão, atenta e pronta para lançar uma carga energética na direção da voz.

Continua...

E então? Deu para saber quem é o personagem que vai contracenar com a Vergena a partir de agora? Deixem aqui seus palpites - e não deixem de conferir a ilustração exclusiva da Angela Takagui no próximo post!


3 comentários:

  1. É o Doron? :3 :3 :3

    Adorei o conto! Esperando mais...

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  2. Oi, Ana,

    Esquece sim! Você esqueceu do que foi escrito em 8 de abril de 2011...

    beijos,
    vania

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