sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A Grande Noite das Sagas - Parte 2


     -- Deixe eu ver se entendi, Mestra Anna – disse Andi, com a testa franzida. -- É para todo mundo no Castelo? Todos mesmo?
     -- Todo mundo – confirmei. – Mestres e aprendizes da Escola, os artistas e artesãos que vêm trabalhar na Ala Violeta e os empregados, residentes ou não. É para toda a nossa comunidade, como se fôssemos...
     -- Uma tribo – completou Freydis, olhando-me com ar cúmplice.
     Assenti, feliz por ter alguém que me entendia sem lançar mão de algum encanto de Magia do Pensamento. Os aprendizes mais velhos faziam isso às vezes, comigo, com os mestres de Ciências do Céu e da Terra e todas as demais pessoas da Escola que não possuíssem o Dom. Não era por mal, apenas uma forma de praticar o que sabiam e testar a si mesmos. Ainda assim, eu tinha dito a eles que não gostava daquilo, e Kieran transformou minha queixa numa proibição, de forma que, agora, era muito raro alguém se arriscar a ler a mente da Mestra de Sagas.
     Freydis não tinha como estar nesse caso. Ela mal chegara ao Segundo Círculo do aprendizado e nem sequer nascera com o Dom, embora Finn e Kieran tivessem poucas dúvidas de que iria desenvolvê-lo. Sua percepção a meu respeito vinha da observação e da empatia, pois tínhamos muito em comum, apesar das diferenças de posição e de idade. E, apesar de ter dois grandes amigos com quem contar em todas as ocasiões, havia alguns segredos que ela preferia partilhar apenas comigo.
     Os meninos eram diferentes, embora também adoráveis, cada um a seu modo. Orm era corajoso e um pouco bravateiro, assim como Freydis, porém mais prático e tranquilo do que ela. Já Andi, o meio-humano, era talentoso e criativo, mas tinha um temperamento hesitante e costumava imaginar que tudo acabaria em catástrofe. Os mestres do Primeiro Círculo tinham um cuidado especial ao falar com ele, para não intimidá-lo, e eu tinha pedido o mesmo a Kieran. Ele prometeu que teria cuidado, ao mesmo tempo afirmando que o menino não ficaria muito mais tempo no Castelo das Águias. Com tanta imaginação, tanto jeito para a música e a poesia, era provável que logo regressasse a Kalket, sua terra natal, e entrasse para uma das escolas bárdicas – de onde, aliás, Andi jamais dissera por que tinha saído.
     Se eu pudesse fazê-lo contar essa história, seria uma vitória para nós dois.
    -- Vai ser uma noite especial, mas preciso de ajuda, tanto para convidar as pessoas quanto para convencê-las a participar do jeito que estou pensando – disse eu para os três, mas principalmente para Andi. – Claro que vou contar histórias, Urien também, e vamos ter muita música feita por ele e os aprendizes, mas em dado momento quero ouvir algumas contadas pelos convidados. Vocês poderiam começar, pois estão acostumados a fazer isso nos nossos encontros.
     -- Claro! Vou contar a história da Menina Foca – prometeu Freydis, mas em seguida franziu a testa. – Ou uma diferente seria melhor?
     -- Podia contar alguma história das Terras Geladas, da família do seu pai. A de sua avó, com o unicórnio da neve, seria perfeita – disse Orm.
     -- Hum, eu sei como é essa história, mas não me lembro dos detalhes. Vou perguntar ao paizinho. Aliás – Freydis voltou para mim seus olhos escuros, cheios de expectativa --, sei que é para as pessoas do Castelo, mas será que eu poderia chamar meus pais, e talvez o tio Joot? Eles adoram ouvir histórias. Podem até se animar a contar as deles, como você quer.
     -- Se eles puderem vir, quero chamar minha família também. Pelo menos meu avô – disse Orm.
     -- Hum... Bom, está certo. O Comandante Owen pode vir, e seus pais também, Freydis – disse eu, sabendo que isso significava que eles trariam os agregados: Joot, o velho pescador das Terras Geladas, e Bran, um jovem piloto que se tornara uma espécie de filho adotivo. –- Mas vamos evitar trazer mais gente de fora, pelo menos desta primeira vez. Se tudo der certo e, claro, se o Mentor concordar, poderemos ter de vez em quando uma Noite de Sagas com mais convidados. Mas, por agora, bastam os que são ligados ao Castelo.
     -- Certo! Pode contar com a gente – disse Freydis, animada. – Eu vou falar com os outros aprendizes. Orm pode falar com os empregados, todos gostam muito dele, principalmente o pessoal da cozinha. E Andi, com os mestres e ajudantes da Ala Violeta.
     -- Sim, senhora, minha Comandante! – exclamou Orm, o que lhe valeu um belo soco no ombro.
     -- E quero ouvir uma história sua, Andi. Você é um dos meus melhores aprendizes – falei, prestando atenção à reação do menino. – Gostaria que incentivasse os demais.
     -- Ah... Eu, bom... Olhe, eu posso tocar – disse ele, com as faces levemente vermelhas. – Posso acompanhar qualquer pessoa que conte histórias. Mas na frente de tanta gente eu... Eu não sei se vou ter coragem.
     -- Bom, eu acho que você consegue. Mas não quero forçar – assegurei, antes que ele se fechasse ainda mais. – Pense nisso com carinho. Nesse meio-tempo, ajude os dois a fazer os convites. Para daqui a quatro noites, lembrem-se. E podem dizer que vai ter um jantar muito bom com aquela cerveja reservada para os mestres. Isso vai ajudar a convencer algumas pessoas.
     -- Vai mesmo! Pode deixar – piscou Orm, e nos despedimos naquele clima cheio de boa-vontade e otimismo.
      E – talvez por uma bênção especial do Grande Espírito – a acolhida não foi diferente, quando conversei com o único outro habitante da Ala Azul.
     Muitas pessoas achavam que vivíamos isolados, e talvez essa tivesse sido mesmo uma das razões para Kieran escolher seus aposentos quando chegou ao Castelo das Águias. Julgando por mim, no entanto, eu achava provável que a Ala Azul também o houvesse conquistado. Era a mais antiga, toda de pedra, ao estilo dos homens das Terras Férteis; tinha três torres, uma das quais tinha servido de habitação aos senhores de Vrindavahn até que Theoddor, o último descendente, optasse por um cômodo térreo na Ala Rosada, a mais próxima da floresta que ele tanto amava. Rydel, que o sucedera como professor de Ciências da Terra, vivia lá agora, e eu fora sua vizinha de cima por algumas luas até me mudar para a Ala Azul com o mago que se tornaria meu marido. Nem discutimos quanto a esse ponto, porque eu também adorava nossa torre, com janelas que descortinavam as mais belas vistas de Vrindavahn, móveis antigos e elegantes e os cômodos aquecidos por lareiras e tapeçarias. Ali, só ali, a pele de urso que meus parentes me deram de presente de casamento não parecia deslocada – e ali, mais do que qualquer outro lugar, o homem que lia recostado nos travesseiros me parecia aquele com quem eu queria passar o resto da vida.
     -- Você aqui, a essa hora? – perguntei, pois de fato não esperava encontrá-lo. – Achei que você e Finn estariam fora de alcance o dia todo.
     -- Não. O trabalho com o Terceiro Círculo já terminou, felizmente. E agora é você que pode se pôr ao meu alcance.
     Sorriu, aquele sorrisinho torto que dizia tanto em silêncio, e deixou o livro de lado, bem no momento em que eu deslizava para junto dele e me aninhava em seus braços.
     -- Sua trança está meio desfeita. Deixe-me arrumar – disse Kieran; e, claro, o que fez foi acabar de soltá-la. – Que cabelo macio...! Quanto tempo eu tenho com você antes que fuja para planejar sua Grande Noite das Sagas?
     -- Ah, já está sabendo? Quem lhe disse? – perguntei, com uma ponta de apreensão. Se houvesse sido Urien, havia um risco de ele ter falado além do que deveria. Kieran, porém, disse que soubera através de Camdell, a quem eu e o mestre de Música havíamos consultado, logo de manhã, para saber se podíamos prosseguir com os nossos planos. Claro que o Mentor havia adorado a ideia.
     -- Eu também acho que vai ser bom – disse meu marido, ainda com o nariz afundado no meu cabelo. – Uma noite com música e ouvindo histórias... Principalmente se forem as suas.
    -- A ideia é que não sejam só as minhas. Mas, claro, vou contar algumas também, possivelmente abrir a noite. Você me acompanha com a harpa, não é? Pelo menos em uma ou duas, para revezar com o Urien?
     -- Claro que sim. – Kieran pegou minha mão esquerda, afagou dedo por dedo, com ar pensativo. – Estou curioso com as histórias que vai escolher.
     -- Alguma coisa sobre a viagem à Ilha dos Ossos, certamente. E uma que aprendi na Floresta do Sol. Precisa saber com antecedência? Para ensaiar um pouco, talvez?
     -- Ah, não. Pode me surpreender – disse ele, e se voltou para mim, com os olhos brilhando e um sorriso ainda mais eloquente. – Na verdade, acho que esse pode ser o melhor momento da noite.


***

Continua....

Parte 1

Parte 3

domingo, 11 de setembro de 2016

A Grande Noite das Sagas - Parte 1


Pessoas Queridas,

Hoje começo a postar uma novela para os leitores do blog e, simultaneamente, no Wattpad. Ela se passa no inverno seguinte àquele em que Anna e Kieran regressaram da Ilha dos Ossos; estão de volta ao Castelo das Águias, convivendo com mestres, aprendizes e amigos da cidade de Vrindavahn. Sigam os links para conhecer (ou lembrar de) algumas dessas pessoas e situações.

Espero que curtam, comentem e chamem os amigos! :)


       -- Acho que o Nils nunca soube, mas fiquei de olho nele desde que entrou para o serviço do Castelo. Ele já era cocheiro antes, mas trabalhava para um mercador e viajava muito, por isso comia mal e estava sempre com dor de barriga. Ela não funcionava, sabe? E ele às vezes parava o que estava fazendo e ficava ali, sem soltar um ai, mas com aquela cara de sofrimento, até que a dor melhorasse e ele pudesse voltar ao trabalho. Acho que gostei dele por isso: porque fazia o que tinha fazer. Não se queixava nem se aproveitava da bondade do Senhor Theoddor para ficar encostado... Mas, Mestra Anna, o que está fazendo? O creme vai dentro da massa e não por cima, lembra?
       Pisquei, olhando para a bandeja à minha frente, e assenti. Netta balançou a cabeça, como se dissesse que eu não tinha jeito, e foi mexer a sopa enquanto eu consertava os doces de amêndoa. Não falou mais, talvez porque soubesse que sua história tinha me envolvido e me levado a cometer o erro, e eu contive minha curiosidade pela mesma razão. Bom, pelo menos até que os doces estivessem prontos.
       -- Continue, Netta. – Levantei-me, segurando o tabuleiro. – Como foi que você chamou a atenção de Nils? E foi você que o ajudou com aquele problema?
       -- Ah, as coisas foram acontecendo – disse ela, dando de ombros. Deixou o caldeirão em fogo baixo e me seguiu até perto do forno, onde dançavam chamas alegres e cujo calor fazia esquecer o inverno úmido e sombrio lá fora.
       -- Cuidado para não se queimar – recomendou Netta. – Agora é deixá-los pouco menos de uma hora. Vou manter o fogo alto, e quando vocês acabarem de jantar os doces estarão prontos.
       -- Não se esqueça de separar alguns para o Kieran – pedi. – Ele não vai comer até o meio-dia de amanhã.
       -- Eu sei. Ele, Mestre Finn e Mestra Thalia. Ah, que tristeza eu sentiria se fosse casada com um desses magos. Imagine, passar o dia cozinhando para depois não poder alimentar meu marido!
       -- Mas pode alimentar o seu – insinuei, querendo trazer a história de volta. – Aposto que Nils melhorou comendo o que você preparava. Acertei?
       -- Deve ter sido. Ah, mas já faz tanto tempo... E veja só, a sopa está borbulhando! Lori, o queijo! – gritou ela para sua ajudante, que estava no extremo oposto da cozinha.
       -- Num instante! – veio a resposta.
       -- Ande rápido, que os meninos devem estar morrendo de fome! – disse Netta, voltando a mexer a sopa. Com a destreza conseguida em anos de prática, ela passou várias conchadas para um recipiente menor, depois fez um sinal para dois empregados do Castelo, que tinham chegado momentos antes e se achavam a postos. Eles ergueram o pesado caldeirão de ferro, passaram por Lori, que atirou lá dentro várias mancheias de queijo em fatias, e seguiram para o refeitório, onde foram recebidos com vivas pelos aprendizes agasalhados até as orelhas.
       -- Vá jantar, Mestra Anna. Os outros mestres já devem estar esperando – disse Netta, que agora se ocupava de uma enorme panela contendo frango cozido. – Ida já está quase saindo daqui com a sopa.
       -- Vou, sim, mas outro dia quero acabar de ouvir a história – repliquei. Ela fungou, de costas para mim, e não disse nada. Acenei para Lori, que ria abafadamente no seu canto, e para Ida, a moça que esperava para servir nosso jantar, e deixei a cozinha, seguindo o corredor que conduzia à sala de reuniões.
       O aposento amplo, mobiliado com elegância sóbria, onde discutíamos questões da Escola e dos alunos era também onde costumávamos jantar. Quase sempre fazíamos as duas coisas ao mesmo tempo. Hoje, porém, a conversa prometia ser mais amena, pois três dos sete mestres de Magia estavam ausentes, envolvidos com a orientação dos aprendizes do Terceiro Círculo. E como quase sempre acontecia nessas ocasiões, Urien se achava impaciente à minha espera.
       -- Hoje o ranzinza do seu marido está ocupado – disse ele, de forma que só eu o escutasse. – Vamos aproveitar o tempo?
       -- Podemos. Mas Kieran não é ranzinza.
       -- Como não? Ele tem muitas qualidades, admito, mas é também um rabugento de primeira – declarou Urien, e então ergueu a voz. – Ah, lá vem a sopa! Nada melhor numa noite fria como esta!
       -- Nem me diga – suspirou Rydel. – Eu tinha uma festa para ir em Vrindavahn, mas Benios desistiu. Não quis andar pela cidade debaixo da chuva, mesmo não estando muito forte. E não quis vir passar a noite comigo. Acho que o frio desencoraja as pessoas.
       -- Isso aqui, nas Terras Férteis. No Norte há grandes festas e encontros que acontecem no inverno – tornou Urien, servindo-se da sopa onde boiavam fios de queijo derretido. – Festas das boas, com salões decorados, muita bebida, malabaristas, bardos...
       -- É que as pessoas ficam mais próximas – comentei. – A nossa tribo, por exemplo, se reúne muito mais no inverno, porque é difícil achar caça e fazer qualquer coisa ao ar livre. Então visitamos uns aos outros, sentamos ao redor do fogo e comemos carne seca e frutinhas que guardamos no outono. E, nessa mesma época, os homens fazem as festas de que Urien falou, em suas cidades e castelos.
      -- Então é um hábito do Norte – concluiu Rydel.
      -- Sim, mas eu diria que é mais um hábito do inverno -- ponderei. -- Todas as tradições falam dessa estação como propícia ao recolhimento, mas também a esse retorno ao seio da família e ao convívio com os amigos. E isso em todas as regiões de Athelgard. Só que o frio aqui no Sul não é muito grande e não interrompe as atividades de ninguém. As pessoas se sentem obrigadas a fazer o que fazem sempre. Mesmo que sua vontade fosse se aconchegar umas às outras e ficar contando histórias.
       -- É, acho que tem razão. Que pena, poderíamos cultivar esse hábito aqui em Vrindavahn – disse o elfo.
       Assenti, e a conversa tomou outros rumos, mas aquelas palavras ficaram dando voltas em meus pensamentos. Logo acharam um canto onde germinar, embora ainda em silêncio, como sementes no solo de inverno. Aquele frio úmido, que incomodava tanto as pessoas das Terras Férteis, que enfarruscava os ânimos no Castelo das Águias e fazia da alegre Vrindavahn uma cidade parada, quase monótona... Todos o enfrentariam melhor se ficassem mais próximos, como se deve estar nas noites frias. E o que eu, a Mestra de Sagas, podia fazer a respeito?
       Não era preciso pensar muito para achar a resposta.
       O jantar seguiu sem novidades, culminando nos deliciosos doces de amêndoa que Netta me ensinara a fazer. Lara se retirou assim que terminamos, depois foi a vez do Mentor Camdell, e logo todos os professores haviam se despedido. Acompanhei o mestre de Música até a Ala Verde, como havíamos combinado, mas, quando chegamos à sua sala de trabalho, foi a minha vez de surpreender Urien com uma proposta em voz baixa.
       -- Antes de começarmos, quero falar sobre uma ideia que tive. Não é uma coisa muito grande, nem difícil, mas não posso fazer sozinha. Você me ajuda?
       -- Só um momento. – Ele pegou uma garrafa que estava atrás de um estojo de alaúde, aparentemente escondida, e se serviu de uma taça de vinho antes de se sentar à minha frente. – Pronto, sou todo ouvidos. E mesmo antes que fale, já sabe, pode contar com minha ajuda. A não ser que seja alguma coisa muito perigosa, como tirar um urso da toca.
       -- Isso eu já fiz e não vou fazer de novo – repliquei, e me inclinei para diante. – Escute com atenção, e depois me diga... O que acha de promovermos uma grande noite de sagas?

****

(Continua...)

Parte 2

Imagem: Natureza morta na cozinha, óleo sobre tela de Floris Gerritsz van Schooten. (Haarlem, ca. 1590 - 1655)

domingo, 28 de agosto de 2016

Editora Draco na Bienal do Livro 2016



Pessoas Queridas,

A Bienal do Livro de São Paulo já começou!

Eu só irei nos dias 2, 3 e 4 -- o último final de semana - mas já vou deixando
aqui a agenda de participação dos autores da Editora Draco. Vai ter muita gente boa por lá, tanto da Literatura quanto dos quadrinhos, e todo o catálogo estará com desconto.

Esperamos vocês!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Entrevista no blog The Nerd Bubble



Pessoas Queridas,

Tive o prazer e a honra de reinaugurar a coluna de entrevistas do blog "The Nerd Bubble", da querida Camila Villalba. Falo da minha bagagem como leitora e da minha trajetória como escritora, desde os primeiros rabiscos até o momento.

Quem se interessar pode conferir a entrevista aqui.

domingo, 14 de agosto de 2016

Karel, o Insaciável


Karel Vannovich, chamado O Insaciável, é um dos personagens secundários de "A Ilha dos Ossos", com o qual Kieran se defronta nos subterrâneos do Castelo Vannovich, em Brandannen. Sua história não é completamente desvendada, o mago faz apenas uma suposição sobre como ele foi parar lá -- mas no conto "A Voz do Sangue" ficamos sabendo, com detalhes, tudo a respeito de Karel e da maldição que paira sobre sua família.

Esse conto traz como protagonistas o cauteloso Preste Ivan de Brandannen e o misterioso Maxim, membro da Ordem da Rosa -- um braço do Templo, parte secular, parte místico, que se dedica a combater o Mal em suas formas mais sutis. Juntos, eles entram no castelo pertencente aos senhores da cidade -- a família Vannovich, de humor e ancestralidade sombrios -- e lá se deparam com o que poderia ser descrito como uma cena de pesadelo>

Ivan contou treze, homens e mulheres de várias idades, o mais novo um adolescente com uma penugem sobre o lábio. Estavam atemorizados, mas mesmo assim faziam o que lhes tinha sido ordenado, detendo-se, cada um à sua vez, diante de um guarda que segurava uma grande taça de ouro. Um homem de armas desnudava seu braço esquerdo, prendendo-o firmemente pelo pulso e cotovelo enquanto outro, munido de uma faca curva, fazia um fundo corte no antebraço. O sangue escorria, e o braço era apertado e torcido até que uma boa quantidade houvesse sido recolhida na taça. Gritar era proibido, mas quase todos deixavam escapar gemidos que torturavam os ouvidos e o coração do Preste.

O maestro dessa orquestra de horrores é justamente Karel, que os dois enfrentarão de forma eficaz, mas não definitiva. Afinal, sabemos que ele reaparece em "A Ilha dos Ossos", e esse novo confronto tem consequências que se fazem sentir, também, em "A Fonte Âmbar". Assim, o Insaciável é um personagem bastante relevante para a trilogia, e até para a própria Athelgard, principalmente se levarmos em conta a história do clã Vannovich, um dos maiores do Oeste, com sua origem imersa em brumas e em lendas que falam de bebedores de sangue.

Esta, a de Karel, vocês conferem aqui.

Espero que gostem e peçam mais!

*****

Desenho de Karel por Cristiano Konno, que fez várias resenhas sobre Athelgard em seu blog e escreveu uma bela história nesse universo, a qual em breve esperamos disponibilizar.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Personagens de "A Fonte Âmbar" (Parte 2 - I a Z)


Pessoas Queridas,

Segue a segunda parte do glossário de personagens, lembrando que são apenas os que aparecem pela primeira vez no Livro 3!

Kieran ap Teig – filho de Teig e Alix, morreu ainda bebê

Kieran Matiévich – filho pequeno de Matias e Katenka, que vive em Leighdale

Kurok – mercenário, elfo da Tribo dos Ursos Negros

Lasarr – nome pelo qual é conhecido o Conjurador de Mortos

Maeve – empregada da fazenda do general Gwil, sobrinha de Ceridwen. Admira muito Seril e vive um caso amoroso com Doron

Mark – Comandante de uma Companhia do exército de Scyllix, ajuda na defesa da cidade

Medrawt – Preste de meia-idade, mandado para Glen Thar a fim de auxiliar o velho Preste Daffyd. É favorável ao sacrifício de animais

Naldar – elfo brilhante, Primeiro Conselheiro de Scyllix

Nauk – mercenário, elfo da tribo dos Ursos Negros

Olwen – falecida mãe de Seril e Kieran. Toda a família do mago aparece no conto A Encruzilhada

Ordo – pai de Orm

Ralston – Conselheiro Militar de Scyllix, um veterano

Razion – garoto meio-humano, filho de Brigid e de um elfo já falecido. Protegido de Harlan

Ronan – ferreiro de Glen Thar, recém-chegado à aldeia

Ruivo – apelido de um aprendiz do Segundo Círculo do Castelo das Águias. Faz sua primeira aparição neste conto

Seamus – Comandante de uma Companhia do exército de Scyllix

Tammoren – elfo brilhante, arqueiro do exército, filho de Athala e Fahel

Tatyana – esposa do Conselheiro Thorold de Vrindavahn, mãe de Freydis. Os três aparecem aqui

Teig – Comandante de uma Companhia do exército de Scyllix, marido de Alix, amigo de infância de Kieran e Doron

Telion – elfo brilhante, chefe da Casa Safira, sobrinho de Hillias , Conselheiro Militar de Scyllix

Tibor Vannovich – camponês de Etskaia recrutado para a guerra, primo de Arpad, parente de Radu e Mircea Vannovich

Valan – jovem meio-humano, teve a família morta por mercenários e viveu com uma tribo de elfos por alguns anos. Mais tarde, se tornou acólito de Lasarr. Tem o apelido de Andorinha

Vivani – xamã da tribo élfica do Bosque dos Sons, foi mestra de Valan por algum tempo

Wendell – fazendeiro dos arredores de Pengell, empregou Valan por algumas luas antes que o jovem se ligasse a Lasarr

Yago – pai de Tibor Vannovich

Yseult – esposa do Conselheiro Cormac

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Personagens de "A Fonte Âmbar" (Parte 1 - A a H)


Oi, Pessoas!

Tal como fiz com "O Castelo das Águias" e"A Ilha dos Ossos", aqui vai um glossário de personagens para orientar os leitores. Só estão listados os que aparecem pela primeira vez neste livro; os demais (mestres e aprendizes da Escola de Artes Mágicas, por exemplo) podem ser encontrados nos posts referentes aos livros 1 e 2, que estão no marcador "Personagens". Também fiz alguns links entre uns e outros para vocês conhecerem ou recordarem o pessoal dos primeiros livros. Vamos lá?

Aidan – bebê, filho de Aryan e Flora

Aileen – adolescente, filha de Teig e Alix

Alix – esposa de Teig, foi pivô de uma disputa envolvendo Declan e Kieran. A história pode ser lida aqui.

Andorinha – apelido de Valan

Arpad Vannovich – nobre do Oeste, senhor da aldeia de Etskaia

Athala – elfa brilhante, esposa de Fahel

Blethyn – oleiro de Glen Thar, contrai a peste misteriosa

Brigid – criada humana de Harlan, mãe de Razion

Ceridwen – criada do General Gwil, já falecida, cuidou de Doron quando este perdeu a mãe

Colm – aprendiz no Castelo das Águias

Colm (2) – velho pastor de ovelhas, empregado de Seril

Conan – moleiro de Glen Thar

Cormac – mercador de vinho, Conselheiro Civil de Scyllix

Cyprien de Pwilrie – saltimbanco, velho amigo de Tomas, foi quem levou Valan da floresta onde cresceu para uma cidade dos humanos no País do Norte. Cyprien aparece em uma aventura na sua cidade natal, ao lado da namorada Mariotte e do filho Alain, na novela O Jogo do Equilíbrio.

Daffyd – Preste muito idoso do templo de Glen Thar, amado por todos. Foi quem ensinou Kieran a ler

Declan, o Mão de Ferro – Comandante de uma Companhia do exército de Scyllix, desafeto de Kieran desde a juventude

Dylan – fazendeiro de Glen Thar, contrai a peste misteriosa

Éamonn – Conselheiro de Vrindavahn, substituto de Waclav Vannovich

Elena – esposa de Arpad Vannovich, que o espera em Etskaia

Elora – elfa brilhante, viúva do General Palias, falecido líder da Casa Âmbar em Scyllix

Fahel – elfo brilhante, sobrinho de Palias, Conselheiro Civil de Scyllix

Greimolt – senhor de Pengell, conhecido como O Tirano por sua impiedade e prepotência

Gwil – velho General, aleijado, pai de Doron

Gwinnis – criada humana de Palias, de quem teve a filha Olwen, que viria a ser mãe de Seril e Kieran

Harlan – elfo brilhante, amigo de juventude de Kieran, Mestre de Estratégia em Scyllix. Atualmente num relacionamento amoroso com Vergena

Em breve: Personagens de I a Z